Wikimedia Commons

Estados Unidos amplia ações visando bloqueio do fornecimento de combustíveis a Cuba

"Querem cortar a luz, a água e até o ar para arrancar-nos concessões políticas" denuncia o presidente cubano Miguel Díaz-Canel

Estados Unidos busca a explosão social  em Cuba e uma das maneiras de provocá-la é perseguir e impedir os embarques de combustível para a ilha, para provocar apagões e cortes dos serviços públicos vitais. 

Essa é outra faceta do assédio ao pequeno vizinho do sul, que costuma resistir, inclusive nos anos 1990 quando se "desmantelou" a União Soviética, como disse Fidel Castro, o líder histórico da Revolução cubana. 

Foram anos de duplo bloqueio, longos apagões, carência de alimentos e de transporte e outras penúrias para o povo cubano. 

O presidente estadunidense Donald Trump pretende reeditá-los sob os compromissos com o senador cubano-americano Marco Rubio e outros personagens do "establishment", que desde a Flórida mantêm sequestradas as relações Estados Unidos-Cuba.

"Hoje denuncio ante o povo de Cuba e do mundo que a administração dos Estados Unidos começou a agir com maior agressividade para impedir a chegada de combustível a Cuba”, assim expressou o presidente Miguel Díaz-Canel em Bayamo, no oriente do país, no discurso central pelo Dia da Rebeldia Nacional. 

Diante de milhares de bayameses, o governante qualificou de cruéis as ações extraterritoriais da Casa Branca que buscam impedir por todos os meios a chegada a portos cubanos dos navios tanque.

Explicou que para isso ameaçam "brutalmente" as companhias de navegação, os governos dos países onde estão registrados os navios e as empresas de seguro. 

Ressaltou que “querem cortar a luz, a água e até o ar para arrancar-nos concessões políticas. Não se escondem para fazê-lo. Declaram publicamente os fundos destinados à subversão dentro de Cuba, inventam pretextos falsos e hipócritas para reincorporar-nos a suas listas espúrias e justificar o recrudescimento do bloqueio”.

Buscam a explosão social, acusou o mandatário e argumentou: “O plano genocida é afetar, ainda mais, a qualidade de vida da população, seu progresso e até suas esperanças, com o objetivo de ferir a família cubana em sua cotidianidade, em suas necessidades básicas, e paralelamente acusar o Governo cubano de ineficácia”.

Wikimedia Commons
A administração dos Estados Unidos começou a agir com maior agressividade para impedir a chegada de combustível a Cuba


Em seu discurso Díaz-Canel disse "para que o mundo julgue" que apenas de março de 2018 até abril de 2019, o bloqueio econômico, financeiro e comercial contra seu país provocou perdas no valor de quatro bilhões e 343 milhões de dólares.

Advertiu que o dado não reflete as afetações provocadas pelas últimas medidas da atual administração dos Estados Unidos, que limitam as licenças de viagem dos estadunidenses e proíbem os cruzeiros, iates e aviões privados daquele país.

Tais medidas reforçam as dificuldades financeiras ao impactar diretamente o turismo (concebido como motor econômico cubano) e as atividades associadas que beneficiam o crescente setor não estatal da economia, chamados aqui de cuentapropistas (leia-se artesãos), operadores de hospedarias e outros alojamentos, restaurantes, bares, aluguel de autos e outros.

São essas restrições e a perseguição financeira contra Cuba as causas principais do desabastecimento de alimentos e combustíveis e das dificuldades para adquirir peças de reposto indispensáveis para manter a vitalidade do sistema eletro-energético, apontou o presidente cubano.

Referiu-se a isso ao explicar algumas das razões principais pelas quais o território nacional foi afetado por apagões e outras carências de combustível que “estamos enfrentando criativamente com a férrea vontade de resistir e vencer”.

Assim ele o expressou no ato multitudinário e na presença do primeiro secretário do Partido Comunista de Cuba, Raúl Castro, um dos poucos sobreviventes dos assaltos aos quartéis Guillermo Moncada, Santiago de Cuba e Carlos Manuel de Céspedes, Bayamo, ocorridos em 26 de julho de 1953, gesta que é celebrada como o Dia da Rebeldia Nacional.

Em tal cenário o Presidente denunciou que Washington fecha cada vez mais o cerco em torno de Cuba, Venezuela e Nicarágua.
Remarcou que ignorantes da história e dos princípios da política exterior da Revolução cubana nos propõem negociar uma possível reconciliação em troca do nosso abandono do caminho escolhido e defendido por nosso povo, agora como antes. Nos sugerem trair os amigos, jogar no lixo 60 anos de dignidade.

Díaz-Canel afirmou que a Venezuela está cercada, roubada, assaltada literalmente com a aprovação ou o silêncio cúmplice de outras nações poderosas. E agregou: “o que é pior, com a vergonhosa colaboração de governos latino-americanos, é hoje o mais dramático cenário da crueldade das políticas do império em decadência que combina comportamentos de polícia do mundo com os de juiz supremo da aldeia global”.

Foi duro com o acionar da Organização de Estados Americanos (OEA): "cada vez mais desprestigiada e servil", pronta a estender o tapete vermelho à possibilidade de uma intervenção militar no país sul-americano.

Isso ocorreu quando o Comando Sul do Pentágono reconheceu os voos de espionagem sobre o território venezuelano, sobre os quais governos como o do Peru, Brasil, Argentina, Colômbia e outros do chamado Grupo de Lima, ficaram mudos.

Tais ações acontecem apesar do compromisso dos presidentes das nações que integram a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac) que, em reunião presidencial em Havana, em janeiro de 2014, concordaram em declarar a região como Zona de Paz.

Com desprezo absoluto  pelo que um dia foi a mais sagrada conquista da comunidade de nações do planeta, a legalidade internacional, a atual administração estadunidense vive ameaçando a todos, inclusive aos seus sócios tradicionais e agredindo até seus servidores incondicionais, expressou a mandatário da maior das Antilhas que iniciou sua gestão em abril de 2018.

Díaz-Canel encabeçou então o relevo da geração que, de armas na mão, realizou a luta armada e fez triunfar a Revolução cubana em 1º de janeiro de 1959 sob a condução de seu líder histórico Fidel Castro.

O presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros sublinhou que Cuba não será distraída pelas ameaças e agressões de Washington.

Enfatizou que “há demasiados desafios que vencer e vamos a nos concentrar neles: em primeiríssimo lugar, a invulnerabilidade econômica e militar do país, o ordenamento jurídico, a derrota de quanto obstáculo interno e externo persista: seja o burocratismo, a insensibilidade ou a corrupção, que não podem ser aceitas no socialismo”.

E acrescentou que apesar da difícil conjuntura nas próximas semanas, o Governo anunciará novas medidas para promover o desenvolvimento econômico e o bem-estar da população. Estas decisões seguirão ao aumento salarial para o setor público, funcionários e aposentados, que somam mais de dois milhões e 700 mil pessoas.

Cuba resiste e vai por mais, concluiu Díaz-Canel na Praça da Pátria de Bayamo, cenário pletórico de história pátria. 


*Chefe da Redação Nacional da Prensa Latina.

Veja também

Comentários