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Saiba o que você pode fazer para impedir extinção das abelhas e garantir a segurança alimentar do planeta

Lamentavelmente, esta preciosa perfeição da natureza há anos está ameaçada e com elas desaparece o elo inicial de uma enorme cadeia alimentar
Silvia Martínez
Prensa Latina
Roma

Tradução:

Abelhas, flor, pistilo e polem são algumas das primeiras palavras com sentido de vida que as crianças aprendem na escola, na simples e complexa origem da semente e o nascer do fruto.

As abelhas costumam ser associadas a mel, cera, geleia real e até a uma dolorosa picada, mas isso é apenas o produto final, porque desses pequenos insetos depende em boa medida a existência humana no planeta.

“A extinção das abelhas seria o começo do fim para o ser humano”, frase atribuída a Albert Einstein, que expressa com a genialidade própria do eminente físico a importância de salvar esses insetos para preservar a espécie humana.

Mas, lamentavelmente, esta preciosa perfeição da natureza, tão harmônica e organizada da vida natural, há anos está seriamente ameaçada, e com elas – o que talvez seja o pior – também desaparece o elo inicial de uma enorme cadeia alimentar.

Para a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) “um mundo sem polinizadores, seria um mundo sem diversidade de alimentos, e, a longo prazo, sem segurança alimentar”.

Sem polinizadores, o que inclui besouros, borboletas, morcegos e outros, asseguram os estudiosos do assunto, um terço em quantidade e diversidade de quanto hoje se alimentam e nutrem os seres humanos, desapareceria.

Dito de outro modo, a terça parte dos alimentos humanos são frutos de espécies polinizadas por insetos, essencialmente abelhas, que preferem frutas, forragens, hortícolas, oleaginosas e outras plantas com flores, daí seu grande valor na “saúde do ecossistema, ao preservar o estado de diversidade biológica, a diversidade genética e a das espécies”.

A ausência das abelhas supõe deixar de dispor de alimentos como batatas, cebolas, morangos, couve-flor, pimentões, café, abóboras, cenouras, maçãs, girassóis, amêndoas, tomates, cacau e outros tantos cuja produção depende da polinização.

Lamentavelmente, esta preciosa perfeição da natureza há anos está ameaçada e com elas desaparece o elo inicial de uma enorme cadeia alimentar

PxHere
"Um mundo sem polinizadores, seria um mundo sem diversidade de alimentos, e, a longo prazo, sem segurança alimentar" – Albert Einstein.

Pretendendo promover políticas e sistemas de alimentos mais amigáveis e sustentáveis para os polinizadores em geral, a Assembleia Geral da ONU, a pedido da FAO, aprovou há um lustro dedicar a elas o dia 20 de maio, data de homenagem ao aniversário do esloveno Anton Jansa (1734-1773), pioneiro em técnicas apícolas modernas.

Pelo menos 20 mil tipos de abelhas, antófilos considerados os polinizadores por excelência das plantas com flores, habitam o planeta, sociedades divididas em castas: operárias, rainhas e zangões, cada uma com missões fixas.

A abelha rainha é a única fêmea apta à reprodução e difere do resto por sua “corpulência”, consome muito mel para estar bem alimentada e pôr pelo menos três mil ovos diários, que deposita um a um em cada célula ou alvéolo de cera.

A herança do trono provem do nutriente; quando as jovens larvas são alimentadas com geleia real, em vez de polem, transformam-se em rainhas; a primeira a nascer mata suas possíveis rivais e expulsa a velha monarca da colmeia.

As operárias, valha o nome, vivem apenas 45 dias em épocas de intensa floração, percorrem longas distâncias em busca de polem, néctar, água e resinas para própolis.

Em geral, elas “batem à porta” de uma única espécie de flor por um período, o que beneficia as plantas prenhes de polem de igual natureza para fecundar. Segundo especialistas, uma única abelha melífera visita umas sete mil flores a cada dia; são necessárias quatro milhões de visitas para produzir um quilo de mel.

As obreirinhas fabricam cera para a construção da colmeia e de suas células hexagonais onde armazenam as reservas de mel e a rainha põe seus ovos. Compete a elas também alimentar a rainha, defender a colmeia de intrusos, cobrir de cera as ninfas e assegurar a tépida temperatura do “lar”.

O zangão vive do trabalho alheio até o dia do “voo nupcial”, quando a rainha empreende voo e os machos da colmeia vão atrás dela; mas só o mais forte consegue alcançá-la, ocorrendo então o acasalamento. Depois da fecundação, a soberana mata o zangão.

Os machos “repudiados por sua majestade” são capturados pelas operárias ou mortos mais tarde diante de sua inata incapacidade para prover-se de alimentos.

Se todos esses argumentos fossem pouco para defender a existência dessas curiosas criaturas, é bom ter em conta que em nível mundial 81 milhões de colmeias produzem 1,6 milhões de toneladas de mel, cerca de um terço comercializado internacionalmente.

Isso explica, além da saúde e do bem-estar humanos, a contribuição ao emprego decente e produtivo e de meios de vida, para centenas de milhares de trabalhadores do setor da apicultura.

Embora as crianças recebam os primeiros conhecimentos sobre estes incríveis insetos, como sobre borboletas e outros polinizadores na primeira etapa escolar, seu cuidado e conservação, devido ao que representam para a espécie humana, devem acompanhá-los por toda a vida.

Tarefa que incumbe às instituições e à sociedade em seu conjunto, particularmente à família; daí a campanha da FAO partir da recomendação de semear flores mesmo no jardim, o que, além de beleza, perfume, e colorido, constitui uma contribuição importante de cada indivíduo para a segurança alimentar do planeta.

Tradução de Ana Corbisier


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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