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Trump ecoa Hitler ao atacar mexicanos e Biden mantém ofensiva anti-imigrantes

Críticas se intensificaram e se multiplicaram durante as últimas 48 horas, com críticos acusando declarações de conotações fascistas.
David Brooks
La Jornada
Nova York

Tradução:

O repúdio às declarações anti-imigrantes de Donald Trump por um crescente coro de políticos democratas, defensores de direitos humanos e imigrantes, incluiu acusações de empregar retórica “hitlerista” ao reiterar que os indocumentados estão “envenenando o sangue do país”. No entanto, a liderança democrata segue negociando medidas anti-imigrantes do mesmo tipo que foram usadas sob o governo desse ex-presidente.

Enquanto isso, os republicanos continuam com sua ofensiva anti-imigrantes com a promulgação no Texas de uma lei extremista que poderia resultar em prisões em massa daqueles que ingressam do México sem documentos. Trump, continuando com seu talento de captar atenção, reiterou no último sábado (16) em um comício em Nova Hampshire que os imigrantes indocumentados “estão invadindo” os Estados Unidos “e envenenando o sangue de nosso país”.

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Essa frase já havia provocado condenações de uma ampla gama de críticos durante as últimas semanas, mas estas se intensificaram durante as últimas 48 horas, com críticos acusando-a de ter uma conotação fascista. No entanto, para outros, era apenas uma modificação de sua retórica anti-imigrante com a qual ele estreou sua primeira campanha eleitoral em 2016, culminando com sua conquista da Casa Branca.

Sua frase agora acompanha propostas de campanha para enviar milhares de soldados para selar a fronteira com o México, construir uma rede de acampamentos de detenção em massa de imigrantes e lançar uma operação de deportação sem precedentes. A Casa Branca declarou que “fazer eco da retórica grotesca de fascistas e supremacistas brancos violentos… são ataques perigosos à dignidade e aos direitos de todos os estadunidenses, à nossa democracia e à segurança pública”, segundo a mensagem do porta-voz Andrew Bates.

Biden, sem mencionar seu provável oponente na eleição presidencial de 2024, comentou no fim de semana que “hoje, há aqueles que continuam demonizando os imigrantes e abanam as chamas da intolerância. Está errado”. Em resposta à acusação de que Trump usou essa mesma frase, Biden apontou que era um “eco das mesmas frases que se usavam na Alemanha nazista”.

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Críticas se intensificaram e se multiplicaram durante as últimas 48 horas, com críticos acusando declarações de conotações fascistas.

Esquire
Cresce o repúdio a declarações ‘hitlerista’ de Trump contra imigrantes

“Desumanizante e fascista”

A presidenta do Caucus Progressista do Congresso, Pramila Jayapal, composto com mais de 100 legisladores federais, declarou que a retórica de Trump “é desumanizante e fascista”, resumindo as denúncias de um amplo coro de críticos. O comentarista e condutor de noticiários da MSNBC disse em X (antes Twitter) que “é o clássico Trump: diz algo louco ou atroz, tipo neonazista e obtém titulares, gera denúncias.

Espera um pouco, diz de novo, e ninguém se dá conta, não se cobra, se normaliza… Sejamos claros: migrantes ‘envenenando o sangue’ é retórica hitlerista”. Talvez Trump seja um pouco mais “hitlerista” ao usar algumas frases particulares que têm ressonância com neofascistas e outros supremacistas brancos que sempre fizeram parte de suas bases, mas sua mensagem anti-imigrante foi constante desde sua primeira campanha, a qual começou com um ataque particularmente destinado contra imigrantes mexicanos.

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No domingo, ele continuou com a mesma mensagem em um par de comícios, acusando que “isto é uma invasão, é como uma invasão militar. Drogas, criminosos, membros de quadrilhas e terroristas estão invadindo nosso país em níveis recordes. Nunca, vimos algo assim. Estão tomando nossas cidades”.

Em outro evento, afirmou que tão logo ganhe a presidência, imediatamente “começaremos a parar as hordas de imigrantes ilegais que estão atravessando nossa fronteira por centenas de milhares”. Trump e seus estrategistas, junto a sua competição para a candidatura republicana dentro de seu partido, continuam apostando que esta retórica será efetiva para seus fins eleitorais, e por ora estão comprovando isso ao ‘direitizar’ o debate nacional sobre migração.

Continua após o banner Além disso, conseguiram colocar Biden e os democratas na defensiva sobre o tema migratório a tal ponto que a Casa Branca agora está negociando com a liderança republicana do Congresso para aceitar medidas anti-imigrantes do tipo que Trump utilizou na fronteira, incluindo anular efetivamente o direito ao asilo, a deportação “expedita”, detenções em massa e mais, em troca da aprovação da assistência militar para a Ucrânia e Israel.

Ou seja, na prática, a Casa Branca e uma parte da liderança democrata, enquanto denunciam a retórica, estão dispostos a ceder diante da ofensiva anti-imigrantes dos republicanos e seu líder.

Ofensiva texana

No Texas, os republicanos não cessam em sua ofensiva anti-imigrante. Nesta segunda-feira, o governador do Texas, Greg Abbott, promulgou uma medida que poderia ser a lei anti-imigrante mais extremista do país, a qual, entre outras coisas, autoriza as forças de segurança pública estaduais e locais a prender qualquer um que esteja sob suspeita de ser migrante indocumentado, obriga a que a pessoa mostre sua documentação e outorga fundos para mais barreiras fronteiriças.

A lei, que poderia entrar em vigor em março, é um desafio às autoridades federais e ao governo de Biden, já que o manejo migratório é supostamente de responsabilidade do governo federal. Mais de 20 legisladores federais, incluindo os texanos Joaquín Castro, Greg Casar, Verónica Escobar, além da presidenta do caucus Hispano e Jesús Chuy García, entre vários outros, apelaram ao Departamento de Justiça para que busque uma ordem judicial para frear sua implementação.

No meio de tudo isso, e sem nenhum sinal de haver algo um pouco irônico no fato, o Departamento de Estado reconheceu o “Dia Internacional do Migrante”, afirmando que “é crucial que os países ampliem as vias legais, protejam os migrantes vulneráveis, favoreçam a inclusão e impulsionem políticas e processos para promover uma migração segura, ordenada e humana” e, sem titubear, afirmou que os “Estados Unidos estão decididos a liderar esses esforços a nível mundial”.

David Brooks e Jim Cason | La Jornada, especial para Diálogos do Sul – Direitos reservados.
Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
David Brooks Correspondente do La Jornada nos EUA desde 1992, é autor de vários trabalhos acadêmicos e em 1988 fundou o Programa Diálogos México-EUA, que promoveu um intercâmbio bilateral entre setores sociais nacionais desses países sobre integração econômica. Foi também pesquisador sênior e membro fundador do Centro Latino-americano de Estudos Estratégicos (CLEE), na Cidade do México.

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