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EUA iniciam julgamento do policial acusado de executar George Floyd há 10 meses

Começa o julgamento do policial acusado do homicídio de George Floyd, caso que detonou movimentos de protesto contra o racismo e violência policial
David Brooks
La Jornada
Nova York

Tradução:

O julgamento do policial Derek Chauvin. acusado de há 10 meses ter assassinado o afro-estadunidense George Floyd ao ajoelhar sobre seu pescoço, ação que detonou protestos em massa em todo o país, começou nesta segunda-feira em um tribunal em Minneapolis, transmitido ao vivo,  com uma audiência nacional seguindo o processo – “o mundo inteiro está observando” afirmou Ben Crump, o advogado da família Floyd

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O ex-policial de Minneapolis, Derek Chauvin, está sendo acusado de assassinato do afro-estadunidense George Floyd ao ajoelhar-se sobre seu pescoço durante 9 minutos e 29 segundos, tudo gravado em vídeo.

“Podem crer em seus olhos, é um homicídio, é um assassinato”

“Podem crer em seus olhos, é um homicídio, é um assassinato”, argumentou ante o júri o promotor Jerry Blackwell ao mostrar o famoso vídeo como parte de sua apresentação inicial do caso. Os promotores apresentaram também suas primeiras testemunhas.  

Começa o julgamento do policial acusado do homicídio de George Floyd, caso que detonou movimentos de protesto contra o racismo e violência policial

Agência Brasil
Em Minneapolis manifestantes se congregaram fora do edifício do tribunal

Versão da defesa

Os advogados defensores iniciaram com argumentos de que Floyd morreu por uma overdose de drogas e uma condição cardíaca, e começaram a apresentar evidências que segundo eles oferece outra versão do que mostra o vídeo central do caso. 

Floyd, de 46 anos de idade, morreu em 25 de maio de 2020 ao ser algemado e posto no chão sob o joelho de Chauvin. O forense concluiu que sua morte foi um homicídio provocado por uma combinação do uso excessivo de força, mas também pela presença de fentanila e metanfetaminas no sistema de Floyd.

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O vídeo do incidente gerou protestos contra o racismo sistêmico e a violência policial em mais de 150 cidades, alimentando o movimento de justiça racial já existente, conhecido como Black Lives Matter, que chegou a ser um movimento social de dimensões sem precedentes na história do país ao longo do último ano.

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O policial foi demitido pelo Departamento de Polícia junto com outros três agentes que estavam presentes no incidente – os quais serão julgados separadamente. O governo da cidade de Minneapolis negociou o pagamento de 27 milhões de dólares à família Floyd para resolver uma demanda civil na semana passada.

“Chauvin está no tribunal, mas os EUA estão sendo julgados para ver se chegamos a um lugar onde podemos fazer que a polícia responda se violar a lei” – Al Sharpton

O julgamento será observado em todo o país, enquanto em Minneapolis manifestantes se congregaram fora do edifício do tribunal e foram instaladas barreiras em torno de edifícios de governo no centro da cidade, juntamente com a presença de elementos da Guarda Nacional e da polícia estadual. 

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Chauvin está no tribunal, mas os EUA estão sendo julgados para ver se chegamos a um lugar onde podemos fazer que a polícia responda se violar a lei, afirmou o reverendo Al Sharpton, um líder dos direitos civis, diante de manifestantes e da mídia em frente ao prédio do tribunal.

David Brooks, correspondente do La Jornada em Nova York,

La Jornada, especial para Diálogos do Sul — Direitos reservados.

Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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David Brooks Correspondente do La Jornada nos EUA desde 1992, é autor de vários trabalhos acadêmicos e em 1988 fundou o Programa Diálogos México-EUA, que promoveu um intercâmbio bilateral entre setores sociais nacionais desses países sobre integração econômica. Foi também pesquisador sênior e membro fundador do Centro Latino-americano de Estudos Estratégicos (CLEE), na Cidade do México.

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