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Colômbia: acordo de paz conquista novo cessar-fogo e desenvolvimento para áreas em conflito

Governo Petro e Farc retomaram diálogos após breve pausa de fim de ano
Jorge Enrique Botero
La Jornada
Bogotá

Tradução:

* Atualizado em 16/01/2023 às 11h45.

Depois de uma breve pausa de fim de ano, o governo do presidente Gustavo Petro e as dissidências das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) reiniciaram, na quinta-feira (11), em Bogotá, um terceiro ciclo de negociações de paz.

Porta-vozes de ambas as partes coincidiram que concentrarão seus esforços em três temas principais: o prolongamento do cessar-fogo bilateral, vigente até então até o próximo dia 15 de janeiro, a diminuição da violência que afeta a população civil e a execução de projetos territoriais de desenvolvimento por parte do governo nacional nas regiões mais afetadas pela confrontação armada.

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O escritório do Alto Comissionado de Paz (OACP) divulgou fotografias do reinício dos diálogos de paz, nas quais aparece Leopoldo Durán, novo chefe da delegação insurgente, frente aos delegados do governo, encabeçados pelo acadêmico Camilo González Posso.

No meio do clima de ceticismo que costuma rodear os acercamentos do governo com os grupos armados à margem da lei, o anúncio foi bem recebido pela maioria dos setores políticos. No legislativo, o senador Ariel Ávila opinou que as prioridades do ciclo são alentadoras, mas advertiu que as partes devem trabalhar “em uma agenda muito mais explícita, porque se ao final de 2025 não se avançar 80% da negociação, vai ser impossível firmar a paz com esse governo”.

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A nova rodada com as dissidências coincidiu com a decisão tomada na quinta, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, para que uma delegação integrada pelos membros do organismo visite a Colômbia no próximo mês de fevereiro. “A voz de alento e a participação ativa deste Conselho continuarão sendo um respaldo muito importante para o êxito da paz na Colômbia”, sublinhou o mexicano Carlos Ruiz Massieu, chefe da Missão de Verificação da ONU na Colômbia.

Porta-vozes do Conselho de Segurança disseram que, durante a visita, “serão mantidas reuniões com todos os atores relevantes do processo”.

Depois de terminar, no próximo dia 20 de janeiro, este ciclo de conversações com as dissidências das Farc, o governo do presidente Petro retomará, em Havana, Cuba, as negociações com o Exército de Libertação Nacional (ELN), que já chegam à sétima rodada e completam 13 meses, também em meio a um cessar-fogo bilateral.


6 meses de trégua

O governo do presidente Gustavo Petro decidiu prorrogar por seis meses o cessar-fogo com as dissidências das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que venceriam em 15 de janeiro, conforme informaram hoje fontes oficiais.

O anúncio ocorreu apenas três dias depois que o presidente foi informado pela delegação governamental nos diálogos sobre os avanços alcançados após meses de negociações, especialmente a “desescalada” da violência contra as comunidades rurais. Segundo fontes militares, as dissidências das FARC são compostas por cerca de 3.500 combatentes que não aderiram aos acordos de paz de 2016.

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Analistas locais opinaram que o governo tomou a decisão depois de analisar os relatórios dos mecanismos de verificação criados para monitorar a trégua, nos quais foram registrados poucos episódios de violência armada.

De acordo com o decreto emitido pelo governo, o Ministério da Defesa ordenará “a suspensão das operações ofensivas e operações policiais a partir da meia-noite de 16 de janeiro até 15 de julho de 2024 contra os integrantes do chamado Estado-Maior Central das FARC que participam do processo de paz”.

A prorrogação do cessar-fogo ocorreu durante o terceiro ciclo de negociações entre ambas as partes, que está acontecendo em Bogotá e irá até 20 de janeiro.

Em 23 de janeiro, outra delegação de paz do governo retomará em Havana, Cuba, as conversações com o Exército de Libertação Nacional (ELN), que já duram treze meses e entram na sétima rodada, também durante um cessar-fogo bilateral.

Em fevereiro, uma delegação do Conselho de Segurança das Nações Unidas visitará a Colômbia. Esse organismo tem conduzido uma robusta missão de verificação liderada pelo mexicano Carlos Ruiz Massieu.

Iniciou-se o julgamento do filho do presidente

As notícias sobre a paz, no entanto, passaram quase inadvertidas na agenda noticiosa nacional, concentrada desde as primeiras horas da quinta-feira (11) nos pormenores do julgamento de Nicolás Petro, filho do presidente, acusado de lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito.

No primeiro dia do processo, a defesa de Petro solicitou ao juiz a anulação de todas as atuações da promotoria-geral, por considerar que foram violadas normas elementares de procedimento e se aproveitou para fazer do caso um espetáculo midiático destinado a afetar a imagem do chefe de Estado.

Não obstante, a promotoria insistiu que havia provas suficientes para imputá-lo e o juiz declarou, no final da tarde, que Nicolás Petro ficava formalmente acusado, citando uma nova audiência para o final do mês de abril.

Jorge Enrique Botero | La Jornada, especial para Diálogos do Sul – Direitos reservados.
Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Jorge Enrique Botero Jornalista, escritor, documentarista e correspondente do La Jornada na Colômbia, trabalha há 40 anos em mídia escrita, rádio e televisão. Também foi repórter da Prensa Latina e fundador do Canal Telesur, em 2005. Publicou cinco livros: “Espérame en el cielo, capitán”, “Últimas Noticias de la Guerra”, “Hostage Nation”, “La vida no es fácil, papi” y “Simón Trinidad, el hombre de hierro”. Obteve, entre outros, os prêmios Rei da Espanha (1997); Nuevo Periodismo-Cemex (2003) e Melhor Livro Colombiano, concedido pela fundação Libros y Letras (2005).

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