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Racista e desumana, política de imigração de Biden é ainda mais trumpista que a de Trump

O atual presidente dos Estados Unidos atua na contramão de suas promessas eleitorais, endurecendo a política de imigração em todas as frentes
Redação La Jornada
La Jornada
Nova York

Tradução:

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ordenou a deportação acelerada de milhares de haitianos em busca de asilo no país, se valendo de um decreto emergencial imposto em março do ano passado por seu antecessor, Donald Trump, o qual autoriza a expulsão imediata de migrantes sem dar a eles a possibilidade de solicitar refúgio em território estadunidense.

Nas últimas horas, mais de 450 cidadãos haitianos que permaneceram na cidade de Del Rio, no Sudoeste do Texas, foram deportados em voos que partiram de Laredo e de San Antonio para Porto Príncipe, capital do Haiti.

Assim, o presidente estadunidense atua na contramão de suas promessas eleitorais, endurecendo a política de imigração em todas as frentes: tanto ao negar uma audiência aos haitianos que solicitam asilo quanto ao impor restrições adicionais à entrada de imigrantes nos Estados Unidos, sob o pretexto de combater a pandemia causada pelo vírus SARS-CoV-2, causador da infecção covid-19.

Enquanto Haiti vive crise imensurável, EUA deportam crianças e adultos em massa

Além disso, Washington anunciou que vai pedir a todos os estrangeiros que pretendem visitar o país que tenham um esquema de vacinação completo e apresentem teste negativo para covid-19 realizado nos três dias anteriores aos voos que ingressam em seu território.

Quanto às entradas por via terrestre, provenientes do México e do Canadá, a proibição de viagens não essenciais vai durar pelo menos até o próximo dia 21 de outubro – e esta é outra medida que foi imposta por Trump e que, por enquanto, continua sendo mantida por Biden.

O atual presidente dos Estados Unidos atua na contramão de suas promessas eleitorais, endurecendo a política de imigração em todas as frentes

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Joe Biden versus Donald Trump

Isso faz parte de uma estratégia de contenção da pandemia que vem sendo criticada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) por ser ineficaz, e porque, ainda por cima, reforça a ideia xenófoba e errônea de que é possível se livrar dos contágios fechando as fronteiras nacionais e incrementando medidas anti imigração.

Como se a imigração e as restrições de saúde não bastassem, o Departamento de Estado também aplica vetos com base em fobias políticas.

Nesta segunda-feira (20/9), cinco juízes da mais alta corte de El Salvador e dois altos funcionários do governo da Guatemala foram incluídos na lista negra e tiveram seus vistos negados.

Na opinião de Washington, essas pessoas atacam as aspirações democráticas do povo da América Central, aludindo ao caminho pelo qual os juízes salvadorenhos foram nomeados, após a destituição dos anteriores membros do Supremo Tribunal Federal. No caso dos guatemaltecos, a alegação é de que estariam envolvidos em atos de corrupção.

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Embora seja verdade que todo governo nacional tem o direito de admitir ou rejeitar estrangeiros em seu território, o caso dos Estados Unidos é especial, já que várias organizações internacionais têm sua sede nesse país.

Ao proibir a entrada de uma pessoa nos Estados Unidos, o Departamento de Estado também exerce um veto à participação da pessoa afetada em fóruns como as Nações Unidas, cujo prédio central está localizado em Nova York.

Assim, longe de dissipar a fobia que seu antecessor promovia aos nativos de outros países, Biden a reforça, de diferentes maneiras. Neste aspecto, portanto, se revelou, em suma, mais trumpista do que o próprio Trump.

Tradução de Victor Farinelli, na Carta Maior


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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