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Cubaindustria 2014: Por um desenvolvimento econômico sustentável

Revista Diálogos do Sul

Tradução:

Masiel Fernández Bolaños* 

A presença de cerca de 29 países e de mais de 200 empresas estrangeiras facilitou o estabelecimento de convênios, alianças e associações com essas firmas para ajudar a impulsionar o desenvolvimento nacional
A presença de cerca de 29 países e de mais de 200 empresas estrangeiras facilitou o estabelecimento de convênios, alianças e associações com essas firmas para ajudar a impulsionar o desenvolvimento nacional

A atração de investimentos estrangeiros para fomentar o desenvolvimento econômico sustentável foi um dos principais objetivos da I Convenção e Exposição Internacional da Indústria Cubana – Cubaindustria 2014.

Concretizar projetos integrais que gerem encadeamentos produtivos, substituir importações e gerar exportações também constituíram o foco das jornadas de trabalho do evento, realizado de 23 a 27 de junho em Havana.

A nova Lei de Investimentos Estrangeiros, em vigor desde 28 de junho, foi um dos temas mais debatidos, já que constitui o marco legal adequado para incentivar a participação do capital estrangeiro no desenvolvimento sustentável do país assim como a recuperação da economia nacional. De acordo com o texto da legislação isto será feito na base da proteção e do uso racional dos recursos humanos e naturais e do respeito à soberania e à independência nacionais.

Representantes das empresas participantes manifestaram seu interesse pelo projeto da Zona Especial de Desenvolvimento Mariel, a oeste de Havana, considerado um enclave essencial para o impulso da economia cubana nos próximos anos.

O encontro foi também espaço oportuno para incentivar a integração e a complementariedade entre todos os países da região.

Prioridade para recipientes e embalagens 

A substituição de importações e a geração de produtos para exportação são hoje prioridades da indústria cubana de recipientes e embalagens, um setor que ganha cada vez mais importância no mundo.

Para chegar a tanto, temos que investir naqueles produtos em que mais estamos gastando dinheiro, observou a diretora de Recipientes e Embalagens do Ministério de Indústrias de Cuba, Juana Iris Herrera, ao manifestar-se em um evento internacional sobre o tema realizado aqui.

Disse que este setor no país dispõe de uma tecnología obsoleta em alguns casos, enquanto em outros foi possível obter maior acesso a investimentos. Por isso, acrescentou, temos que maximizar o uso da capacidade instalada, impulsionar o desenvolvimento tecnológico e a melhoria da qualidade e implementar medidas econômicas e financeiras para o uso racional dos recursos.

Segundo Herrera, Cuba importou em 2013 aproximadamente 330 milhões de dólares em recipientes e embalagens, principalmente de plástico e vidro. Esclareceu que se está negociando com a companhia brasileira Odebrecht a construção de um polígono de plástico onde se produzam aqueles recipientes que a ilha não fabrica. O objetivo é, ainda, substituir importações e exportar para a área quando as capacidades permitirem.

O encontro, que se realizou no contexto de Cubaindustria 2014, buscou propiciar o intercâmbio de resultados e experiências nos temas atuais de produção e desenvolvimento deste ramo. Os participantes destacaram os aspectos relacionados com tecnologias de fabricação; logística, engarrafamento e armazenamento; aptidão sanitária de embalagens em contato con os alimentos e medicamentos; legislação nacional e internacional.

Debates sobre desenvolvimento da indústria química 

Impulsionar o desenvolvimento e a modernização da indústria foi um dos objetivos centrais do I Congresso da Indústria Química, que ocorreu como parte de Cubaindustria 2014.

O vicepresidente do Grupo Empresarial da Indústria Química, Noel Villar, afirmou que o evento foi cenário propício para o intercâmbio de experiências, a exploração de oportunidades de negócios e a necessidade de incorporação de novas tecnologias. Permitiu, ainda, o debate de temas medulares – como a importância de explorar ao máximo a capacidade industrial, protegendo o meio ambiente -, a promoção de itens exportáveis assim como a consolidação de produtos nacionais, acrescentou.

Segundo seus organizadores, também constituiram propósitos do conclave o fortalecimento do processo de negociação dos produtos deste setor com empresas estrangeiras interessadas, e o intercâmbio de ideias entre empresários locais e estrangeiros quanto aos temas propostos.

Para tanto encontraram se personalidades e representantes de importantes entidades provenientes de Itália, China, Espanha, Panamá, Irlanda, Bélgica, Venezuela que,junto com os anfitriões, prestigiaram os debates.

Como principais tópicos figuraram os fertilizantes e suas aplicações, sua diversificação mediante a utilização de recursos minerais de origem nacional e a introdução de novos nutrientes, além dos praguicidas ecológicos.

Nas discussões falou-se também de pinturas e das aplicações e avanços de anticorrosivos a partir da utilização de residuos industriais.

Repotenciação de instalações médico-farmacêuticas

A repotenciação de instalações médico-farmacêuticas é uma das linhas trabalhadas na ilha a fim de melhorar a qualidade no serviço de saúde.

Este processo se realiza a partir da recuperação, modernização ou substituição de uma ampla gama de sistemas básicos de engenharia e de equipamentos deteriorados pelo uso ou não existência anterior, a um custo economicamente viável e a partir de uma proposta técnica, segundo foi dito em outro congresso especializado no contexto de Cubaindustria 2014.

A repotenciação permite economia de grandes recursos financeiros, devolvendo ao produto as características básicas que oferecia no momento de sua aquisição, além de uma imagem renovada, explicou o assessor do Grupo Empresarial da Sideromecânica, Evelio Herrera.

Temos trabalhado muito este tema com a Venezuela e o Haiti, sobretudo em hospitais e salas de reabilitação, e continuamos trabalhando para explorar nossas capacidades no exterior, afirmou, durante a Primeira Oficina de Equipamentos Médicos, realizada aqui.

Todos os equipamentos que fazemos substituem importações na base da sustentabilidade e da soberanía, pela importância de dispor de nossos próprios recursos para atender à população, acrescentou Herrera.

Isto tem um grande impacto econômico e social, porque o país não vai renunciar nunca a uma das mais importantes conquistas da Revolução Cubana: a saúde pública gratuita, assinalou. O especialista insistiu na necessidade de aumentar o pessoal, reforçar sua preparação, assim como investir em algumas fábricas com o objetivo de incrementar a capacidade produtiva e poder aceder a tecnologias com que hoje o país não conta. “É preciso ter mais possibilidades para fazer mais e melhor na ilha; temos que unir-nos e assegurar-nos mais, para aumentar nossa presença no exterior, porque isto constitui um item exportável”, opinou. Sobre a realização da Oficina disse que uma parte importante da mostra foi dedicada aos equipamentos de reabilitação e de laboratório que se fabricam na nação caribenha.

A exposição foi integrada por mais de 80 produtos que tiveram uma grande aceitação. Entre eles a incubadora neonatal, mesas de cirurgia, camas de pediatria intensiva, um equipamento portátil de desinfecção de salão e outro para a conservação de medicamentos em farmácia.

Cubaindustria 2014 aconteceu no Palácio de Convenções de Havana, onde realizou-se o evento teórico integrado por congressos, seminários, oficinas e rodadas de negócios. Paralelamente à Convenção, no recinto de feiras Pabexpo, realizou-se a mostra de produtos, equipamentos, componentes, peças, tecnologias, assistência técnica e serviços associados a cada ramo, além de uma exposição para vendas.

Destacaram-se setores como: produção de recipientes e embalagens; reciclagem; produção de artigos de higiene, perfumaria, cosméticos; eletrônica etc. Entre os países representados estavam México, Bolívia, China, Espanha e Itália.

* Prensa Latina, de Havana para Diálogos do Sul – Tradução de Ana Corbisier


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
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