Pesquisar
Pesquisar

EUA e Israel querem petróleo da Palestina; riqueza tem que ser do povo palestino

Em entrevista à TV Diálogos do Sul, a palestino-brasileira Amyra El Khalili fala sobre o “Acordo do Século” de Trump para avançar mais ainda sobre as terras árabes
Mariane Barbosa
Diálogos do Sul
São Paulo (SP)

Tradução:

* Atualizado em 18/05/21

A colonização israelense em terras palestinas acontece desde 1967 e, além dos impactos sociais, também traz impactos culturais muito graves. Desde então, o mundo todo tem observado o conflito entre Israel e Palestina, que ganhou um novo capítulo no fim de janeiro (27), quando o presidente estadunidense, Donald Trump anunciou o “Acordo do Século”.

Para propagandear o projeto, Trump recebeu em Washington o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e Benny Gantz, seu rival nas próximas eleições para tratar dos detalhes iniciativa que supostamente estabeleceria a paz no Oriente Médio, com um acordo entre árabes e israelenses.

“Não é só mercado, é controle. Controle hídrico, controle energético, controle alimentar. Há um jogo político por trás da combinação agropecuária, petróleo e água. E essa combinação precisa ser entendida como uma política geoeconômica”, diz.

Política geoeconômica que na visão de Amyra, também ocorre no processo de Acordo de Paz. “Israel é um Estado caro para o povo judeu. E quando levanta o muro, acaba se isolando também do mundo e de todas as possibilidades econômicas e financeiras que o próprio Israel poderia se beneficiar e faz o movimento ao contrário.”

Em entrevista à TV Diálogos do Sul, a palestino-brasileira Amyra El Khalili fala sobre o “Acordo do Século” de  Trump para avançar mais ainda sobre as terras árabes

Vanessa Martina Silva
O jornalista e editor da revista Paulo Cannabrava Filho e a beduína palestino-brasileira, economista e ativista ambiental Amyra El Khalili

Petróleo

Como já noticiado, a proposta de Trump favorece apenas um lado, o de Israel, já que autoriza o país a avançar mais ainda sobre as terras árabes palestinas. Para ilustrar melhor os interesses por trás desse acordo, a TV Diálogos do Sul convidou a beduína palestino-brasileira, economista e ativista ambiental Amyra El Khalili para falar sobre o atual sofrimento do mundo árabe com as agressões imperialistas dos EUA e de Israel acerca do petróleo palestino.

Amyra El Khalili explica que toda a Faixa de Gaza, território disputado pelos dois povos, é rica em petróleo. “Temos ali um problema não só de conflito pela posse da terra, mas também de cultura e adaptação aquela região, que é árida e difícil. Petróleo é uma riqueza que tem que ser administrada pelos palestinos, porque é do povo palestino”, defende a economista.

“O vale do Jordão é onde nascem as águas da região. Então Israel ocupa esse lugar, justamente porque é ali que nascem os mananciais de água”, diz ao explicar a escassez de água na região. 

“Em todo o Oriente Médio, tem petróleo, mas não tem água. […] Onde não há água, não é possível desenvolver a produção agropecuária e agrícola”, esclarece Amyra ao apontar outro problema: “por isso, o Oriente Médio é altamente comprador de carne do Brasil e também de agricultura e material industrializado na Europa”.

“O que acontece é uma questão geopolítica. Israel é considerado enclave militar por conta do Oriente Médio, por conta do petróleo. O petróleo é a matriz energética dos países do norte, da Europa, e o petróleo dele custa caro pra todos nós. Além do problema ambiental, o petróleo custa vidas para o povo árabe, custa vidas para o povo africano, custa vidas pro povo brasileiro e vai custar vidas indígenas na região Amazônica”, destaca.

Ela aponta ainda que, “institucionalmente, o que Trump está fazendo com esse acordo é legitimar o que ele já vem fazendo na ilegalidade todos esses anos”. “Ele está querendo dar legalidade para algo que é imoral, que são assassinatos e crimes que eles [Israel] vêm cometendo todos esses anos contra o povo palestino”.

América Latina

A economista ressalta que é preciso quebrar a “barreira de exportação” existente entre Oriente Médio e América Latina, para que não ocorra intermediação por parte dos EUA ou Europa. 

“Não interessa nem para a Europa e nem para os Estados Unidos essa aproximação entre o mundo árabe e mundo latino-americano”, afirma, ao lembrar que a aproximação diplomática já ocorreu em governos anteriores.

* Ao contrário do que dissemos anteriormente, a ocupação começou em 1967 após a Guerra dos Seis Dias.

Confira a íntegra da entrevista:

 

Se você chegou até aqui é porque valoriza o conteúdo jornalístico e de qualidade.

A Diálogos do Sul é herdeira virtual da Revista Cadernos do Terceiro Mundo. Como defensores deste legado, todos os nossos conteúdos se pautam pela mesma ética e qualidade de produção jornalística.

Você pode apoiar a revista Diálogos do Sul de diversas formas. Veja como:


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Mariane Barbosa

LEIA tAMBÉM

Netanyahu
Pouco há para comemorar na decisão da Corte Penal Internacional contra Netanyahu
Nationale Sozialisten,Demonstration,Recht auf Zukunft,Leipzig,17
Conluio da extrema-direita realizado em Madri é só a ponta do iceberg
EUA-fentanil
A DEA, a ofensiva contra o México, o fentanil e os mortos por incúria
Wang-Wenbin-China
China qualifica apoio dos EUA a separatismo em Taiwan como “grave violação” e exige retratação