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Tensão escala: Rússia diz que EUA devem parar de enviar armas à Ucrânia; entenda:

Alto funcionário admite que a assistência bélica de Washington é a maior desde 2014, enquanto Moscou exige fim da expansão da OTAN rumo às suas fronteiras
Guilherme Ribeiro
Diálogos do Sul Global
Bauru (SP)

Tradução:

A tensão entre Moscou e Washington escalou ainda mais nos últimos dias. Enquanto o governo de Joe Biden alega que a Rússia tem intenções de invadir a Ucrânia,  o governo de Vladmir Putin reage, alertando que os Estados Unidos devem parar de assediar o país com tropas perto de suas fronteiras e com a expansão da Organização do Tratado Atlântico Norte (OTAN) a leste — incluindo a Ucrânia. 

Neste sentido, nesta terça (18), o porta voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que as declarações estadunidenses e britânicas sobre o incremento dos armamentos entregues à Ucrânia são “extremamente perigosas” e que o arsenal mencionado não é apenas defensivo, mas potencialmente ofensivo. 

Boris Gryzlov, embaixador da Rússia em Minsk, também nesta terça, comentou que “o acúmulo de forças e recursos da OTAN, de fato, não para em nossos portões”. Ainda segundo ele, essas ações não passam despercebidas e a Rússia está atuando com patrulhas nas fronteiras dos países com “bombardeiros Tu-22M3 de longo alcance, caças multifunção Su-30SM, e outros”.

A percepção russa é de que o governo Biden não está interessado em reduzir a tensão na fronteira russo-ucraniana, como afirmou, nesta quarta (19), a embaixada russa, em sua página no Facebook. De acordo com a publicação, a Casa Branca, o Departamento de Estado dos EUA e funcionários de alto escalão do Pentágono, “em uníssono”, confirmaram que o país não promoverá medidas para reduzir as tensões na fronteira entre a Rússia e a Ucrânia.

No mesmo post, Moscou reiterou que não pretende atacar ninguém e que a movimentação de tropas em seu próprio território é um direito soberano. Além disso, reiterou o pedido para que os EUA interrompam o fornecimento de armas à Ucrânia e não realizem mais provocações contra os rebeldes em Kiev. 

A embaixada encerrou o texto indicando que “em vez disso, Washington deveria usar sua influência sobre as autoridades ucranianas para convencê-las a parar de sabotar os acordos de Minsk”.

Entenda a escalada da tensão:

Na terça (18), um alto funcionário do Departamento de Estado estadunidense afirmou que os EUA vão fornecer “material defensivo” adicional à Ucrânia, além dos já programados para entrega, caso a Rússia invada o país vizinho. O arsenal programado para envio inclui lançadores antitanque Javelin, armas pequenas, barcos e potencialmente sistemas antiaéreos portáteis Stinger.

“Demos mais assistência de segurança à Ucrânia no ano passado do que em qualquer momento desde 2014 e posso garantir que essas entregas estão em andamento e mais estão programadas para as próximas semanas”, disse o representante.

Fim da expansão para o leste e distância das fronteiras russas: conheça as demandas de Moscou à OTAN

A declaração foi feita após visita de um grupo bipartidário de legisladores dos EUA a Kiev na segunda-feira (17). Um dos membros da delegação, o senador estadunidense Richard Blumenthal, endossou as pretensões do país, informando que serão dadas aos ucranianos “as armas letais de que precisam para defender suas vidas e meios de subsistência”, além de sanções “econômicas incapacitantes” caso ocorra alguma invasão.

Além dos EUA, o Reino Unido também está fornecendo arsenal bélico à Ucrânia, como armas “defensivas de blindagem leve” e um pequeno número de tropas para ensinar ucranianos a usá-las, informou Ben Wallace, chefe da Defesa britânico. Wallace declarou, no entanto, que as forças britânicas se limitaram a “ajudar a Ucrânia a se ajudar”, sem entrar em seu território. Ainda segundo ele, “a Rússia tem as maiores Forças Armadas da Europa” e a Ucrânia “não é membro da OTAN”.

Assista na TV Diálogos do Sul

Segundo a agência Belta, há mais de 30 mil militares com equipamentos nas fronteiras de Belarus com a Polônia e os Países Bálticos, e que Varsóvia solicitou à OTAN a implementação de um sistema escalonado de logística e suporte técnico.

Diálogos entre Rússia, EUA e Otan

Entre os dias 9 e 10 de janeiro, houve negociação entre Rússia e EUA em Genebra. Mesmo antes do início dos diálogos, os EUA consideraram partes do documento inaceitáveis. Já a Rússia frisou que aquele não era um ultimato, mas que não aceitaria concessões unilaterais, especialmente sob pressão.

Dois dias depois, na quarta-feira, representantes de OTAN e Rússia se reuniram para discutir propostas de garantias para salvaguardar a segurança no continente europeu. Já no mês passado, Moscou entregou projetos à organização solicitando garantias sobre militares e equipamentos, além do não avanço de tropas nas proximidades das fronteiras russas.

Na segunda (17), um novo projeto de acordo para reformular a segurança europeia foi publicado pela Rússia, propondo novamente o fim da expansão da OTAN para o leste, incluindo a Ucrânia, e o não posicionamento de mísseis, armas nucleares ou meios militares na região.

Em confrontação direta com os EUA, Putin quer garantias do fim da expansão da OTAN ao leste

Putin e outros funcionários do governo do país têm levantado preocupações sobre a construção de instalações de defesa antimísseis dos EUA na Polônia e na Romênia, que poderiam ser facilmente convertidas para disparar mísseis de cruzeiro nucleares Tomahawk sobre uma grande parte do território russo.

Rússia responde às ofensivas

Por outro lado, o presidente de Belarus, Aleksandr Lukashenko, disse, na segunda-feira (17), que o aumento de tropas estrangeiras perto de fronteiras do país exige “resposta objetiva”: 

“Os militares russos e de Belarus demonstraram, de forma clara e coerente, seu treinamento, conduziram seus exercícios com perfeição e depois retornaram aos seus desdobramentos permanentes”, comentou o embaixador russo, Peskov. No final de novembro, ele disse que a Rússia deveria implantar ogivas atômicas no território de seu país se as armas nucleares da OTAN avançassem para o leste através da Europa.

Alto funcionário admite que a assistência bélica de Washington é a maior desde 2014, enquanto Moscou exige fim da expansão da OTAN rumo às suas fronteiras

Arte: Diálogos do Sul
Os EUA informaram que a Rússia pode esperar uma forte resposta caso Moscou tome alguma ação agressiva contra Washington.

Além disso, Peskov informou que os Sistemas Portáteis de Defesa Aérea (MANPADS), em particular, eram uma categoria de armas regulamentadas pelo direito internacional.

Instalações militares russas na América Latina

Em outra frente da disputa, o porta-voz presidencial russo, Dmitry Peskov, declarou na última segunda (17) que “no contexto da situação atual, a Rússia está pensando em como garantir a sua própria segurança”, quando questionado sobre o possível posicionamento de mísseis em Cuba e Venezuela

Na ultima quinta-feira (13), Sergei Ryabkov, vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, não confirmou, mas também não excluiu essa possibilidade.

Em resposta, a embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, Linda Thomas-Greenfield, informou que a Rússia pode esperar uma forte resposta caso Moscou tome alguma ação agressiva contra Washington. “Eu sei que eles estão tentando responder de forma a intimidar o mundo, mas não nos deixaremos ser intimidados, nem permitiremos que a Ucrânia seja intimidada para comprometer sua própria segurança”, disse a embaixadora.

Apesar de definir a possível instalação de tropas e armas russas no quintal dos EUA como uma ação agressiva, Linda Thomas-Greenfield não esclareceu como o posicionamento da OTAN e EUA nas fronteiras russas não se configura da mesma forma.

*Com informações da Sputnik.

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Guilherme Ribeiro Jornalista graduado pela Unesp, estudante de Banco de Dados pela Fatec e colaborador na Revista Diálogos do Sul.

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