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Diferentemente da Guerra Fria, há hoje baixa segurança sobre as armas de destruição global

Nunca se pôs tanto poder econômico, midiático e militar em tão poucas mãos, controlando o destino coletivo
David Brooks
La Jornada
Nova York

Tradução:

Acabamos – nós, o mundo – de passar por mais de dois anos de uma pandemia só para ver explodir uma guerra entre poderes nucleares (especialistas tratam convencer-nos que não culminará em um Apocalipse porque confiam na sensatez dos loucos encarregados destas armas nucleares), enquanto a ONU emitiu um massivo relatório científico sobre a mudança climática confirmando que só teremos uns quantos anos para agir e evitar o desastre final da vida neste planeta. 

Nem a pandemia, nem a guerra, nem as armas nucleares, nem a mudança climática eram/são inevitáveis. E nenhum desses fenômenos obedece nem respeita bandeiras, fronteiras, nem discursos nacionalistas.

“Diferentemente da alta Guerra Fria quando políticos, parlamentos, gabinetes presidenciais e estados maiores podiam em certo grau combater a megalomania na cúpula, hoje há poucos mecanismos de segurança entre os líderes máximos e o Armageddon. Nunca se pôs tanto poder econômico, midiático e militar em tão poucas mãos”, lamenta o crítico social Mike Davis na New Left Review ao resumir o que vê como um mundo em mãos de um elenco de oligarcas e chefes de Estados medíocres os quais, nesse momento, controlam nosso destino coletivo.

Nos Estados Unidos, com sua crise política e, alguns diriam, imperial, não há saídas marcadas para a esperança. Isso é parte da crise que esta conjuntura traz, um tipo de desespero, assinala o filósofo e intelectual público Cornel West, professor na Union Theological Seminary, e anteriormente em Harvard e Princeton.

Em uma entrevista recente ao The New Yorker, comentou que diante desta conjuntura, “como humano e como homem afro-estadunidense, luto com o desespero. E então, igual ao homem de blues ou uma mulher de jazz, tenho que ser flexível, fluido e usar a improvisação, buscando fontes e recursos que possam ser uma força pelo bem”. Isso inclui participar no âmbito político-eleitoral apesar de que ambos os partidos apoiam em essência o militarismo e se subordinam a Wall Street. “Com todo o mal que é Biden, tens que ter uma coalisão antifascista contra o gangster neofascista Trump, não é verdade?”. Ao mesmo tempo, diz, a gente também quer estar com os movimentos sociais. 

“Necessitamos tudo o que haja, dados estes tempos desesperados de catástrofe ecológica e avareza empresarial e os crescente movimentos neofascistas e o ódio organizado contra pessoas negras e os gays e lesbianas e trans e os judeus e árabes e muçulmanos. São dias muito sinistros. Temos que obter tudo o que possamos de nossas fontes positivas que têm que ver com a justiça e a compaixão e a reflexão crítica, e temos que ser honestos”.

David Brooks | O mundo ainda tolera loucuras de guerras imaginárias?

West diz que “o deterioro espiritual e a decrepitude moral” no âmbito político é nutrido pela constante falta de prestação de contas às maiorias deste país, e que “o militarismo, o fundamentalismo do mercado livre, e o crescente autoritarismo que se tornou neofascista em sua expressão”, ameaçam os Estados Unidos.

Em torno à guerra mais recente, diz que é uma grande hipocrisia que Washington declare à Rússia que não tem direito a ter uma esfera de influência “depois da Doutrina Monroe, depois de derrocar regimes democráticos na América Latina durante mais de cem anos”.

Nunca se pôs tanto poder econômico, midiático e militar em tão poucas mãos, controlando o destino coletivo

PxHere
Nem a pandemia, nem a guerra, nem as armas nucleares, nem a mudança climática eram/são inevitáveis

Apesar das poucas possibilidades de triunfos na luta pela liberdade, “lutamos de toda maneira, porque isso é o correto e o justo… Só porque dizem que vão te esmagar… isso não implica que não vais cantar tua canção, que vais deixar de escrever tua poesia. Isso não significa que deixas de organizar e mobilizar e amar teus filhos e outras pessoas, e estar em solidariedade com palestinos e camponeses sem terra” entre outros ao redor do mundo. Isso – seguir cantando, até com um sorriso, apesar de tudo – “são os blues”. 

É, e tem sido, tempo de blues. Mas de repente aparecem as possibilidades de grandes coros, onde, como disse uma rebelde, “a gente se olha, se dá as mãos, e recordamos como dançar”.

Stromae – Santé

Taj Mahal and Keb’ Mo’ – Diving Duck Blues

David Brooks é correspondente do La Jornada em Nova York, EUA.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.

David Brooks Correspondente do La Jornada nos EUA desde 1992, é autor de vários trabalhos acadêmicos e em 1988 fundou o Programa Diálogos México-EUA, que promoveu um intercâmbio bilateral entre setores sociais nacionais desses países sobre integração econômica. Foi também pesquisador sênior e membro fundador do Centro Latino-americano de Estudos Estratégicos (CLEE), na Cidade do México.

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