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Colômbia: Eleição tem compra de voto, cidadão pressionado por empresa e publicidade ilícita

Ao todo, 3539 membros da Missão de Observação Eleitoral analisaram processo de votação em 467 municípios, além de 46 consulados de 19 países
Guilherme Ribeiro
ComunicaSul
Bauru (SP)

Tradução:

A Missão de Observação Eleitoral (MOE) divulgou há pouco o primeiro informe sobre as eleições presidenciais deste domingo (29), na Colômbia.

O comunicado apresenta informações coletadas por meio de observadores e também denúncias, recolhidas ao longo do dia em 467 municípios, além de 46 consulados de 19 países.

Segundo a MOE, foram registradas tentativas de compra de votos por meio da entrega direta de dinheiro.

Acompanhe as últimas notícias da corrida eleitoral no país em Eleições Colômbia 2022

Houve pressão de empresas para que colaboradores escolhessem candidatos específicos, além de limitações e restrições para que fossem votar, por parte dos empregadores.

A relação de irregularidades segue. Testemunhas eleitorais tiveram problemas para entrar nas assembleias de voto em ao menos cinco cidades, como Medellín e Bogotá.

Apesar da proibição de publicidade em dias de eleição, foram computadas, segundo a MOE, um total de 26 ilegalidades desse tipo em no mínimo 13 cidades. Entre as ações, então envio de mensagens de texto, ligações e propagandas nas proximidades das assembleias de voto, incluindo na entrada de consulados nos Estados Unidos.

O ofício relata ainda que, em apenas 13% das assembleias de voto observadas, os jurados eleitorais foram identificados com algum tipo de crachá de campanha. Em 62% das tabelas examinadas (245 municípios em 24 departamentos), não foram instaladas máquinas de identificação biométrica.

Houve transtornos também na fronteira com a Venezuela. A Guarda venezuelana bloqueou o acesso de duas pontes, Simón Bolívar e Francisco de Paula Santander, a colombianos que tentavam votar na Colômbia.


Diversidade, inclusão e igualdade

Pela primeira vez, a MOE realizou observações focadas em pessoas trans e pessoas com deficiência.

Dos 56 observadores trans, nenhum teve direito de voto negado, embora 22% tenham sido revistados irregularmente e 12% ouvido comentários discriminatórios. Levando em conta a totalidade das observações da MOE, foi constatado que, em 65% das mesas, não foram observadas peças informativas ou pedagógicas sobre as garantias das pessoas trans ao votar.

Ao todo, 3539 membros da Missão de Observação Eleitoral analisaram processo de votação em 467 municípios, além de 46 consulados de 19 países

Marcha Noticias
Em 245 municípios, não foram instaladas máquinas de identificação biométrica, segundo a MOE

Acerca das pessoas com deficiência encarregadas de observar o processo eleitoral – um total de 67 cidadãos -, todos puderam entrar nas assembleias de voto sem restrições. No entanto, em 29% dos locais de votação não foram observados servidores encarregados de orientar ou auxiliar pessoas com deficiência visual, auditiva, física ou intelectual.

Deve-se destacar ainda que, de todas as mesas analisadas, 70% tinham mulheres como presidentes.

A Missão de Observação Eleitoral contou com 3539 observadores, dos quais 97% foram autorizados a entrar nas assembleias de voto.

Confira o documento na íntegra em Primer informe Misión de Observación Electoral MOE – Medio Día.


* A reprodução deste conteúdo é livre, desde que citada a fonte e a lista de entidades e organizações que apoiam esta cobertura, como no rodapé a seguir.

Esta cobertura será feita pela Agência ComunicaSul graças ao apoio das seguintes entidades: da Associação dos/das Docentes da Universidade Federal de Lavras-MG, Federação Nacional dos Servidores do Poder Judiciário Federal e do MPU (Fenajufe), Confederação Sindical dos Trabalhadores/as das Américas (CSA), jornal Hora do Povo, Diálogos do Sul, Barão de Itararé, Portal Vermelho, Intersindical, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Sindicato dos Bancários do Piauí; Associação dos Professores do Ensino Oficial do Ceará (APEOC), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-Sul), Sindicato dos Bancários do Amapá, Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Sindicato dos Metalúrgicos de Betim-MG, Sindicato dos Correios de São Paulo, Sindicato dos Trabalhadores em Água, Resíduos e Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp Sudeste Centro), Associação dos Professores Universitários da Bahia, Sindicato dos Trabalhadores no Poder Judiciário Federal do RS (Sintrajufe-RS), Sindicato dos Bancários de Santos e Região, Sindicato dos Químicos de Campinas, Osasco e Região, Sindicato dos Servidores de São Carlos, mandato popular do vereador Werner Rempel (Santa Maria-RS), Agência Sindical, Correio da Cidadania, Agência Saiba Mais e centenas de contribuições individuais.

Guilherme Ribeiro é colaborador na Diálogos do Sul.



As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Guilherme Ribeiro Jornalista graduado pela Unesp, estudante de Banco de Dados pela Fatec e colaborador na Revista Diálogos do Sul.

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