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Para viver mais e melhor: uma prioridade em Cuba

Revista Diálogos do Sul

Tradução:

abuelosLuisa María González*

Um dia desses, a televisão nacional de Cuba mostrou uma história de vida que revela evidências sobre uma urgência para a sociedade cubana: há um tempo uma mulher teve que limitar sua vida profissional para poder cuidar de sua mães, anciã e enferma.

Além do problema individual de um desenvolvimento profissional restringido, o caso chama a atenção sobre um eventual conflito social nun país com cada vez mais quantidade de anciãos, cujo cuidado exigiria maiores atenções por parte da população economicamente ativa e limitaria sua capacidade de contribuir para o desenvolvimento socioeconômico.

Os dados são eloquentes neste sentido, pois estatísticas preliminares do censo populacional realizado nos últimos meses de 2012 indicam que 18,3 por cento dos cubanos têm 60 anos ou mais; enquanto outras pesquisas indicam que para 2030 a cifra se elevará a uns 30 por cento.

Segundo dados oficiais, Cuba hoje se situa entre as 50 nações com cidadania mais envelhecida, situação favorecida por fatores tais como os resultados das políticas de desenvolvimento social implementadas nas últimas cinco décadas, que possibilitaram a extensão de vida das pessoas. Nesse sentido, a esperança de vida ao nascer cresceu até chegar em torno de 78 anos em média.

Outro elemento que influi no envelhecimento populacional está relacionado com o descenso da taxa de fecundidade na ilha, pois, há mais de três décadas não se cobre a taxa de reposição populacional, ou seja, as mulheres não deixam uma filha que as substitua na função reprodutiva, indica matéria publicada no diário Granma.

O chefe do departamento de Atenção ao Adulto Idoso do Ministério de Saúde, Alberto Fernández, declarou que a nação deve ser preparar para assumir uma sociedade envelhecida, o que requererá o trabalho conjunto de todos os organismos estatais, quer dizer, a saúde, a educação, transporte e a indústria entre outros.

Neste sentido, o Plano de Economia para 2013 destina 58 milhões de pesos para apoiar 30 medidas  voltadas a este setor populacional bem como a estimular o crescimento da natalidade.

De acordo com fontes oficiais, a atenção a este grupo é uma prioridade para o governo e a definem como personalizada, direta e que toma em conta as condições econômicas, sociais, de saúde e familiares dos anciãos.

Os programas de assistência social elaborados incluem diversas ações entre as que sobressaem as encaminhadas a melhorar a disponibilidade de medicamentos e o acompanhamento a saúde do ancião.

Alternativas para uma vida mais longa e prazerosa

Nas instituições do Sistema Nacional de Saúde do país existem 444 equipes multidisciplinares para atender a adultos idosos frágeis e em situação de necessidade.

A isso se agregam uns 156 Lares de Anciãos, nos quais as pessoas permanecem internas em tempo integral, e cerca de 124 Casas de Avós, com 6.300 beneficiários que são atendidos nos horários diurnos enquanto seus familiares trabalham ou estudam, informou Fernandez. Em todo território funcionam 12.438 Círculos de Avós, modalidade que atende grupos de idosos que se reúnem na comunidade para fazer exercícios físicos e planejar outras atividades que lhes permitam elevar seu nível de socialização.

A assistência social domiciliar também está contemplada nos planos, com mais de 15 mil cidadãos beneficiados. E tampouco se excluem os serviços de alimentação, pois 101.743 se beneficiam em mais de oito mil centros dedicados, disse o funcionário.

Estes são apenas algumas das ações desenvolvidas para propiciar que o envelhecimento populacional não seja um fenômeno traumático nem para o ser humano, nem para a sociedade, considerou o especialista com a ressalva de que muita coisa há ainda por fazer.

Uma cátedra contra o envelhecimento dos neurônios

Mais de 85 mil graduados atestam o funcionamento da Cátedra Universitária do Adulto Ancião, instituição cubana com mais de doze anos de existência que se propõe ser espaço de superação e desfrute para as pessoas com mais de 60 anos.

A presidenta e fundadora dessa entidade na Universidade de la Habana, Teresa Orosa, enfatizou em entrevista que hoje existem 17 cátedras para dirigir e organizar o funcionamento de mais de 500 cursos em todo território nacional.

“Um dos pontos fortes é que desde o início pensamos não só em cultivar o intelecto ou o conhecimento, mas também em ajudar os adultos a serem melhores pessoas e continuar contribuindo para o desenvolvimento da família, da comunidade e da sociedade”, asseverou a especialista em psicologia.

Acrescentou que o programa consiste em um curso básico de um anos, integrado por vários módulos sobre os temas como o desenvolvimento humano e a promoção da saúde, seguindo por outros de continuidade para ampliar as temáticas ou introduzir novos assuntos.

“Os módulos se dedicam a que as pessoas compreendam a etapa da vida em que estão e as questões associadas a este momento do desenvolvimento, com conhecimento de tudo o necessário para viver de forma o mais autônoma”, disse Orosa.

Durante visita a uma aula, a estudante Elba Raveiro disse que além da docência, também são realizadas oficinas as mais diversas, de literatura, culinária, costura, entre outros. Outro aluno comentou que também se organizam excursões a museus, teatros e cinemas e a vários locais que não visitavam antes quando trabalhavam por falta de tempo.

*Da redação de Prensa Latina para Diálogos do Sul


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
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