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Entenda as greves e manifestações que exigem vida digna e fim da corrupção no Panamá

Jornada de protestos ao longo do país continua, apesar dos anúncios do presidente Cortizo de congelar o preço do combustível e de itens de cesta básica
Victoria Korn
CLAE / Centro Latino-Americano de Análise Estratégica
Cidade do Panamá

Tradução:

A promessa do presidente panamenho Laurentino Cortizo, de congelar os preços do combustível, não foi suficiente e os fechamentos de vias e manifestações em quase todas as províncias do país continuam há dez dias, em protesto não só pelo alto preço do combustível, como também devido ao aumento do custo de vida e ao manejo corrupto dos recursos do Estado pelo governo.

Depois de 11 dias de protestos, continuam a greve na educação, muitas vias interrompidas e descontentamento generalizado com o alto custo de vida, preço dos combustíveis e dos medicamentos, desperdício nos diferentes órgãos do Estado e corrupção.

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As organizações sociais exigem o “direito a uma vida digna” diante da crise econômica. Um mar de bandeiras encheu o centro da capital nesta terça-feira em meio a uma ampla mobilização nacional. Uma imagem que foi reproduzida de diferentes formas e simultaneamente por quase todas as províncias do país.

As manifestações surgem quando completam-se três anos do governo de Laurentino Cortizo, que implementa uma política de descarregar a crise sobre o povo panamenho e que, junto com os empresários, aproveitou a pandemia para deixar milhares de trabalhadores na rua com as demissões. Enquanto isso, os empresários aumentam todo dia os preços dos alimentos, dos medicamentos e dos serviços básicos.

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A longa jornada de protestos ao longo do país continua, apesar dos anúncios do presidente Cortizo de congelar o preço do combustível para autos particulares a 3.95 dólares o galão e da inclusão de 10 produtos da cesta básica sob controle de preços, que anteriormente sua administração tinha retirado dos preços regulados, mas sem considerar o alto custo dos medicamentos, apesar de ser uma das principais demandas dos movimentos sociais.

Jornada de protestos ao longo do país continua, apesar dos anúncios do presidente Cortizo de congelar o preço do combustível e de itens de cesta básica

CLAE
Nas manifestações ouvem-se cantos contra o que é considerado abusos de poder e as demonstrações de opulência dos parlamentares

Apesar do plano de austeridade, as manifestações prosseguem

O chamado “plano de austeridade” anunciado inclui 10 pontos: redução de 10% da planilha estatal (sem especificar se essa porcentagem é em número de funcionários ou em salários); um programa de saída voluntária de servidores do setor público; suspensão de aumentos salariais, salvo os estabelecidos por lei; restrição de assinaturas de novos telefones celulares.

Também inclui a proibição de viagens para assistir a congressos, estágios ou convites, exceto quando se trate da representação formal do país ou como membro de uma organização de caráter internacional. Neste ponto, o governo prometeu que “só serão autorizadas viagens ao exterior para missões oficiais”.

Entre as medidas também consta que nenhum ministro, vice-ministro, diretor ou subdiretor de uma entidade do Executivo poderá viajar ao exterior acompanhado por pessoal de protocolo ou equipe de imprensa, a menos que a natureza da missão oficial o requeira. E, ainda, que nenhum veículo oficial poderá abastecer nas sextas-feiras, e que os funcionários membros de juntas diretivas não receberão vale refeição nem diárias.

Os dez pontos, que na realidade apenas reconhecem as denúncias dos movimentos sociais, não os satisfazem. Tanto a Aliança Nacional pelos Direitos do Povo Organizado (Anadepo) como a Aliança Povo Unido – ambas coordenações nacionais que aglutinam diversos grupos docentes, estudantis, sindicais, indígenas, cívicos e comunitários – confirmaram que as manifestações continuarão.

País paralisado

As interrupções de estradas se intensificaram em Santiago, La Villa de Los Santos, Aguadulce, Penonomé, na capital, La Chorrera, Changuinola e Chiriquí e ganharam mais força quando os movimentos indígenas agrupados na Coordenação Nacional dos Povos Indígenas do Panamá se somaram às manifestações, fechando estradas em lugares como San Juan, Tolé, Viguí, San Félix, Ojo de Agua e Escudo, paralisando por completo o transporte de entrada e saída para a província de Chiriquí.

A greve nacional docente foi decretada por 72 horas, mas foi declarada indefinida depois de uma fracassada reunião entre os dirigentes dos professores e a ministra da Educação, Maruja Gorday. O protesto foi ganhando força nas ruas de quase todo o país, somando-se estudantes, indígenas, operários que se aglutinaram na Aliança Povo Unido pela Vida e na Aliança Nacional pelos Direitos do Povo Organizado (Anadepo), que em maio já apresentara um rol de 32 petições ao Executivo.

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Há descontentamento, há raiva no povo panamenho depois de 10 dias de crescentes manifestações em todo o país e de uma greve docente indefinida contra os preços galopantes do combustível e da cesta básica familiar e contra as políticas antioperárias do governo neoliberal de Laurentino Cortizo, e às políticas de ajuste que o governo vem aplicando com apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Na quarta-feira (6), aderiu aos protestos o poderoso sindicato panamenho da construção, Suntracs, com uma “greve de advertência” de 24 horas. Os trabalhadores do setor da construção demonstraram ser ponta de lança diante dos distintos ataques do anterior governo de Juan Carlos Varela e de seu sucessor Laurentino Cortizo, daí a importância da convocação desta greve.

Nas manifestações ouvem-se cantos contra o que é considerado abusos de poder e as demonstrações de opulência dos parlamentares, enquanto grande parte da população perdeu seus empregos devido à pandemia.

Por sua vez as câmaras empresariais, como a Associação Panamenha de Executivos de Empresas (Apede), exigiram do Governo que reprima as manifestações que ocorrem no país, alegando que os fechamentos de estradas como a Interamericana, que cruza o país e o conecta à América Central, vêm prejudicando os trabalhadores.

Enquanto isso, a Associação Panamenha de Hotéis (Apatel) afirma que as manifestações provocaram o adiamento dos planos de turistas nacionais e internacionais, limitando a entrada de divisas na economia do país. A Apatel afirmou que isto agrava a desocupação hoteleira que há anos afeta o setor turístico no país e representa “um prejuízo para a imagem internacional do Panamá”.

Victoria Korn é jornalista venezuelana, analista de temas da América Central e Caribe, associada ao Centro Latino-americano de Análise Estratégica (CLAE, www.estrategia.la).
Tradução de Ana Corbisier.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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