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Cúpula dos Povos defende fim ao imperialismo e convida comunidade global à multipolaridade

Declaração final, após encontro de dois dias em Bruxelas, propõe caminho rumo a soberania, autodeterminação e bem-estar das nações em todo o mundo
Guilherme Ribeiro
Diálogos do Sul
Bauru (SP)

Tradução:

Nesta terça-feira (18), foi concluída a Cúpula dos Povos 2023, em Bruxelas, na Bélgica. Iniciado na segunda-feira, o encontro contou com dois dias de conferências e debates e reuniu organizações, movimentos sociais, políticos, sindicalistas, feministas e ecologistas da América Latina, do Caribe e da Europa.

Ao fim do evento, que aconteceu paralelo ao fórum entre a Celac e União Europeia na mesma cidade, foi emitida uma declaração final que ponto a ponto descreve os desafios enfrentados pelos povos em todo o mundo, condena as diferentes formas de agressão imperialista e indica os possíveis caminhos em busca de autodeterminação, soberania e bem-estar da comunidade global.

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A Cúpula dos Povos inicia o documento defendendo relações diplomáticas — com destaque às construídas entre a Europa, a América Latina e o Caribe — baseadas em respeito e reciprocidade, com vistas à paz, à harmonia com a Mãe Terra e sobretudo livres de “ingerências externas” e “ações políticas ou militares que pretendam interferir no normal desenvolvimento das instituições”.

Declaração final, após encontro de dois dias em Bruxelas, propõe caminho rumo a soberania, autodeterminação e bem-estar das nações em todo o mundo

(Reprodução/Twitter)
Miguel Díaz-Canel, durante fala na Cúpula dos Povos

Para isso, compreende-se que o avanço da multipolaridade é vital, assim como a busca de uma arquitetura mundial de solidariedade e cooperação. “Saudamos as lutas heroicas em defesa da soberania, o bem-estar social e a democracia participativa com o objetivo de melhorar as condições de vida e de existência dos povos”, dizem as organizações no documento.

Criada na Cúpula dos Povos, Corte Internacional vai julgar bloqueio dos EUA a Cuba como crime

Os assédios dos EUA — incluindo sanções econômicas, mecanismos judiciais e campanhas midiáticas para desestabilizar governos, com especial atenção à ofensiva contra Nicarágua, Venezuela e Cuba — são condenados pelo texto, que igualmente repudia “a política da União Europeia de avalizar e, em alguns casos, replicar as sanções estadunidenses”. Neste sentido, é mencionado o Tribunal Internacional contra o Bloqueio a Cuba, criado durante o encontro e que em 16 e 17 de novembro de 2023 vai se reunir para julgar, como crime, o bloqueio de Washington contra Havana.

A Cúpula dos Povos se solidariza ainda com os povos palestinos, haitianos e peruanos, estes, vítimas do mandato sanguinário de Dina Boluarte, “que autorizou a presença de tropas estadunidenses no país com a finalidade de amedrontar a população”, apontam. A declaração também exalta a atuação política de líderes como Lula, Gustavo Petro e López Obrador, além de pontuar questões fundamentais como a imigração, o racismo e o patriarcado.

Para ler a declaração final completa (em espanhol), clique aqui.

Guilherme Ribeiro | Jornalista e colaborador na Revista Diálogos do Sul.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Guilherme Ribeiro Jornalista graduado pela Unesp, estudante de Banco de Dados pela Fatec e colaborador na Revista Diálogos do Sul.

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