Pesquisar
Pesquisar

Como o grande capital enfraquece a luta popular e por quê devemos mudar isso

Meios de comunicação de massa têm sido determinantes para afastar do debate público e da participação partidária setores importantes da sociedade
Carolina Vásquez Araya
Diálogos do Sul Global
Cidade da Guatemala

Tradução:

A possibilidade de gerar mudanças em um sistema político, econômico e social, como os imperantes atualmente em nossos países, que avançam de modo tão precário sob regimes pseudo capitalistas incapazes de gerar oportunidades de desenvolvimento e, menos ainda, de beneficiar todos os setores da sociedade, depende em grande medida da vontade dos povos. Se estes agarrassem o touro pelos chifres com o propósito de incidir nas decisões que lhes afetam de maneira direta, enfrentado aos poderes que o reprimem, o cenário seria outro. 

No entanto, é evidente como esta falta de músculo político foi consequência de uma estratégia combinada de manipulação ideológica e criação de obstáculos aparentemente legais para ter acesso à informação veraz e confiável; mas, sobretudo, de marcos jurídicos desenhados para elevar muros contra uma participação efetiva da população nos afazeres políticos e em rotas cada vez mais estreitas para seu próprio desenvolvimento. 

A influência decisiva dos meios de comunicação de massa, os quais em sua imensa maioria se encontram em mãos de grandes consórcios empresariais estreitamente comprometidos com o poder econômico, tem sido um dos fatores determinantes para afastar do debate público e da participação partidária setores tão importantes como a juventude e as mulheres, cuja ação direta teria o potencial suficiente para mudar o rumo da história de seus povos.

Meios de comunicação de massa têm sido determinantes para afastar do debate público e da participação partidária setores importantes da sociedade

Amazonas Atual
Um dos maiores obstáculos contra o exercício pleno de uma democracia efetiva tem sido a excessiva concentração da riqueza

A partir de políticas habilmente elaboradas para desinformar, manipular e, de passagem, satanizar os movimentos populares, os grandes meios também instalaram – desde tempos imemoriais – um acendrado ódio entre classes sociais. A isso se soma o ambiente de desprestígio da função pública, o qual socava um dos direitos fundamentais da sociedade, como é o envolvimento no desenvolvimento de seus sistemas democráticos. 

Em nossa América foram muitas as oportunidades perdidas diante de um sistema blindado contra as mudanças de fundo, mudanças estruturais imprescindíveis para abrir caminhos de desenvolvimento em sociedades igualitárias e verdadeiramente democráticas.

Apesar de novas políticas em nações com governos progressistas, as raízes do mal se mantêm inamovíveis: os setores mais pobres ficam afastados da rota do progresso, junto com aqueles que alimentam todo o sistema: o setor rural e camponês, para onde conflui a maioria das etnias originárias de nosso continente.

As razões são muitas e variadas; mas sem dúvida um dos maiores obstáculos contra o exercício pleno de uma democracia efetiva tem sido a excessiva concentração da riqueza em mãos de um círculo cada vez mais estreito e poderoso, cuja capacidade por impor seus interesses acima das maiorias vem amparado por uma cúpula ubíqua de fortes ramificações no cenário mundial.

Menina bonita: abuso sexual contra a infância é uma prática que afeta toda a sociedade

Lutar contra esse monstro tem significado, para o nosso continente, além de golpes de Estado e estabelecimento de ditaduras, oportunidades únicas para transformar seu destino e assumir os grandes desafios implícitos nesse movimento transcendental. Os passos decisivos vêm de mãos dadas com um novo marco jurídico a partir de conceitos integradores, novos textos constitucionais e leis sólidas que garantam os direitos para todos, sem exceção. 

A depuração das instâncias políticas é fundamental para a democracia.

Carolina Vásquez Araya é colaboradora da Diálogos do Sul, na Cidade da Guatemala.
Tradução de Beatriz Cannabrava.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

Assista na TV Diálogos do Sul


Se você chegou até aqui é porque valoriza o conteúdo jornalístico e de qualidade.

A Diálogos do Sul é herdeira virtual da Revista Cadernos do Terceiro Mundo. Como defensores deste legado, todos os nossos conteúdos se pautam pela mesma ética e qualidade de produção jornalística.

Você pode apoiar a revista Diálogos do Sul de diversas formas. Veja como:

  • PIX CNPJ: 58.726.829/0001-56 

  • Cartão de crédito no Catarse: acesse aqui
  • Boletoacesse aqui
  • Assinatura pelo Paypalacesse aqui
  • Transferência bancária
    Nova Sociedade
    Banco Itaú
    Agência – 0713
    Conta Corrente – 24192-5
    CNPJ: 58726829/0001-56

       Por favor, enviar o comprovante para o e-mail: assinaturas@websul.org.br 


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.

Carolina Vásquez Araya Jornalista e editora com mais de 30 anos de experiência. Tem como temas centrais de suas reflexões cultura e educação, direitos humanos, justiça, meio ambiente, mulheres e infância

LEIA tAMBÉM

PascualHernandezCUC
“Do genocídio praticado contra indígenas na Guatemala surgiu o termo palestinização”, afirma CUC
Peru-mulheres-indigenas-rio-maranon
Mulheres indígenas enfrentam petroleira para proteger Rio Marañón, no Peru
Cuba-bloqueio
EUA mantêm Cuba como patrocinadora do terrorismo para afogar projeto cubano de soberania
medicos-Cuba
Em 60 anos, médicos cubanos já socorreram 165 países e resistem à perseguição dos EUA