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Voto da Argentina sobre Venezuela causou forte impacto na coalizão de apoio a Fernández

A notícia sobre a posição assumida pela Argentina originou uma série de comunicados, além da renúncia da designada embaixadora ante a Rússia, Alicia Castro
Stella Calloni
Diálogos do Sul
Buenos Aires

Tradução:

O voto da Argentina em Genebra acompanhando a resolução sobre a Venezuela, impulsionada pelo Grupo de Lima e os países europeus no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas causou um forte impacto nos organismos e setores políticos do oficialista Frente de Todos, que reclamaram por essa situação.

Em momentos que se desenvolve aqui a reunião de uma Comissão do Fundo Monetário Internacional (FMI) a notícia sobre a posição assumida pela Argentina originou uma série de comunicados, além da renúncia da designada embaixadora ante a Rússia, Alicia Castro, que o Presidente Alberto Fernández pediu que reconsiderasse, em uma conversa telefônica na qual falaram sobre o tema do voto. 

O Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou na terça-feira (6) uma resolução que critica o que define como uma perseguição política “generalizada” na república bolivariana, e aprovou a extensão por dois anos de sua missão nessa nação, por 22 votos a favor, três em contra e 22 abstenções.

A notícia sobre a posição assumida pela Argentina originou uma série de comunicados, além da renúncia da designada embaixadora ante a Rússia, Alicia Castro

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A notícia sobre a posição assumida pela Argentina originou uma série de comunicados.

“Ratificamos nosso compromisso com os Direitos Humanos, a autodeterminação dos povos e a soberania dos Estados. Os problemas da Venezuela não se resolvem com bloqueios nem condenações, mas sim com cooperação e assistência recíproca. A Argentina tem uma trajetória de política exterior que com o acompanhamento desta resolução resulta manchada”, reclamaram os representantes de Compromiso Federal, Proyecto Sur, El Manifiesto Argentino, assim como o chamado Espacio Puebla, o Partido Comunista e outros, todos integrantes da aliança oficialista.

Por sua parte, Castro que escreveu uma carta com a sua posição sustentou que durante o intercâmbio telefônico com o presidente Fernández “ele me pediu que reveja a decisão que tomei”. 

Castro foi deputada nacional, embaixadora na Venezuela no governo de Néstor Kirchner e na Grã Bretanha, sob o governo de Cristina Fernández de Kirchner onde fez um forte trabalho com os setores culturais e os sindicatos do lugar no tema da defesa da soberania argentina nas Ilhas Malvinas. 

Também afirmou que em nenhum momento o governo pediu de renunciasse, “nem houve sugestão alguma”, e embora ela tenha explicado seu desacordo com a política de relaciones exteriores nesta instancia, pelo que não lhe parecia correto assumir o cargo de embaixadora. Em sua carta de renúncia agradeceu à vice-presidenta Fernández de Kirchner “por haver-me honrado com a designação como embaixadora na Rússia”. 

Fontes próximas à chancelaria recordaram que a Argentina rechaça qualquer tipo de intervenção e ingerência estrangeira; destaca o respeito à livre determinação dos povos e apoia o diálogo e a resolução pacífica do conflito, como expressou em seu documento sobre a Venezuela. Recordou-se também que este governo não reconheceu Juan Guaidó como “presidente” autoproclamado da Venezuela  e se negou a aceitar, como havia feito seu antecessor, a “nomeação” de uma embaixadora, Elsa Trotta, que havia sido admitida ilegalmente pela chancelaria a cargo de Jorge Faurie, o ministro do Exterior de Mauricio Macri.

Personalidades como o prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel, ou Hebe de Bonafini, intelectuais  e diversos sectores se expressaram contra o voto a favor dessa resolução e as organizações populares da frente oficialista se expressaram em solidariedade com a Venezuela, no mesmo espaço em que defendem este governo contra as tentativas de desestabilização encabeçada por Propuesta Republicana (PRO), o partido de Macri sob a direção da ex-ministra de Segurança, Patricia Bullrich,  a quem se assinala como uma das “cabeças” das operações “de guerra suja” contra o governo.

Tema do dia

Um dos temas mais urticantes deste dia foi que a Sociedade Rural, o bastião da direita pró-ditaduras no país vaio a público neste dia diante da declaração do deputado Carlos Heller, dirigente do Banco cooperativo Credicop, o qual fundamentou o motivo pelo qual era importante um imposto às grande riquezas do país para ajudar na pandemia e na recuperação nacional.

Imediatamente a Sociedade Rural armou uma campanha pedindo que os produtores rurais fechem suas contas neste banco com uma história exemplar no país. O ataque foi acompanhado por uma campanha da opositora Cambiemos através das redes, que foi rechaçado por milhares de produtores que têm suas contas há vários anos neste banco. 


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Stella Calloni Atuou como correspondente de guerra em países da América Central e África do Norte. Já entrevistou diferentes chefes de Estado, como Fidel Castro, Hugo Chávez, Evo Morales, Luiz Inácio Lula da Silva, Rafael Correa, Daniel Ortega, Salvador Allende, etc.

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