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Possível autogolpe de Trump nas eleições preocupa ativistas estadunidenses

Haverá um autogolpe de estado? Nunca se haviam escutado sobre isso em uma conjuntura eleitoral nesse país e ninguém pode prognosticar o que acontecerá
David Brooks
La Jornada
Nova York

Tradução:

Haverá um autogolpe de estado? Haverá uma onda anti-Trump suficientemente massiva como para frear os caos pós eleitoral que o próprio mandatário fomenta? Haverá conflitos armados em algumas ruas do país? Vão intervir as forças federais, inclusive os militares, se o comandante em chefe lhes ordenar reprimir opositores? Será resgatado o que resta da democracia estadunidense? Nunca se haviam escutado estas coisas em uma conjuntura eleitoral nesse país e ninguém pode prognosticar o que está para acontecer. 

Várias organizações e suas redes dizem estar se preparando para “defender o voto” diante de uma tentativa do presidente e sua equipe de anulá-lo ou descartá-lo.  Alguns estão se dedicando a capacitar e alertar cidadãos para enfrentar um golpe de Estado por parte do presidente – ou seja, um autogolpe para manter-se no poder. 

Neste dias anteriores à eleição de 3 de novembro, organizações opositoras estão se dedicando dia e noite a impulsionar o que já se perfila como uma participação eleitoral histórica (em um país em que em eleições presidenciais quase a metade dos que têm direito ao voto decide não participar por várias razões), e com isso gerar uma onda de votos suficientemente grande como para anular a disputa sobre os resultados que Trump tanto tem promovido nas últimas semanas. 

O candidato democrata Joe Biden não provoca grande entusiasmo justamente por ser mais outro político centrista do establishment com uma carreira de 47 anos – de fato, isso permitiu que Trump se apresente outra vez como um candidato anti-establishment.

Mas esta eleição não é um concurso entre os dois candidatos, mas sim um referendo sobre Trump.  

Curiosamente, apesar de uma muito ampla gama de vozes distinguidas estadunidenses declararem Trump como “o presidente mais perigoso da história”, alguns fora do país expressam que esta eleição é a mesma coisa de sempre, porque ambos os candidatos oferecem mais do mesmo para o resto do mundo. 

Diante disso, talvez seja necessário explicar que Biden como candidato em parte depende de correntes sociais progressistas poderosas dentro e fora do partido. Por isso, ele já teve que ceder diante de algumas dessas forças para obter seu apoio, adotando posições como, por exemplo, declarar que protegerá os dreamers e prometendo que em seus primeiros 100 dias apresentará uma proposta para outorgar uma rota à legalização e até cidadania para 11 milhões de indocumentados, tudo graças à pressão organizada dos próprios dreamers e algumas organizações latinas.  

Também tem adotado partes diluídas das propostas de forças progressistas sobre meio ambiente e saúde como resultado das forças que surgiram com a candidatura de Bernie Sanders e outros políticos progressistas. E sem falar que teve que assumir uma posição muito clara diante da explosão antirracista de Black Lives. Tudo isso, entre outras coisas, marcam uma diferença com as políticas de Trump e o que ele representa.  

As forças progressistas nos Estados Unidos sublinham que a tarefa mais urgente é deportar Trump do poder, e isso requer, por ora, votar em Biden. 

Não é a mesma coisa ganhar um ou outro e as diferenças entre ambos têm implicações potencialmente de vida e morte – literalmente – para milhões dentro e fora deste país. 

Para muitos, isto já não se trata de mais uma eleição estadunidense, mas sim parte de uma luta para frear a consolidação de um projeto neofascista, que têm vínculos com seus pares em outras partes do mundo, inclusive na América Latina. 

Com uma derrota de Trump, abre-se uma porta no muro que convida a passar para um futuro mais democrático nos Estados Unidos, luta que requer a solidariedade de sul a norte. 

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David Brooks, correspondente de La Jornada em Nova York

La Jornada, especial para Diálogos do Sul — Direitos reservados.

Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
David Brooks Correspondente do La Jornada nos EUA desde 1992, é autor de vários trabalhos acadêmicos e em 1988 fundou o Programa Diálogos México-EUA, que promoveu um intercâmbio bilateral entre setores sociais nacionais desses países sobre integração econômica. Foi também pesquisador sênior e membro fundador do Centro Latino-americano de Estudos Estratégicos (CLEE), na Cidade do México.

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