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Separatismo catalão retoma ruas em meio a rupturas e busca por rota à independência

Marcha coincidiu com as celebrações da chamada Diada, o Dia Nacional da Catalunha, que cada ano congrega as formações separatistas nas ruas
Armando G. Tejeda
La Jornada
Madri

Tradução:

Uma multidão que portava bandeiras independentistas e símbolos do movimento nacionalista se manifestou no último dia 11 nas ruas de Barcelona, novamente com um clamor para alcançar a secessão do Estado espanhol e construir um novo país sob a forma de uma nova República. 

Segundo a polícia local, os participantes superaram as 150 mil pessoas, embora a organização que convocou a mobilização, a Asamblea Nacional de Catalunya (ANC), tenha elevado o número a 700 mil. A marcha coincidiu com as celebrações da chamada Diada, o Dia Nacional da Catalunha, que cada ano congrega as formações separatistas nas ruas. 

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Neste ano, as atividades e atos oficiais da Diada estiveram marcados pela divisão e o enfrentamento entre as duas formações principais do nacionalismo catalão: Esquerra Republicana de Catalunya (ERC) e Junts per Catalunya (JxCAT, os antigos membros de Convergencia i Unió). 

O motivo da disputa é a rota para a independência, mas também um turvo caso de corrupção que afetou à presidenta do Parlamento autonômico, a dirigente de JxCat, Laura Borrás, a qual é julgada pelos tribunais catalães por numerosos contratos outorgados a dedo a favor de um amigo. 

Marcha coincidiu com as celebrações da chamada Diada, o Dia Nacional da Catalunha, que cada ano congrega as formações separatistas nas ruas

Foto: Junts pel Sí.
População de Barcelona comemora vitória com líderes dos partidos separatistas da Catalunha em 2015.

Divisão das forças nacionalistas

O principal motivo da divisão no interior das forças nacionalistas são os tempos de cara à suposta declaração de independência; a ANC exige fazer valer o resultado do referendo de 1º de outubro de 2017 e decretar de fato a nova república; JxCat é partidária de iniciar um novo processo de secessão, com ou sem o visto novo do governo espanhol; enquanto ERC, que detém a presidência da Generalitat de Cataluña, presidida por Peré Aragonés, é partidária de abrir uma negociação com o Estado e celebrar um novo referendo com todas as garantias para que o resultado seja respeitado por todas as instituições do país. 

Ao longo da manifestação, que encheu as ruas de Barcelona, entre as principais consignas havia uma exigência ao governo catalão: “Ou Declaração Unilateral de Independência (DUI) ou demissão”. Além disso lançaram duras advertências contra os que chamam “botiflers (traidores)” do nacionalismo, entre os quais situam deputados e dirigentes do ERC, tanto no parlamento regional como no de Madri, de maneira destacada a um de seus principais referentes em sua estratégia na negociação com o governo espanhol, o parlamentar Gabriel Rufián, que é repudiado por uma ampla franja do separatismo. 

Um dos impulsionadores do movimento é a plataforma cultural Ómnium, que à raiz das celebrações da Diada fez um apelo para começar um novo tempo que permita concertar novas cumplicidades antes de que se consolide “a tendência autodestrutiva” e que assim se reative um independentismo que crê que entrou em “paralização”. “A fórmula destes cinco anos já não serve. Nos fazem falta novas sensibilidades e novas vozes”, disse. 

Apesar do grande número de manifestações, um sinal das consequências da divisão do separatismo são as figuras dos últimos anos neste tipo de protesto, que nos tempo mais críticos do movimento de independência, entre 2014 e 2018, chegaram a reunir na mesma data até três milhões de pessoas.

Armando G. Tejeda, correspondente de La Jornada em Madri.
Tradução: Beatriz Cannabrava.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Armando G. Tejeda Mestre em Jornalismo pela Jornalismo na Universidade Autónoma de Madrid, foi colaborador do jornal El País, na seção Economia e Sociedade. Atualmente é correspondente do La Jornada na Espanha e membro do conselho editorial da revista Babab.

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