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O plano da América Latina para desafiar o dólar com uma nova moeda

O marco se baseia em uma proposta feita pelo presidente eleito do Brasil, Lula da Silva , que prometeu, antes de ganhar as eleições de outubro, que “vamos criar uma moeda na América Latina” para “libertar-nos do dólar”.
Ben Norton-Multipolarista
CLAE / Centro Latino-Americano de Análise Estratégica
Buenos Aires

Tradução:

O dólar estadunidense é utilizado na maior parte do comércio internacional, e sua condição de moeda de reserva global outorga aos Estados Unidos um “ privilégio exorbitante ” que sustenta seu domínio geopolítico e econômico. Mas a oposição à hegemonia de Washington cresce no mundo todo. As instituições de integração euroasiática estão propondo suas próprias moedas e sistemas de pagamento. A América Latina também tem planos ambiciosos para pôr fim a sua dependência do dólar estadunidense.

O destacado economista Andrés Arauz, um líder de esquerda que esteve perto de ganhar as eleições presidenciais do Equador em 2021, publicou um plano para uma “nova arquitetura financeira regional” para unir a América Latina, desafiando a hegemonia do dólar e as instituições dominadas por Washington, como o Fundo Monetário Internacional.

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Seu plano se concentra na criação de uma nova moeda regional para as transações internacionais, evitando assim o dólar. O marco se baseia em uma proposta feita pelo presidente eleito do Brasil, Lula da Silva , que prometeu, antes de ganhar as eleições de outubro, que “vamos criar uma moeda na América Latina” para “libertar-nos do dólar”.

Espera-se que a moeda se chame Sul («sur» em espanhol); seria supervisionada por um recém criado Banco Central do Sul (Banco Central del Sur). Para fazer tudo isso, Arauz aconselhou Lula a reviver e fortalecer as instituições de integração regional existentes, como a União de Nações Sulamericanas (UNASUL e o Banco do Sul, que foram solapadas pelos golpes de estado apoiados pelos Estados Unidos e pelo ascenso dos governos de direita.

O objetivo é “harmonizar os sistemas de pagamento” dos países que integram a UNASUL para “realizar transferências interbancárias para qualquer banco na região em tempo real e a partir de um celular”, explicou Arauz.

O economista equatoriano também insistiu em que a América Latina deve rejeitar o Fundo Monetário Internacional (FMI) dominado pelos Estados Unidos e trabalhar com a África para criar alívio da dívida e novas oportunidades econômicas.

O marco se baseia em uma proposta feita pelo presidente eleito do Brasil, Lula da Silva , que prometeu, antes de ganhar as eleições de outubro, que “vamos criar uma moeda na América Latina” para “libertar-nos do dólar”.

Marcos Santos/USP
Não é a primeira vez que se fala em uma nova moeda para competir com o Dolar

Dólar estadunidense utilizado em 96% do comércio nas Américas

Tanto Lula como Arauz deixaram claro que o Sul não substituiria as moedas locais, como o euro da União Europeia. Os países da América Latina ainda teriam suas próprias moedas nacionais, razão pela qual poderão seguir uma política monetária soberana.

A ideia é utilizar o Sul para o comércio bilateral entre países, em vez do dólar. A proposta é muito popular na América Latina, posto que é a região do mundo mais dependente do dólar estadunidense. O dólar foi utilizado em 96% das transações comerciais entre países das Américas entre 1999 e 2019, segundo a Reserva Federal.

A criação da moeda Sul poderia mudar isto de maneira fundamental.

Só moeda latino-americana vai poder defender região de possíveis sanções dos EUA

A economia combinada da América Latina é quase a metade da economia dos EUA.

A maior parte do comércio nas Américas está dominada pelos Estados Unidos, que tem a segunda maior economia do mundo (depois da República Popular da China, quando se mede com a paridade do poder aquisitivo).

O PIB dos Estados Unidos é de aproximadamente $ 23 trilhões, enquanto que o do Canadá é de quase $ 2 trilhões.

Frequentemente informa-se que o PIB nominal da América Latina e do Caribe é de cerca de $ 5,5 trilhões, segundo dados do Banco Mundial, e que as três maiores economias da região são Brasil ($ 1,6 trilhões), México ($ 1,3 trilhões) e Argentina ( $ 491 bilhões).

Mas as medições do PIB nominal podem ser enganosas e só reforçam a hegemonia do dólar estadunidense. Uma medida muito mais precisa do PIB, a paridade do poder aquisitivo (PPA), considera o custo de vida em cada país respectivo.

Ajustado de acordo com as medidas de PPA , o cálculo mais preciso do PIB da América Latina e do Caribe é na realidade de $11,4 trilhões, com Brasil em $3,4 trilhões, México em $2,6 trilhões e Argentina em $1,1 trilhão. O que mostra que as economias combinadas da América Latina e do Caribe representam quase a metade do tamanho da economia estadunidense.

A região também é muito rica em recursos naturais, inclusive petróleo, minerais e agricultura. Se a América Latina pudesse unificar-se com suas próprias instituições financeiras independentes, teria um enorme potencial econômico.

O (abortado) nascimento do Banco do Sul

O vasto potencial econômico da América Latina foi reconhecido durante muito tempo pelos líderes anti-imperialistas de esquerda da região.

Na década de 2000, os presidentes de esquerda da Venezuela (Hugo Chávez), Brasil (Lula da Silva), Argentina (Néstor Kirchner e Cristina Fernández de Kirchner), Bolívia (Evo Morales), Equador (Rafael Correa) e Paraguai (Fernando Lugo) fizeram planos para criar instituições financeiras alternativas para desafiar o Banco Mundial e o FMI dominados pelos Estados Unidos.

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O Banco Mundial e o FMI têm um histórico de mergulhar os países do Sul Global em uma dívida odiosa e impagável e, posteriormente, impor programas neoliberais de «ajuste estrutural» que obrigam os governos a implementar políticas de austeridade sufocantes que beneficiam as corporações estadunidenses.

Seguindo a visão do presidente revolucionário da Venezuela, Hugo Chávez, os líderes de esquerda da América Latina concordaram em criar um banco destinado à unidade regional, chamado Banco do Sul. Chávez, Lula, os Kirchner, Morales e Correa se reuniram na Argentina em 2007 e assinaram um tratado criando oficialmente o banco.

Mas o lançamento do Banco do Sul se atrasou.

Em 2009, os líderes destes países reuniram-se novamente para a Cúpula África-América do Sul (ASA) na Venezuela, onde prometeram um capital inicial combinado de $ 20 bilhões. No entanto, estes planos nunca se realizaram.

Vários governos de esquerda na América Latina foram desestabilizados e derrubados em uma série de brutais ataques geopolíticos empreendidos pelos Estados Unidos e pelas oligarquias de direita, a saber, vários golpes patrocinados pelos Estados Unidos: um golpe militar em Honduras em 2009, um golpe judiciário no Paraguai em 2012, golpe interno no Equador em 2017, golpes brandos no Brasil em 2016 e 2018, e golpe violento na Bolívia em 2019, assim como numerosas tentativas de golpe frustrados na Venezuela e na Nicarágua.

Estes ataques dos Estados Unidos e o subsequente aumento da direita também levaram à sabotagem de outro instrumento chave da integração regional, a União de Nações Sul americanas (UNASUL). Embora o Banco do Sul estivesse destinado a integrar economicamente a região, a integração política foi supervisionada pela UNASUL. A UNASUL foi criada formalmente em um tratado de 2008 e tornada oficialmente operativa em 2011.

Mas enquanto Washington preparava outra tentativa de golpe contra a Venezuela, em 2018 e 2019, os líderes direitistas do Brasil, Argentina, Colômbia, Chile, Peru e Paraguai coordenaram-se para retirar-se da UNASUL, deixando a instituição muito frágil.

Outra importante instituição regional criada paralelamente ao Banco do Sul e à UNASUL foi a ALBA: a Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alianza Bolivariana para los Pueblos de Nuestra América).  Venezuela e Cuba formaram a ALBA em 2004 como uma aliança econômica de governos de esquerda na América Latina e no Caribe.

“Sul”, a moeda defendida por Lula para eliminar dependência do dólar na América Latina

A ALBA criou sua própria moeda para o comércio interestatal da região. Adotada em 2009, foi denominada Sucre: o “Sistema Único de Compensação Regional”. (Este acrônimo também faz referência ao revolucionário sulamericano Antonio José de Sucre, que se uniu ao general Simón Bolívar na luta anticolonialista contra o império espanhol no princípio do século XIX).

Em seu apogeu, a ALBA reuniu Venezuela, Cuba, Nicarágua, Bolívia, Equador e Honduras em um bloco comercial, tendo utilizado o Sucre em mais de $ 1 bilhão no comércio bilateral em 2012.

O sonho de Chávez de unificar a região viu-se prejudicado por sua morte prematura em 2013, e o que veio a seguir foi uma guerra econômica devastadora dos Estados Unidos contra a Venezuela, que incluiu uma queda artificial das matérias primas propiciada pelos Estados Unidos em 2014, várias tentativas de golpes violentos apoiados por Washington, imposição de duras sanções que escalaram gradualmente até um embargo no estilo de Cuba, e a tentativa de Donald Trump de instalar pela força o líder golpista não eleito Juan Guaidó como suposto “presidente interino”.

A esquerda volta a levantar-se na América Latina

Apesar dos revezes da década anterior, em 2022 a esquerda volta a crescer na América Latina. Pela primeira vez na história, os sete países mais povoados da região são governados por líderes de esquerda (Brasil, México, Colômbia, Argentina, Peru, Venezuela e Chile).

Os governos direitistas profundamente pró estadunidenses da Colômbia sempre foram um espinho na garganta da pátria grande (o projeto de unidade latino-americana). Mas isso mudou com a eleição em junho do primeiro presidente de esquerda da Colômbia: Gustavo Petro.

Ao reconhecer o potencial deste momento histórico para conseguir uma verdadeira unidade regional, o líder esquerdista do Equador, Andrés Arauz, apresentou um plano para a integração não só política, mas também econômica. Arauz pediu a reativação tanto da UNASUL como do Banco do Sul, fortalecendo-os ainda mais com um novo Banco Central do Sul (Banco Central del Sur).

Arauz é um emérito economista. Passou mais de uma década trabalhando no banco central do Equador, às vezes como seu diretor geral. Atualmente está completando seu doutorado em economia financeira.

Sob o expresidente socialista do Equador, Rafael Correa, Arauz foi ministro do Conhecimento e Talento Humano.

Desde então, tornou-se uma figura destacada no movimento esquerdista correísta do Equador, continuando a “Revolução Cidadã” lançada por Correa.

Arauz foi candidato do correísmo nas eleições presidenciais de 2021. Ganhou o primeiro turno de forma esmagadora, mas perdeu no segundo turno com 47,6% dos votos contra 52,4% do atual presidente do Equador, Guillermo Lasso, um banqueiro multimilionário de direita, conhecido por sua corrupção.

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Embora não esteja formalmente no cargo, Arauz foi assessor econômico de políticos de esquerda na região. É cofundador do Grupo de Puebla, um fórum político que reúne as forças progressistas da América Latina. Também é membro do conselho da Internacional Progressista.

Lula da Silva, que governou o Brasil de 2003 a 2010, está estreitamente aliado a ambas as organizações. Isto torna provável que Arauz seja de alguma maneira assessor do novo governo brasileiro.

Em 2020, Lula publicou um artigo no site web da Progressive International, intitulado “Por um mundo multipolar”. Nele, o líder da esquerda brasileira disse que busca “a criação de um mundo multipolar, livre de hegemonia unilateral e de confronto bipolar estéril”.

Durante sua campanha presidencial, em um comício em maio de 2022, Lula prometeu: “Vamos criar uma moeda na América Latina, porque não podemos continuar dependendo do dólar”. Lula ganhou as eleições presidenciais de 30 de outubro e voltará a ser chefe de Estado do maior país da América Latina em 1º de janeiro de 2023.

Reativar o Banco do Sul e a UNASUL com a nova moeda regional, o ‘Sul’

Em resposta à vitória eleitoral de Lula, Arauz redigiu um plano que descreve os passos que o Brasil pode dar para ajudar a desenvolver “uma nova arquitetura financeira regional”. O artigo, publicado no site web pan latinoamericano NODAL, é um guia que Lula pode seguir quando assumir a presidência.

“A meta: que em 1º de janeiro de 2023, na tomada de posse de Lula, sejam assinados os tratados para a nova UNASUL”, escreveu Arauz.“Devemos por em funcionamento o Banco do Sul e assinar o tratado de fundação do Banco Central do Sul e do Sul, a moeda regional – além das moedas nacionais – proposta pelo presidente Lula”, acrescentou. “O passo inicial deve ser imediato”, ressaltou Arauz.

O sistema buscará “harmonizar os sistemas de pagamento da UNASUL para realizar transferências interbancárias para qualquer banco dentro da região em tempo real e de um celular”, explicou. Banco-del-Sur-Logo (1) – NODAL

Arauz advertiu que estas ações devem ser implementadas com prontidão y rapidez, porque “a janela de oportunidade política situa-se entre janeiro e setembro de 2023, data das eleições primárias na Argentina”.

A oposição direitista argentina, que é muito mais pró estadunidense e partidária da hegemonia do dólar e da economia neoliberal, poderá ganhar estas eleições, o que desarticularia o projeto de unidade regional.

Arauz advertiu: “Não podemos ceder esta histórica janela de oportunidade à lenta inércia das chancelarias e ao atraso do malinchismo”, termo pejorativo que se refere às pessoas na América Latina que sentem autodesprezo por suas próprias sociedades e interiorizaram o complexo de inferioridade do imperialismo cultural.

“Os presidentes progressistas devem criar um canal imediato de comunicação entre eles, enfatizou. “A vontade política está aí, não há tempo a perder”. Se a América Latina consegue criar esta “nova arquitetura financeira regional”, argumentou o economista equatoriano, poderia “dar um respiro à Argentina”.

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A Argentina enfrentou uma profunda crise econômica, causada em grande parte pela dívida impagável e odiosa que tem com o FMI , depois que o anterior governo direitista de Buenos Aires obteve o maior empréstimo na história do fundo.

Arauz foi um crítico acerbo do FMI. Em seu artigo, disse que a América Latina deveria adotar “ações coletivas para anular retroativamente os encargos ilegais do Fundo Monetário Internacional (FMI)”.

Os encargos do FMI são pagamentos de juros adicionais que a instituição financeira dominada pelos Estados Unidos impõe aos países prestatários que lhe devem grandes somas.

O Projeto Bretton Woods indicou que “as organizações da sociedade civil, os especialistas em direitos humanos e outros argumentaram que os encargos efetivamente discriminam e castigam os países que mais necessitam da assistência do FMI”.

Arauz propôs que, para anular estes encargos do FMI, “se for necessário”, a América Latina e a África proponham uma resolução na Assembleia Geral das Nações Unidas. Acrescentou que a América Latina deve trabalhar junto com a África para exigir que os Estados Unidos lhes outorgue direitos especiais de giro do FMI para ajudar suas economias. A região poderia então “reciclar” estes direitos especiais de giro para ajudar a Argentina, disse Arauz.

O economista equatoriano também escreveu que a UNASUL poderia tentar que parte do capital que foge da região para os Estados Unidos regresse a seus países de origem, invocando o artigo VIII.2.b do acordo de fundação do FMI. Arauz também ofereceu assessoria econômica para os assuntos internos do Brasil.

Lula deveria “desfazer a privatização de fato do Banco Central do Brasil implementada” pelo atual presidente de extrema direita Jair Bolsonaro, e “rearticular o Banco Central do Brasil na linha do desenvolvimento, da integração e da democracia”, escreveu.

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“É muito difícil poder cumprir as metas de erradicação da fome e da reindustrialização de que necessita o povo brasileiro se tem um banco central que boicota isso permanentemente”, acrescentou Arauz.

Mostrou que o banco central da Colômbia já tomou medidas para opor-se às reformas propostas pelo novo presidente de esquerda, Gustavo Petro. Mas para Arauz “esta onda de integração regional não pode ficar só em nível de presidentes; deve ser uma verdadeira integração dos povos”.

“Isso implica uma participação profunda dos movimentos sociais de toda a região, mas sobretudo, benefícios imediatos e tangíveis para a população”, ressaltou.

“Também implica em dar um tratamento preferencial aos países menores”, acrescentou Arauz. “A liderança do presidente Lula é crucial para unir os países com distintas orientações ideológicas”.

No artigo, o economista equatoriano propunha outra ideia: criar um “programa massivo de intercâmbio estudantil”, para que “os jovens da educação pública latinoamericana possam estudar um semestre ou um ano em outro país da região”. A meta deve ser “um milhão de jovens em intercâmbio estudantil em 2023”, escreveu Arauz. “Este será o motor da integração”.

Também apelou para formas de integração cultural, propondo um concurso regional convidando músicos, escritores e poetas para criarem um hino à UNASUL. Arauz concluiu o plano sugerindo que Lula deveria criar um “embaixador plenipotenciário para a integração regional”.

O líder esquerdista equatoriano deixou claro que tem grandes ambições para a região. Não basta que a América Latina se una, argumentou. Necessita de mais representação nas instituições internacionais. “Os países da UNASUL devem exigir uma posição coletiva na mesa do G20, o que a União Africana está a ponto de obter”, escreveu.

Ben Norton-Multipolarista | Jornalista, escritor e cineasta. É fundador e editor de Multipolarista, que tem sua sede na América Latina.

Tradução de Ana Corbisier


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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