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Pressão? Casa Branca quer Brasil contra Rússia e Venezuela, mas Lula reafirma neutralidade

Presidente eleito se encontrou com o conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan, nesta segunda-feira (5)
Redação Hora do Povo
Hora do Povo
São Paulo (SP)

Tradução:

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu-se nesta segunda-feira (5) com o conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan. No encontro, que ocorreu no hotel onde Lula está hospedado, foram tratados, entre outros temas, uma possível visita de Lula ao presidente norte-americano, Joe Biden.

Estavam com Lula o ex-chanceler Celso Amorim, o senador Jaques Wagner (PT-BA), o ex-ministro da Educação Fernando Haddad e o procurador da Fazenda Nacional, Jorge Messias, integrante do GT de Transparência, Integridade e Controle da transição de governo. Pelo lado norte-americano estavam Juan Gonzales, assessor do governo dos EUA para América Latina, Ricardo Zúñiga, vice-secretário de Estado para assuntos de Hemisfério Ocidental e Douglas Koneff, encarregado de negócios da embaixada no Brasil.

Segundo o ex-chanceler, Lula manifestou interesse em fortalecer o Mercosul e as instituições sul-americanas, e mencionou a importância da Unasul. Amorim acrescentou ainda que o presidente eleito “lembrou o G20 como instrumento importante na área econômica logo após a crise de Lehman Brothers (em 2008)”. “Jake Sullivan recordou que o Brasil ocupará a presidência (do bloco) em 2024”, disse Amorim.

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O norte-americano levou o convite feito pelo presidente dos EUA para um encontro com Lula. Amorim afirmou ser “mais provável que a visita oficial ocorra logo após a posse, em janeiro de 2023”.

Após a reunião, o presidente eleito usou as redes sociais para dizer que pretende se reunir em breve com Joe Biden. “Recebi hoje do conselheiro de segurança norte-americano, Jake Sullivan, o convite do presidente Joe Biden para visitá-lo na Casa Branca. Estou animado para conversar com o presidente Biden e aprofundar a relação entre nossos países”, afirmou Lula.

Presidente eleito se encontrou com o conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan, nesta segunda-feira (5)

Lula Oficial – Flickr
De acordo com Amorim, Lula e Sullivan tiveram “uma conversa muito ampla” com quase duas horas de duração sobre temas regionais e mundiais

O ex-chanceler Celso Amorim afirmou, em entrevista após a reunião, que Lula não descartou viajar ainda em dezembro, mas indicou que prefere viajar em janeiro, após a posse na Presidência da República. Amorim acrescentou que Lula e o conselheiro trataram de diversos temas de interesse mundial, como as mudanças climáticas, a cooperação em desenvolvimento tecnológico e sustentável, guerra na Ucrânia e a reforma na governança mundial, incluindo no Conselho de Segurança da ONU.

Sobre a guerra na Ucrânia, o representante americano afirmou o contrário do que seu governo tem demonstrado na prática, dizendo que os EUA desejam a paz. A Casa Branca, no entanto, é a principal instigadora da guerra e a maior fornecedora de armas para a Ucrânia. Ele afirmou também que o interesse do governo dos Estados Unidos é que o Brasil possa ajudar. Segundo Amorim, “Jake Sullivan fez análise da guerra, das dificuldades e disse que os Estados Unidos desejam a paz. E que “a guerra custa a todos”.

Ao contrário do que disse Sullivan, os EUA têm feito pressões sobre diversos países do mundo, nos vários continentes, para que participem da guerra e das sanções econômicas contra a Rússia. Estas sanções têm trazido problemas gravíssimos para o mundo, como a alta da inflação, principalmente para os países europeus. O Brasil tem adotado uma atitude de neutralidade no conflito e isso não deverá mudar. Ninguém no Brasil vê motivos para o Brasil se alinhar à política agressiva dos EUA. Além de sancionar a Rússia, a Casa Branca está também a atacando a China, principal parceira comercial do Brasil. Lula afirmou que não vê motivo para a guerra na Ucrânia e que vai discutir esse tema com Joe Biden.

“[Lula] valorizou muito o fato de o convite ser feito desta maneira, mas que talvez não desse para estar [nos EUA] antes da posse. Mas que ele acha que dá para ir logo no início do ano também já em uma visita oficial como presidente”, disse o ex-chanceler. De acordo com Amorim, que integra a equipe de transição na área de relações exteriores, Lula e Sullivan tiveram “uma conversa muito ampla” com quase duas horas de duração sobre temas regionais e mundiais.

De acordo ainda com Celso Amorim, a reunião discutiu também a necessidade se encontrar uma “solução para a crise na Venezuela”, mas sem entrar em detalhes. A sinalização americana é de expectativa da realização de eleições consideradas justas. “O presidente Lula falou da importância de se ter um contato real e reconhecer as realidades”, disse Amorim. O governo Bolsonaro rompeu a tradição de não se envolver em assuntos internos de outros países e seguiu a orientação dos EUA, reconhecendo Juan Guiadó como presidente da Venezuela.

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O integrante da equipe do presidente americano também terá em Brasília uma agenda com o atual secretário de Assuntos Estratégicos do governo brasileiro, Flávio Rocha. Almirante, Flávio Rocha é um dos auxiliares de confiança do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Sullivan veio ao Brasil em agosto de 2021, quando se encontrou com Bolsonaro e membros de seu governo, como o ministro das Relações Exteriores, Carlos França, e o vice Hamilton Mourão.

Redação | Hora do Povo


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