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Imagem: Reprodução

Indicada por Petro, nova Procuradora-Geral da Colômbia dá pavor na extrema-direita

Luz Adriana Camargo tem longa trajetória no poder judiciário e obteve 18 votos para ser eleita, dois a mais do que a maioria qualificada necessária
Jorge Enrique Botero
La Jornada
Bogotá

Tradução:

Beatriz Cannabrava

A nova Procuradora-Geral da Colômbia, Luz Adriana Camargo, advogada especializada em direito criminal e grande protagonista dos processos que revelaram os vínculos entre políticos tradicionais e paramilitares de extrema-direita, fazia parte de uma lista apresentada pelo presidente Gustavo Petro à CSJ em agosto do ano passado. Sua eleição se deu após três tentativas falidas do alto tribunal, em meio a um clima de alta tensão política derivada do que a oposição chamou de “pressões indevidas” do presidente Petro.

Fruto da Constituição de 1991 e com uma vasta equipe em boa parte do território nacional, a Procuradoria é considerada por analistas locais um dos cargos mais poderosos e cobiçados do país. Até agora, muitos dos ocupantes deste cargo foram próximos ao presidente em exercício e ligados a grandes conglomerados econômicos.

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Não são poucas as acusações que pesam contra ex-procuradores que usaram seu cargo para favorecer políticos reconhecidos, funcionários públicos e empresários acusados de graves violações dos direitos humanos e atos de corrupção, enquanto montavam esquemas para prejudicar porta-vozes de esquerda ou líderes sociais e populares.

A nova procuradora, que tem uma longa trajetória no poder judiciário, obteve 18 votos, dois a mais do que a maioria qualificada necessária para ser eleita pelos 23 membros do alto tribunal, que foram surpreendidos esta manhã com a renúncia de outra das aspirantes, Amelia Perez, envolvida em um truculento drama midiático.

Trajetória da nova procuradora-geral

Na carreira de Luz Adriana Camargo, destaca-se seu papel na Comissão Internacional contra a Impunidade na Guatemala, onde trabalhou junto ao atual ministro da Defesa da Colômbia, Iván Velázquez.

Sua proximidade com Velázquez lhe valeu a desqualificação dos setores da direita, que advertem sobre supostas intenções de “vingança e retaliação”, alertando que ela será “uma procuradora de bolso” do presidente Petro.

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O chefe de Estado colombiano respondeu em fevereiro passado às denúncias sobre supostos ataques à justiça por parte de manifestantes que cercaram o prédio da CSJ, assegurando que “a única parte que ataca a justiça aqui é a extrema-direita, que teme a chegada de uma procuradora decente”.

Alguns dias depois, Petro definiu suas candidatas a procuradoras como “mulheres valentes e honestas, com grande experiência jurídica”, sublinhando que “é fundamental que essas pessoas não estejam vinculadas ao crime”.

Luz Camargo substitui Francisco Barbosa

O mandatário acusou o promotor que está saindo, Francisco Barbosa – proposto em seu momento por Iván Duque – de ter facilitado “uma tomada mafiosa da Procuradoria” e de orquestrar um plano para tirá-lo do poder através do que chamou de “uma ruptura institucional”.

A décima Procuradora Geral da Colômbia, de 59 anos, disse durante suas exposições perante a CSJ que, se fosse eleita, trabalharia para dar um enfoque mais territorial ao trabalho dos promotores e dedicaria seu maior esforço para erradicar a corrupção.

Embora sua nomeação tenha sido bem recebida pela maioria dos partidos políticos, as forças de extrema direita, através de seu porta-voz, Miguel Turbay, reafirmaram seu temor de que “a justiça seja utilizada para fazer política”.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Jorge Enrique Botero Jornalista, escritor, documentarista e correspondente do La Jornada na Colômbia, trabalha há 40 anos em mídia escrita, rádio e televisão. Também foi repórter da Prensa Latina e fundador do Canal Telesur, em 2005. Publicou cinco livros: “Espérame en el cielo, capitán”, “Últimas Noticias de la Guerra”, “Hostage Nation”, “La vida no es fácil, papi” y “Simón Trinidad, el hombre de hierro”. Obteve, entre outros, os prêmios Rei da Espanha (1997); Nuevo Periodismo-Cemex (2003) e Melhor Livro Colombiano, concedido pela fundação Libros y Letras (2005).

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