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“É ilegal usar fome como arma política”: Em manifestação, estadunidenses denunciam sanções de Biden contra Cuba

“Caminhada de 2 mil quilômetros culmina em comício de centenas em frente à Casa Branca para exigir o fim das sanções contra Cuba”.
David Brooks
La Jornada
Nova York

Tradução:

Carlos Lazo, professor de preparatória cubano-estadunidense, encabeçou uma caminhada de 2 mil quilômetros desde Miami que neste domingo culminou em frente à Casa Branca, onde junto com centenas de ativistas, acadêmicos, sindicalistas foi exigido um levantamento das sanções econômicas impostas sobre Cuba em nome das famílias cubanas. 

Com bandeiras cubanas ondeando, cartazes contra o embargo, e um amplo elenco de cubano-estadunidenses fazendo coro com seus aliados “Cuba sim, bloqueio não” com isso rompendo a narrativa oficial de que suas políticas representam os desejos dessa comunidade, Lazo e seus colegas foram bem vindos ao concluir sua peregrinação que começou no dia 27 de junho, e que em cada escala promoveu o diálogo sobre a relação bilateral. 

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Lazo, que nasceu em Cuba e migrou em 1991, é veterano de guerra no Iraque (onde foi enfermeiro militar), depois professor e promotor proeminente da normalização da relação bilateral, reiterou sua mensagem emitida no início da caminhada: “sessenta anos de tensões entre Cuba e os Estados Unidos só deixaram miséria, dor e ressentimentos”, e que como estadunidense não é aceitável a limitação dos direitos de enviar remessas, viajar a Cuba e reunificar suas famílias.

“Caminhada de 2 mil quilômetros culmina em comício de centenas em frente à Casa Branca para exigir o fim das sanções contra Cuba”.

Puentes de amor
“Caminhada de 2 mil quilômetros culmina em comício de centenas em frente à Casa Branca para exigir o fim das sanções contra Cuba”.

Cumpra suas promessas Joe

Diante de quase 500 pessoas em frente à Casa branca na Praça Lafayette, oradores exigiram que o presidente Joe Biden cumpra com suas promessas eleitorais de reativar a política de abertura e normalização impulsionada por Barack Obama, e denunciaram as novas medidas e a retórica de agressão de seu governo nos últimos dias. 

“É ilegal usar a fome como uma arma de política exterior”, declarou o advogado José Pertierra, veterano analista sobre a relação bilateral com a ilha”.

“Sr. Presidente Biden, o senhor parece ao mais Trumpista do que ao vice-presidente que já foi” e apontou que o atual presidente manteve vigente as 243 medidas de sanção impostas sobre Cuba por seu antecessor, em uma tentativa para comprar a direita cubano-estadunidense da Flórida.

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“O senhor não pode entregar a política exterior a Miami… e espero que não esteja escutando o prefeito de Miami que deseja que os Estados Unidos lancem bombas sobre Cuba”.

“Se de verdade o senhor está de pé com o povo de Cuba, tire seu joelho que está sobre nossos pescoços, deixe que Cuba respire, que Cuba viva”, concluiu.

Um representante do sindicato nacional de trabalhadores da saúde, SEIU-1199, declarou que seu grêmio apoia o fim do bloqueio, como também apoia o direito à livre expressão.

Esses sentimentos obviamente não eram compartilhados por centenas de manifestantes que chegaram ao mesmo lugar para opor-se ao evento, os quais levavam bandeiras estadunidenses junto com as cubanas para expressar seu apoio ao bloqueio contra seu próprio povo e buscaram interromper e provocar os promotores do diálogo e apoio mútuo, acusando alguns de ser “comunistas”.  

O comício pelo fim das sanções de Washington contra Cuba foi apoiado por algumas dos mesmos agrupamentos e figuras nacionais e internacionais que assinaram a carta aberta a Biden publicada no New York Times na semana passada.

David Brooks, Correspondente – La Jornada em Nova York

Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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David Brooks Correspondente do La Jornada nos EUA desde 1992, é autor de vários trabalhos acadêmicos e em 1988 fundou o Programa Diálogos México-EUA, que promoveu um intercâmbio bilateral entre setores sociais nacionais desses países sobre integração econômica. Foi também pesquisador sênior e membro fundador do Centro Latino-americano de Estudos Estratégicos (CLEE), na Cidade do México.

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