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Fidel, uma história que não pode ser escrita com palavras

Revista Diálogos do Sul

Tradução:

Perdemos Fidel. Ganhamos uma história de exemplos e de sabedoria.

João Pedro Stedile*

Por Guilherme Santos/Sul21A história de Fidel é indescritível, não podemos descrever apenas com palavras. Então gostaria apenas de dar um testemunho.

fidelcastro(1)Ele usou toda sua sabedoria, conhecimentos, liderança e dedicação para construir, ao longo de 60 anos, um povo unido e organizado, que se transformou imbatível, enfrentando as forças econômicas e militares mais poderosas do século 20: o capital dos Estados Unidos.

Durante todos esses anos, o povo soube enfrentar as piores adversidades, seja da natureza, nos seus furacões, vendavais e nas perdas de colheita. Enfrentou um bloqueio econômico inaceitável. Enfrentou uma guerra permanente, inclusive com uma invasão militar em 1961 na Baía dos Porcos.

Enfrentaram as dificuldades de uma sociedade com limites na produção de bens materiais, uma herança colonial de extrema desigualdade, do trabalho escravo, da monocultura da cana e da subserviência cultural.

Enfrentaram os piores momentos de um país periférico, dependente da geopolítica mundial.

Venceram todas as batalhas.

Construíram uma sociedade que busca intensamente a igualdade de direitos e oportunidades entre todos os cidadãos.

Derrotaram a ignorância e se transformaram no país de maior índice de escolaridade do mundo.

Produziram uma medicina preventiva, humanitária e solidária que enviou mais de 60 mil médicos a quase todos países do mundo, superando todos os países e organismos internacionais juntos. E nos enviaram 14 mil médicos para que 44 milhões de brasileiros pudessem conhecer pela primeira vez atendimento médico preventivo e de qualidade.

Foram sempre solidários com todos os povos do mundo que lutaram contra a opressão e exploração, sobretudo na América latina e na África.

Nosso movimento, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), recebeu a solidariedade permanente e o apoio do povo cubano, com suas escolas técnicas, na Escola Latino-americana de Medicina (Elam), onde se formaram centenas de jovens pobres brasileiros. Recebeu a experiência e o método de alfabetização de adultos (Sim, eu posso!). Construímos juntos as articulações internacionais de movimentos: Via campesina; Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (Alba); Encontro Mundial com o Papa; com os camponeses cubanos da Associação Nacional de Pequenos Agricultores (Anap) e seus técnicos de agroecologia da Associação Cubana de Técnicos Agrícolas e Florestais (ACTAF); com a Central de Trabalhadores de Cuba (CTC); o Centro Martin Luther King, etc. Mas, sobretudo, aprendemos muito com seu exemplo de luta e de persistência.

Participamos ativamente com o povo cubano da campanha anti-Alca (Área de Livre Comércio das Américas ) e contra o domínio do império sobre a América latina.

E Fidel foi sempre o organizador e inspirador de todo o povo.

Não cabe aqui, agora, ficar enaltecendo as qualidades pessoais dessa figura ímpar, de estadista, sábio e estrategista político.

Queria apenas reforçar para nossa militância o seu exemplo em dois aspectos fundamentais da vida.

O amor ao estudo.

Fidel foi um propagandista permanente da importância do estudo, do conhecimento científico, da educação libertadora. Estudou sempre, desde jovem até seus últimos dias. Afirmava sempre: “Só o conhecimento liberta verdadeiramente as pessoas!”, repetindo o seu inspirador José Martí.

Esteve sempre junto, com seu povo, em todos os momentos, sendo o primeiro da fila, em todas as situações de dificuldades: na guerra, na organização da produção e do conhecimento. Não mediu esforços e deu exemplo do espírito de sacrifício.

Fidel foi um homem genial, por suas ideias e sua coerência.

Nos deixou um legado fantástico, como exemplo a seguir.

Viva Fidel! Fidel viverá para sempre!

*Da agência Brasil de Fato


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.

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