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Foto: Christopher Dilts

Cidadãos, empresários e políticos nos EUA cobram de Biden fim das sanções contra Cuba

"Estamos coletivamente consternados e decepcionados com sua indiferença ao sofrimento das famílias cubanas tanto em Cuba quanto aqui nos EUA", afirmam em carta
Jim Cason, David Brooks
La Jornada
Washington, DC

Tradução:

Beatriz Cannabrava

Uma coalizão de cubano-americanos, funcionários do governo ativos e aposentados, líderes empresariais e políticos entregaram uma carta ao Departamento de Estado e realizaram uma série de reuniões com legisladores com o propósito de instar o governo de Joe Biden a retomar o processo de normalização das relações com Cuba iniciado pelo governo de Barack Obama.

“Escrevemos como cubano-americanos e cidadãos americanos preocupados que oferecemos nosso tempo, doamos nossos recursos e votamos em você em 2020”, escreveram os signatários, que incluem o ex-vice-presidente do Caucus Hispano do Comitê Nacional Democrata (a entidade cupular do Partido Democrata), Jorge Quintana, a presidente da Universidade de Washington, Ana Mari Cauce, o ex-executivo financeiro-chefe e Tesoureiro de Transporte de Nova Jersey, Bill Viqueira, e o seis vezes vencedor do Grammy, Arturo O’Farrill, entre outros.

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“Estamos coletivamente consternados e decepcionados com sua indiferença ao sofrimento das famílias cubanas tanto em Cuba quanto aqui nos Estados Unidos”, enfatizam.

Na carta, entregue nesta segunda-feira (6) em uma reunião com o Coordenador de Assuntos Cubanos no Departamento de Estado, assim como com líderes legislativos democratas, os promotores solicitaram especificamente que o governo de Biden anule a designação de Cuba como um patrocinador estatal do terrorismo, que até altos funcionários do governo reconhecem, em privado, não ter sustentação, bem como ampliar os esforços para apoiar o crescente setor privado na ilha.

Custos do bloqueio

A carta, coordenada pela Aliança para o Engajamento e Respeito a Cuba (ACERE, na sigla em inglês), detalha o custo dos efeitos do bloqueio estadunidense e também a sensação de traição dos membros deste grupo com relação ao atual governo. “Sua promessa de campanha de desfazer o caos deixado pelo governo anterior para as famílias cubanas foi um dos principais fatores pelos quais muitos de nós o apoiaram”, afirma o grupo, que inclui mais de 200 cubano-estadunidenses que apoiaram Biden na eleição presidencial de 2020, juntamente com cerca de 30 organizações encabeçadas por cubano-americanos.

“Estamos extremamente decepcionados e horrorizados com sua inação, falta de valentia e sensibilidade para desfazer as medidas executivas drásticas e sem fundamento impostas por seu antecessor. Elas causam danos graves ao povo em Cuba, bem como nos Estados Unidos. Com uma canetada, o senhor poderia facilmente reverter essas políticas e pôr fim à dor e ao sofrimento”.

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Os signatários da carta, entre os quais também está o executivo de Hollywood e ex-membro do comitê de finanças do Comitê Nacional Democrata, Andy Spahn, o presidente e executivo-chefe da Fuego Enterprises, Hugo Cancio, assinalam que a crise humanitária na ilha causada pelas sanções estadunidenses têm contribuído à crise migratória na fronteira dos Estados Unidos.

“Dezenas de milhares de cubanos perderam a esperança e deixaram sua pátria em busca de estabilidade econômica”, escrevem. “Aqueles que permanecem em Cuba – incluindo o crescente setor privado que seu governo diz apoiar – veem sua vivência severamente afetada por essas sanções que o senhor poderia facilmente reverter”.

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A carta também é assinada pelo ex-Oficial Nacional de Inteligência para a América Latina, Fulton Armstrong, o advogado cubano-americano com escritório em Washington, José Pertierra, a fundadora do Centro pela Democracia nas Américas, Sarah Stephens, e o empresário progressista e executivo-chefe de uma rede de restaurantes, Andy Shallal.

Assim eles concluem sua mensagem para Biden: “Precisamos de sua valentia para implementar o que grande parte da comunidade cubano-americana, a esmagadora maioria dos cidadãos americanos e do mundo, crê que é o correto fazer“.

La Jornada, especial para Diálogos do Sul – Direitos reservados.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.

Jim Cason Correspondente do La Jornada e membro do Friends Committee On National Legislation nos EUA, trabalhou por mais de 30 anos pela mudança social como ativista e jornalista. Foi ainda editor sênior da AllAfrica.com, o maior distribuidor de notícias e informações sobre a África no mundo.

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