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Na Espanha, ultradireitista Vox fracassa em processo para derrubar governo de Sánchez

Partido opositor apresentou moção de censura mesmo consciente de que não tinha os apoios suficientes
Armando G. Tejeda
La Jornada
Madri

Tradução:

O partido de extrema direita Vox fracassou na moção de censura apresentada ante o Congresso dos Deputados da Espanha para derrocar o atual governo de coalizão, presidido pelo socialista Pedro Sánchez, e que tem como associado a formação de esquerda Unidas Podemos (UP).

Depois de dois dias de debate, no qual não se duvidou da continuidade do atual Executivo, a iniciativa foi votada: 201 votos contra, 53 a favor e 91 abstenções. 

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Vox, em uma ofensiva política qualificada por muitos analistas como “excêntrica” e até “absurda”, apresentou esse recurso consciente de que não tinha os apoios suficientes.

Ainda assim, postulou como “candidato” para a chefia do governo o ex-professor universitário de economia, ex-militante do Partido Comunista e anti franquista, Ramón Tamames, de 89 anos, com a intenção de obter mais apoio. 

Durante o debate, Tamames apresentou o que em teoria seria o seu programa de governo, que foi amplamente contestado por Sánchez, que empregou mais de três horas em suas duas intervenções. 

Partido opositor apresentou moção de censura mesmo consciente de que não tinha os apoios suficientes

Foto de Congreso de los Diputados
Santiago Abascal, líder do partido de ultradireita Vox




Representação governamental

Em representação do governo, também tomou a palavra a segunda vice-presidenta, Yolanda Díaz, a qual aproveitou a ocasião para impulsionar sua candidatura à frente do bloco de esquerda emergente que aspira substituir a UP, que como marca eleitoral está em decadência, nas vésperas de serem celebradas eleições municipais e regionais, no próximo 28 de maio e as legislativas, previstas para o final do ano. 

Esta votação só constatou que o Vox somou um deputado mais à sua causa – à margem dos 52 de seu grupo –, e foi Pablo Cambronero, um ex-líder do Ciudadanos.

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A coalizão de governo se manteve unida à sua continuidade ante esta ameaça, da mesma forma que o resto de seus sócios parlamentares, como os nacionalistas bascos e catalães, apesar das grandes diferenças que persistem em assuntos importantes, como a futura lei de moradia, a derrogação da lei de mordaça ou as políticas públicas para conter o incremento da inflação. 

Finalmente, o direitista Partido Popular (PP) optou pela abstenção, da mesma forma que outros três deputados independentes. É a segunda vez que o Vox perde uma moção de censura contra o atual governo, cuja votação em outubro de 2020 o PP votou contra. 

No total, é a sexta moção apresentada desde a restauração da democracia na Espanha em 1976 e a quarta nos últimos seis anos. De todas elas, a única que saiu na frente e conseguiu derrubar o governo foi a realizada contra o ex-presidente Mariano Rajoy, em 2018, que foi justamente a que levou Pedro Sánchez ao poder.

Armando G. Tejeda | Correspondente do La Jornada em Madri.
Tradução: Beatriz Cannabrava.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Armando G. Tejeda Mestre em Jornalismo pela Jornalismo na Universidade Autónoma de Madrid, foi colaborador do jornal El País, na seção Economia e Sociedade. Atualmente é correspondente do La Jornada na Espanha e membro do conselho editorial da revista Babab.

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