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Denúncia de Marcos do Val confirma golpismo de Abin e GSI e urgência de prender Bolsonaro

Articulação chegou ao senador no início de dezembro do ano passado – antes da diplomação de Lula no TSE

Redação Brasil de Fato
Brasil de Fato
Rio de Janeiro (RJ)

Tradução:

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Três semanas após a Polícia Federal (PF) localizar uma minuta de golpe de estado na residência do ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, nova denúncia de tentativa de ruptura recai sobre o bolsonarismo. O senador Marcos do Val (Podemos-ES) afirmou ter sido acionado pelo ex-deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ) para um encontro com o então presidente Jair Bolsonaro (PL) em que teria sido discutido um plano para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Após a denúncia, do Val afirmou que renunciará ao mandato de senador.

O caso foi relatado à revista Veja, que publicaria a reportagem na sexta-feira (3). Entretanto o senador capixaba se adiantou e falou sobre o tema nas redes sociais. A reportagem, então, foi publicada já na manhã desta quinta-feira (2), com detalhes sobre a trama, digna de filme de baixo orçamento.

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Segundo noticiou a revista, a articulação chegou ao senador no início de dezembro do ano passado – antes da diplomação de Lula no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele relatou ter sido procurado por Silveira, que teria intermediado um encontro de ambos com Bolsonaro. Na reunião, de acordo com o senador, foi apresentado um plano: do Val se aproximaria do presidente do TSE, Alexandre de Moraes, munido de equipamentos para gravar a conversa, e tentaria captar algo comprometedor na fala do ministro, que também é relator do inquérito dos atos antidemocráticos no Supremo Tribunal Federal (STF).

Se o plano desse certo, a ideia seria, então, usar essa gravação solicitada como argumento para que Moraes fosse preso. Seria a primeira de uma série de medidas que colocariam o país em uma crise institucional que culminaria com uma virada de mesa, que manteria Bolsonaro no poder, segundo a reportagem da revista.

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A Veja descreve detalhes da trama, incluindo relatos de mensagens em texto e áudio que teriam sido enviadas por Silveira a Marcos do Val. O plano incluiria deslocamentos discretos, entradas sem registros no Palácio do Alvorada e conversas por códigos. Ciente da condição de investigado de Silveira (que inclusive voltou a ser preso nesta quinta-feira (2), o senador procurou Alexandre de Moraes para fazer as denúncias, de acordo com a reportagem.

Do Val teria sido escolhido para a “missão” por ser conhecido de Moraes há mais de dez anos. Na tentativa de convencê-lo a participar da trama, Silveira teria previsto: “você será um herói nacional”. Bolsonaro teria dito que ele iria “salvar o Brasil”, e que havia acerto com o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e que apenas cinco pessoas teriam conhecimento do plano – sempre de acordo com o que publicou a Veja.

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Após informar Moraes sobre o convite indecoroso, do Val teria evitado o contato com Silveira, que teria insistido com uma série de mensagens na expectativa de convencê-lo a topar a empreitada. Após alguns dias sem resposta, Silveira teria recebido uma recusa respeitosa: “Irmão, vou declinar da missão”, e teria dito em resposta “Entendo, obrigado”.

A revista afirmou que procurou todas as pessoas citadas. Antes da prisão, nesta quinta, Silveira respondeu que está impedido pela justiça de falar com a imprensa. Moraes informou que não comentaria o caso, enquanto Bolsonaro, que está nos Estados Unidos desde antes do fim do mandato, não foi localizado.

Articulação chegou ao senador no início de dezembro do ano passado – antes da diplomação de Lula no TSE

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Adriana Accorsi: Denúncia de Marcos do Val revela indícios que faltavam para pedir o indiciamento de Bolsonaro por atentar contra o Estado




Marcos do Val disse que deixaria o mandato, mas recuou da decisão

Os últimos dias foram de pressão sobre Marcos do Val. Antes da denúncia ser publicada pela revista, ele esteve na mira de bolsonaristas nas redes sociais e foi acusado de ter “traído” Rogério Marinho (PL-RN) na eleição para a presidência do Senado, em disputa contra Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que foi reeleito com o apoio de Lula. Ele negou a traição, e manteve a postura crítica a Lula nas redes.

Na madrugada de quinta, depois de escrever várias respostas a críticos, ele fez uma postagem em que afirma que estaria saindo “definitivamente” da política, dando entrada no pedido de afastamento nos próximos dias. Do Val, que foi eleito para o Senado em 2018 na esteira da “antipolítica” que teve Bolsonaro como maior representante, diz ainda que estaria se organizando para voltar aos Estados Unidos, onde trabalhou antes de ingressar na carreira parlamentar. No entanto, o senador recuou da decisão.

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“Elementos que faltavam”

Nas redes sociais, diversos personagens do mundo político repercutiram a denúncia feita por Marcos do Val. Para o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e líder do governo no Congresso Nacional, o depoimento “traz os elementos que faltam para pedir o indiciamento do ex-presidente da República por atentar contra o Estado”. Ele informa ainda que irá propor que Marcos do Val seja ouvido no inquérito dos atos antidemocráticos.

A presidenta do PT e deputada federal, Gleisi Hoffmann (PR), afirmou que, se as afirmações forem comprovadas, “Bolsonaro precisa responder e ser preso, assim como qualquer um que tenha cargo público e que questione o resultado das eleições e ataque a democracia. Não dá pra normalizar essa gente”.

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Para o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), ex-líder do PT na Câmara dos Deputados, as revelações são “gravíssimas”. “Se confirmado, o ex-presidente precisa ser responsabilizado. Trampar golpe é crime e lugar de criminoso é na cadeia. Ditadura nunca mais”, afirmou.


Veja outras declarações a respeito:

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Redação | Brasil de Fato


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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