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Ucrânia diz que Putin é alvo nº 1 em lista para assassinar, e Rússia declara: "regime terrorista"

“Ante a grave escalada de ameaças nas fronteiras ocidentais das Rússia e da Bielorrússia, foi tomada a decisão de responder com medidas militares de caráter nuclear”
Juan Pablo Duch
La Jornada
Moscou

Tradução:

O Kremlin qualificou nesta quinta-feira (25) de “regime terrorista” a Ucrânia por tornar público que o presidente Vladimir Putin encabeça a lista, como “alvo número 1”, de funcionários e militares russos que a inteligência militar ucraniana têm intenção de matar.

“O regime terrorista anuncia seus planos terroristas”, comentou à imprensa Dmitri Peskov, o porta-voz da presidência russa, e agregou que os serviços de segurança sabem fazer bem seu trabalho. 

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Peskov fez referência assim à recente entrevista que Vadym Skibitsky, subchefe da inteligência militar ucraniana, concedeu ao diário alemão Die Welt, na qual falou de uma lista de russos que Kiev quer matar. Nessa lista, precisou Skibitsky, “Putin, que toma as decisões, é o alvo número um” e também figuram “todos os que coordenam as ações bélicas contra a Ucrânia”.

Por razões como esta, afirmou o porta-voz do Kremlin, “a operação militar especial (OME) é mais que necessária, está mais que justificada e deve prosseguir até alcançar todas as metas fixadas”.

Rússia: Ameaça da Ucrânia de “matar russos em qualquer parte do mundo” terá resposta

O ministro de Defesa russo, Serguei Shoigu, e seu colega bielorrusso, Viktor Jrenin, firmaram em Minsk “os documentos que regulam o armazenamento de armas nucleares não estratégicas russas em instalações especiais no território da Bielorrússia”, de acordo com um comunicado do escritório do anfitrião. 

Trata-se das ogivas nucleares táticas que o presidente Vladimir Putin e seu colega bielorrusso, Aleksandr Lukashenko, em 25 de março anterior, acordaram instalar no território da Bielorrússia, embora a firma desta quinta-feira não signifique que as armas nucleares já se encontram em solo bielorrusso, mas só que já foram cumpridas as formalidades para que Moscou às instale quando considerar oportuno.

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“Ante a grave escalada de ameaças nas fronteiras ocidentais das Rússia e da Bielorrússia, foi tomada a decisão de responder com medidas militares de caráter nuclear”, reiterou o ministro da Defesa russo na capital bielorrussa.

“Ante a grave escalada de ameaças nas fronteiras ocidentais das Rússia e da Bielorrússia, foi tomada a decisão de responder com medidas militares de caráter nuclear”

Foto: Ilya Pitalev
Putin, em uma reunião com o presidente do Azerbaijão Ilham Aliyev e o primeiro-ministro da Armênia Nikol Pashinyan

Shoigu voltou a insistir na cerimônia da firma: A Rússia não transfere armas nucleares à República da Bielorrússia. O controle sobre elas e a decisão sobre seu uso são responsabilidade exclusiva da Rússia”. 

Para ele, segundo as agências noticiosas, “esta decisão (de instalar armas nucleares) cumpre todas as obrigações legais internacionais existentes” ou, dito de outra forma, não viola o regime de não proliferação das armas nucleares. 

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E Bakhmut, onde há dias cessaram os combates no núcleo urbano e se mantêm só em seus flancos, voltou a ser notícia nesta quinta-feira por duas razões. 

A primeira, que os mercenários do Grupo Wagner começaram a transpassar ao exército regular da Rússia suas posições em Bakhmut, operação que deve ser concluída em 1º de junho, confirmou o dono dessa companhia militar privada em um vídeo distribuído por seu serviço de imprensa. 

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“Para o 1º de junho, a maior parte estará concentrada nos acampamentos da retaguarda, mas se os militares vão ter dificuldades, deixaremos aqueles que desempenharam o papel principal na tomada de Bakhmut. (…) Vamos descansar e nos prepararmos para receber uma nova missão”, disse Prigozhin.

Aleksandr Kovalenko, especialista militar ucraniano, crê que o Grupo Wagner não se retirará de Bakhmut, pois – sustenta – o exército russo não tem com que substituir os mercenários e se mandarem parte das tropas que agora protegem os flancos da cidade ou, por exemplo, desde Avdiivka ou Vuhledar, só teriam um problema maior que o que querem resolver. 

Guerra na Ucrânia passa de 1 ano sem prazo pra acabar. Já entendeu os motivos do conflito?

A segunda razão, se produziu um intercâmbio de prisioneiros de guerra, o qual em palavras de Andriy Yermak, titular do escritório da presidência ucraniana – beneficiou 106 militares que, nos meses anteriores, participaram na defesa de Bakhmut. “Entre os liberados, há pessoas que haviam sido dadas por desaparecidas. Todos – 8 oficiais e 98 soldados – são verdadeiros heróis, apontou Yermak.

Por sua parte, os canais de notícias no Telegram controlados por Prigozhin mostraram um vídeo do intercâmbio de prisioneiros, em que o dono do grupo Wagner recebe seus combatentes liberados, ao mesmo tempo que até passada as 11 da noite de quinta-feira, o ministério da Defesa não havia feito nenhum comentário sobre a troca.

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A comissionada russa para os direitos humanos, Tatiana Moskalkova, sem precisar os detalhes, publicou esta breve mensagem no Telegram: “Hoje (quinta-feira) o grupo Wagner levou a cabo um intercâmbio de prisioneiros. Felicidades a nossos rapazes pelo seu regresso à pátria. Desejo a eles e suas famílias o melhor”.

Juan Pablo Duch | La Jornada, especial para Diálogos do Sul. Direitos reservados.
Tradução: Beatriz Cannabrava.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Juan Pablo Duch Correspondente do La Jornada em Moscou.

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