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“Tiro no pé”, mentiras e falta de resposta: um balanço de Bolsonaro no último debate

Sem ter o que falar, candidato repetiu exaustivamente a acusação de que Lula é mentiroso e ocupou o tempo falando da Nicarágua e da Venezuela
Claúdio di Mauro
Diálogos do Sul Global
Uberlândia (MG)

Tradução:

No debate da TV Bandeirantes, Bolsonaro fez questão de argumentar que em seu governo não houve desmatamento na Amazônia.

Só essa postura já serviu para mostrar como ele afirma qualquer coisa para se livrar de problemas. Sugeriu que as pessoas procurassem as informações no Google. Correu risco.

As pessoas que procurarem no Google sobre desmatamento certamente encontrarão matérias em que ele demitiu o Presidente do INPE, Ricardo Galvão, pelo fato das demonstrações, com dados e imagens, de que houve um descontrole sobre queimadas e desmatamentos, privilegiando madeireiros. Além de ataque bruto a áreas destinadas aos povos originários e Nações indígenas.

Bolsonaro, com seu Ministro Salles, foram imenso desastre para a preservação da Amazônia. Atacaram os servidores públicos responsáveis pela fiscalização, demitiram pessoal, retiraram o apoio eos equipamentos que tais servidores tinham para agir contra os criminosos.

Portanto, pedir para consultar o Google foi mais um “tiro no pé” contra seus próprios interesses de enganar os incautos.

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Quem tiver interesse em conhecer as verdades sobre o desmatamento na Amazônia, poderá procurar sim no Google, acionando o nome do Professor Doutor Ricardo Galvão, ex-Presidente do INPE, responsável pelo acompanhamento dessas depredações.

Sobre a covid-19 e as vacinas, Lula foi incisivo. Bolsonaro preferiu mentir que não havia vacinas para comprar. Não aceita que ridicularizou as pessoas que estavam com dificuldades para respirar, algo inusitado para um Presidente da República. Desrespeitou os doentes, seus familiares e, infelizmente, muitos dos quais foram a óbito.

Assista na TV Diálogos do Sul

Ficou em sua conta pelo menos metade das mortes por covid-19, tendo em vista o desrespeitoso atraso na compra das vacinas e os argumentos de que vacinados poderiam virar “jacaré” ou poderiam contrair “AIDS”.

Isso seria a conduta esperada para um Presidente da República? Certamente que não!

E a história da Transposição de águas do Rio São Francisco ?

Ficou evidente que 88% das obras de engenharia do canal que leva água para o Nordeste ocorreram durante os governos Lula e Dilma. Quando Bolsonaro indaga, faltavam apenas 2,5% para concluir, e qual foi o motivo de não ter concluído?

Simples: obras de grande porte devem ser realizadas com o tempo e ter continuidade em diversos governos que se sucedem.

MAS, quando Lula indaga, afinal, “você acha que algum nordestino vai acreditar que a obra de levar água do Rio São Francisco para o Nordeste é obrasua?”, fica sem resposta. Assim como quando Lula indaga: “Quantas Universidades e Institutos de Pesquisa você implantou?”. Também fica sem resposta.

Certamente os nordestinos votaram em Lula no I Turno justamente pelo fato de reconhecerem a dedicação de seu governo para com os povos da região.

Todos esperavam que Lula usasse a frase “pintou um clima” durante o debate, para jogar Bolsonaro na lona definitivamente.

Sem ter o que falar, candidato repetiu exaustivamente a acusação de que Lula é mentiroso e ocupou o tempo falando da Nicarágua e da Venezuela

Palácio do Planalto – Flickr

É simples entender que para quem defende tortura, povo armado, golpe no STF, não há o que argumentar

Lula com mais elegância afirmou que Bolsonaro precisou acordar 1h da manhã para postar mensagem nas redes sociais tentando justificar sua frase “pintou um clima”.

Com habilidade, Lula colocou o tema de maneira cuidadosa e Bolsonaro sentiu a “pancada”.

Lula também não usou a gravação, divulgada, de Damares sobre tráfico de crianças, uso de criancinhas para sexo oral e anal. Afinal, Damares era Ministra do governo Bolsonaro… o que fizeram contra isso? Quais foram as providências adotadas? Prevaricaram? Foram aliados dos criminosos ou Damares mentiu?

Esses temas certamente ficarão para o último debate na Rede Globo. Bolsonaro e Damares nunca se preocuparam efetivamente com as crianças, com essas famílias?

E o tratamento do Salário Mínimo? Como ocorreu a comparação entre os governos Lula e Bolsonaro?

Enfim, muitos foram os temas abordados. Mas é simples entender que para quem defende tortura, povo armado, golpe no STF, não há o que argumentar. São pessoas que se identificam com Bolsonaro e o imenso retrocesso promovido contra o Estado Democrático de Direito, acompanhadas dos lavajatistas.

Eleições 2022: Quem considera que política não se discute quer que tudo continue como está

Lula administrou mal seu tempo final, deixando quase 6 minutos para que Bolsonaro aproveitasse para derrubá-lo, encerrando o combate. Ao contrário, Bolsonaro não soube ou não tinha mais o que fazer ou dizer. Repetiu exaustivamente a acusação de que Lula é mentiroso e ocupou o tempo falando da Nicarágua e da Venezuela.

Por fim, Lula conquistou 1 minuto em “direito de resposta” e pôde terminar o debate com pompa e gala. Foi de fato o melhor que poderia acontecer para o ex-Presidente.

Agora vamos acompanhar as repercussões do debate da Band e aguardar o debate que será promovido pela Rede Globo. Mesmo assim, a disputa nas ruas e praças continuará mostrando as disputas de espaço e determinação das candidaturas.

E que o Brasil, com seu povo, seja verdadeiramente vencedor.

Cláudio Di Mauro | Geógrafo e colunista na Diálogos do Sul.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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