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Estado aparelhado, repressão, corrupção: ditadura na Guatemala é fato consumado

Presidente guatemalteco, Alejandro Giammattei, passa por cima do texto constitucional e transforma o Estado em uma cova de ladrões
Carolina Vásquez Araya
Diálogos do Sul Global
Cidade da Guatemala

Tradução:

Cegos de raiva e impotência, o presidente da Guatemala e suas hostes instaladas nas instâncias de poder abandonaram a dissimulação para lançar-se em picada – e com todo o arsenal jurídico em suas mãos – contra a imprensa desse país.

Já não há resquícios aonde esconder o medo que os domina cada vez que aparece nos meios uma denúncia dos seus descarados atos de corrupção e abuso. 

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Amparados por uma cúpula empresarial incapaz de medir o alcance de seus delitos, perseguem e assediam membros da imprensa tal e perseguem magistrados e promotores dignos e valentes, os quais apesar da intimidação e das ameaças foram capazes de investigar a fundo seus delitos. 

A instalação de uma ditadura na Guatemala não é uma teoria da conspiração. É um fato consumado. O mandatário, seus aliados no Congresso, seus acólitos no Ministério Público e seus cúmplices nas Cortes e no Tribunal Supremo Eleitoral, eliminaram as liberdades cidadãs e os direitos civis de uma população paralisada e incapaz de reagir.

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No meio desse panorama, não são muitos os valentes cuja lucidez os impulsa a agir de frente e, entre esses, mulheres e homens dedicados a divulgar a verdade dos fatos por meio de suas diferentes plataformas de comunicação. 

Em sua tentativa de emular a fúria ditatorial de seu colega nicaraguense, o presidente guatemalteco passou por cima do texto constitucional, transformando o Estado em uma cova de ladrões onde corre o dinheiro a mancheias para assegurar o fortalecimento de um pacto de corruptos que tem o país indo diretamente a converter-se no exemplo vivo da quebra moral de uma nação.

A manipulação das leis, a ameaça àqueles que tentam dizer a verdade e o suborno descarados dos congressistas e juízes não falam de poder, mas sim de uma covardia tal como para levá-los a lançarem-se – e sem medir as consequências – contra todo aquele valente que lhes apresenta oposição. 

Toda a podridão da administração pública – com sua rasteira submissão diante do crime organizado que lhes acaricia os bolsos com suas imensas fortunas – tem sua réplica nas ruas e nas estradas desse castigado país, onde os bandidos abrem passo a balaços contra uma população condenada ao silêncio.

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Os níveis de impunidade diante da criminalidade desatada em toda Guatemala respondem a uma espécie de pacto cuja meta é colocar na primeira magistratura aquele que continue com a linha traçada e evite, é claro, qualquer tentativa de levar os culpados diante de uma justiça capaz de agir com transparência. 

A perseguição contra a imprensa – incluído nela o trabalho de opinião editorial realizado por colunistas de distintos setores e ideologias – demonstra a debilidade destas estruturas criminais ancoradas nas instâncias públicas, mas sobretudo o desprezo pelo direito da população de ser informada – detalhadamente e com veracidade – sobre os atos de seus governantes.

A violação desse direito está claramente tipificada nas leis e na Constituição Política da República, em cujas páginas se garante aquilo que hoje pisoteiam: a liberdade de imprensa. 

Diminuir direitos constitucionais é um tiro no pé. Cedo ou tarde pagarão por isso. 

Carolina Vásquez Araya | Colaboradora da Diálogos do Sul na Cidade da Guatemala.
Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Carolina Vásquez Araya Jornalista e editora com mais de 30 anos de experiência. Tem como temas centrais de suas reflexões cultura e educação, direitos humanos, justiça, meio ambiente, mulheres e infância

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