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Sem soberania das Malvinas à Argentina, sem apoio ao Reino Unido, adverte Fernández

"Se não resolvemos esse assunto, toda nossa relação estará travada... Malvinas é um enclave colonial", afirmou o presidente Argentina em reunião com G7
Fernanda Paixão
Brasil de Fato
Buenos Aires

Tradução:

A reivindicação de soberania sobre as ilhas Malvinas e pelo fim do colonialismo na região foi um dos temas mais importantes da agenda do presidente da Argentina, Alberto Fernández, durante sua participação como país convidado da cúpula do G7. Fernández teve a oportunidade de discutir o tema diretamente com o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, em uma reunião bilateral no castelo de Schloss Elmau, onde aconteceu a cúpula do G7, concluída nesta terça-feira (28).

O encontro durou apenas meia hora, mas foi permeado de tensões. Johnson destacou a potencialidade da Argentina para fornecer alimentos, gás e minerais à Europa no contexto da guerra na Ucrânia, tema de destaque para os países do G7, composto por Itália, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Canadá, Japão e Estados Unidos.

O que fazem os britânicos nas ilhas Malvinas?

“Sim, é verdade”, disse o mandatário argentino. “Mas nós temos um problema. Enquanto não o solucionemos, não podemos avançar em nada. E o tema são as Malvinas.”

Neste ano, a guerra das ilhas Malvinas, que culminou na vitória do Reino Unido, completa 40 anos. As ilhas Malvinas foram ocupadas pelas forças britânicas em 1833 e, desde então, o território foi estabelecido como colônia britânica.

Neste sentido, Fernández solicitou ao primeiro-ministro britânico a abertura de diálogo sobre a soberania da ilha, uma orientação respaldada anualmente pela própria Organização das Nações Unidas (ONU).

No entanto, Johnson reforçou a postura britânica, contrária a gerar uma instância de negociação sobre o território: “Esse tema foi resolvido há 40 anos.”

6 pontos para entender Ilhas Malvinas e por quê Argentina e Inglaterra ainda lutam por elas

O presidente argentino destacou a questão como uma condição-chave para destravar a relação bilateral entre Argentina e Grã-Bretanha. “É um tema muito importante para a Argentina”, pontuou Fernández. “Moram mais britânicos no continente do que nas Malvinas. Se não resolvemos esse assunto, toda nossa relação estará travada e o resto dos temas não serão resolvidos”, disse. “Malvinas é um enclave colonial.”

"Se não resolvemos esse assunto, toda nossa relação estará travada... Malvinas é um enclave colonial", afirmou o presidente Argentina em reunião com G7

Casa Rosada
ONU pediu diálogo entre as partes "para encontrar, o mais breve possível, uma solução pacífica ao conflito da soberania"




Pedido de negociações

Na semana passada, o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Santiago Cafiero, reforçou no Comitê Especial de Descolonização da ONU, em Nova Iorque, o pedido de negociações ao Reino Unido para reatar as relações bilaterais com a Argentina.

“Reafirmo aqui que as vitórias militares não outorgam direitos. O conflito de 1982 não alterou a natureza da disputa de soberania entre a Argentina e o Reino Unido, que continua pendente de negociação e solução”, disse Cafiero em seu discurso no último dia 23. “Já é hora de que o Reino Unido escute a comunidade internacional e retome as negociações para chegar a uma solução pacífica à disputa de soberania com a República Argentina.”

Fernández quer defesa da soberania argentina sobre as Malvinas como política de Estado

A Assembleia Geral da ONU estabeleceu em sua resolução 37/9 que a questão das Malvinas exige a abertura de diálogo entre as partes “para encontrar, o mais breve possível, uma solução pacífica ao conflito da soberania”.

Nesta terça-feira (28), com a conclusão da Cúpula do G7, Cafiero declarou à imprensa que a presença de Fernández na cúpula do G7 representou “a voz da América Latina” no encontro, e comentou sobre a reunião com Boris Johnson.

“O presidente levantou a importância de discutir sobre a questão Malvinas. Embora o primeiro-ministro britânico tenha apresentado o argumento da auto-determinação como um princípio, o direito internacional dá a razão à Argentina sobre a questão das ilhas”, afirmou o chanceler argentino. Disse ainda que, durante a reunião com Fernández, Johnson teria ficado “sem argumentos” e que a “reunião naufragou”.

Fernanda Paixão | Brasil de Fato | Buenos Aires, Argentina
*Com informações de Télam
Edição: Thales Schmidt


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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