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Por dentro da mente de Adolf Hitler: livro aborda dimensão psíquica do líder nazista

Obra é única por se tratar de uma biografia psicológica construída a partir de entrevistas com pessoas que conviveram com o genocida
Carlos Russo Jr
Diálogos do Sul Global
Florianópolis (SC)

Tradução:

“Ante Deus e o mundo, o mais forte tem que fazer prevalecer sua vontade”. ( A. Hitler- “Minha luta”” )

“Deve-se procurar que só procriem indivíduos saudáveis”.( A. Hitler- “Minha luta”” )

“Consegui compreender a importância do terror físico para com os indivíduos e a massa”.( A. Hitler- “Minha luta”” )

Dois campos de pesquisa importantes, foram percorridos pelos Aliados durante e logo após a Segunda Guerra Mundial, buscando analisar Hitler psicologicamente.

Um relatório de 1943, encabeçado por Walter C. Langer, da norte-americana Agência de Serviços Estratégicos (o berço da CIA), descreveu-o como sendo um homem que possuía tendências homossexuais reprimidas e opinou que Hitler fosse coprofílico (com afinidade por fazes humanas) e com problemas de impotência. *

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Em outro relatório, o psicólogo Henry Murray chegou a conclusões semelhantes às de Langer. Murray, entretanto, além de afirmar que Hitler era um coprofílico, deu maior ênfase ao fato de que ele sofria de esquizofrenia. **

O historiador britânico, Ian Kershaw, o descreve como uma pessoa que possuía, especialmente em sua juventude, medo do contato pessoal e do ato sexual, incluindo a homossexualidade e a prostituição.

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Já o historiador alemão Hermann Reuschling afirmou ter observado no registro militar de Hitler da Primeira Guerra Mundial um documento da Corte Marcial, onde Hitler foi acusado de práticas pederastas com um de seus oficiais. Rauschning também acrescentou que na cidade alemã de Munique, Hitler fora indiciado por violar o Parágrafo 175, sendo considerado culpado de pederastia, em 1919, com garotos de até 14 anos.

Já Ernst Hanfstaengl, um dos membros do círculo íntimo de Hitler e amigo pessoal na juventude, escreveu que “eu sinto que Hitler foi um homem que não era nem peixe, carne ou galinha; nem totalmente homossexual e nem totalmente heterossexual… Eu tenho a firme convicção de que ele era impotente, do tipo reprimido, apenas masturbador”.

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Pese que os fundadores assumidos das milícias nazistas de Nuremberg serem quase todos homossexuais, como Ernst Röhm, Hanfstaengl e Emil Maurice, o regime nazista de Hitler, quando no poder, perseguiu os homossexuais; estima-se que 5 a 15 mil foram enviados aos campos de concentração, e destes, aproximadamente 2 500 a 7 500 foram assassinados.

Em agosto de 1941, Hitler afirmou em discurso que “a homossexualidade atualmente é tão contagiante e perigosa como uma praga e deve ser extirpada”.

Obra é única por se tratar de uma biografia psicológica construída a partir de entrevistas com pessoas que conviveram com o genocida

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Adolf Hitler, aos 36 anos, teve pela sua linda meia-sobrinha, a adolescente Geli Raubal “a primeira e maior paixão da vida”.

O incesto familiar

Por outro lado, a análise dos desvios comportamentais e sexuais de Adolf Hitler não pode passar ao largo do fato de que relações incestuosas ocorreram com uma frequência impressionante em sua família, desde os princípios do século XIX.

Seu pai, Alois Hitler, nascido Alois Schicklgruber era, com toda probabilidade, filho de seu próprio tio, Nepomuck, tendo sido pelo mesmo criado após os 5 anos, pois sua mãe perdera as condições de fazê-lo. Aliás, ao progredir em sua carreira como funcionário alfandegário, Alois Schicklgruber fez de tudo para que seu certificado de nascimento retirasse de sua filiação o termo: “pai indeterminado”. E o conseguiu, tornando-se Alois Hitler, o nome do irmão de Nepomuck, casado três anos após o nascimento de Adolf e já falecido.

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Alois Hitler, por seu lado, teve relações sexuais precoces com todas as suas três meias irmãs mais velhas, dentre as quais cresceu na família de Nepomuk. De uma destas relações nasceu Klara Hitler.

Anos após, em seu segundo casamento com a adolescente Franziska Matzelberger, do qual nasceriam Alois Junior e Angela, Alois Hitler trouxe então, como tio, sua filha de dezesseis anos para trabalhar como criada e babá.

Quando Franziska, a mãe de Ângela e Junior morreu, Alois casou-se com a própria filha, a bela e carinhosa Klara, que acreditava ter-se casado com um tio e nunca com seu próprio pai.

Deste casamento nasceram 6 filhos, dentre eles, Adolf Hitler, o único que chegou vivo à idade da infância. Distúrbios cromossômicos e retardos metal e físico levaram seus irmãos à morte prematura.

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Adolf Hitler, por sua vez, aos 36 anos, teve pela sua linda meia-sobrinha, a adolescente Geli Raubal “a primeira e maior paixão da vida”. Ambos começaram a viver juntos em 1925, quando a mãe dela, a meia irmã Ângela, tornou-se a dona-de-casa da residência de Adolf Hitler.

Um dos opositores de Hitler no Partido Nazi, Otto Strasser afirmou aos interrogadores da OSS que o ditador nazista forçava a meia-sobrinha dele, Geli Raubal, a urinar e defecar sobre ele, para que sentisse prazer e gozasse se masturbando.

O pianista Putzi Hansfstaengl disse sobre seu amigo e Geli: “Adolf, só gosta de tocar nas teclas negras. ”

Ciúmes, possessividade e violência

A relação amorosa, permeada pelo comportamento ciumento, possessivo e violento de Hitler, terminou com um nunca elucidado “suicídio” da jovem com um tiro no peito, utilizando um pesado revólver, o do próprio Hitler.  Na realidade, o desenlace da relação se deu quando a sobrinha de Hitler passara a gostar de um jovem “normal”.

Em 1930, já importante na política alemã, ninguém se importou com que a bala que matara Geli nem ao menos chamuscara sua roupa, o que seria inevitável em um tiro a curtíssima distância, no caso de suicídio.

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Hitler, antes de Eva Braun, teve um curto caso de relacionamento com a atriz alemã Renate Muller. Nas poucas noites em que ela passou com ele, ela relatou atitudes estranhas, contando que o líder nazista se masturbava no chão, desde que ela o chutasse.

Outras evidências históricas, no entanto, mostram uma possível abstinência heterossexual de Hitler. O proprietário de uma das casas em que o líder alemão e sua esposa, Eva Braun, passavam a noite, revelou que, depois do início da guerra, todas as vezes que, pela manhã ia arrumar a cama do casal, não encontrava sinais de atos sexuais.

Além disso, o próprio ditador confessou “superar o desejo de possuir uma mulher fisicamente”, declarando que a Alemanha era a sua verdadeira noiva.

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O livro “A mente de Adolf Hitler” é uma obra única por se tratar de uma biografia psicológica construída a partir de entrevistas com pessoas que conviveram com o líder nazista.

Muito já foi escrito sobre a vida do Führer, mas poucos estudiosos se dedicaram a entender tão a fundo seus padrões de comportamento e modos de pensar quanto Walter Langer.

“A mente de Adolf Hitler” é peça fundamental para a compreensão psíquica de determinados líderes do século XX, assim como dos protofascistas do século XXI.

Referências:

*O trabalho de Walter C. Langer foi lançado sob o título de The Mind of Adolf Hitler: The Secret Wartime Report, em 1972.

**Henry Langer: Analysis of the Personality of Adolph Hitler: With Predictions of His Future Behavior and Suggestions for Dealing with Him Now and After Germany’s Surrender.

Obs.: Em 2004, a rede de televisão HBO produziu um documentário baseado intitulado Hidden Führer: Debating the Enigma of Hitler’s Sexuality (em português: Fuhrer Oculto: Debatendo o Enigma da Sexualidade de Hitler).

Carlos Russo Junior | Colaborador de Diálogos do Sul


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Carlos Russo Jr Carlos Russo Jr., coordenador e editor do Espaço Literário Marcel Proust, é ensaísta e escritor. Pertence à geração de 1968, quando cursou pela primeira vez a Universidade de São Paulo. Mestre em Humanidades, com Monografia sobre “Helenismo e Religiosidade Grega”, foi discípulo de Jean-Pierre Vernant.

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