Pesquisar
Pesquisar

Alarme mundial: fome provocada pelo neoliberalismo mata mais que coronavírus

A desnutrição mata 17.000.000 de pessoas por ano, o que corresponde a 46.575 pessoas, a cada dia, das quais 8.500 crianças de até 15 anos por causas preveníveis

Juan Verástegui Vásquez
Diálogos do Sul Global
Buenos Aires

Tradução:

Há um alarme mundial sobre o coronavírus, e não é, pois, de nenhuma maneira para ser ignorado. São extremadas as medidas para sufocar esta pandemia. O mundo quase tem se isolado. Em nosso país foram extremadas as medidas, tendo até toque de recolher. 

Porém, chama poderosamente a atenção que a imprensa nacional e internacional não o recolha e não haja um alarme, nem que aos governantes de turno lhes inquiete, outro fenômeno muitíssimo mais dramático e mais indignante: As mortes por fome e desnutrição.

5385b967 b133 42f4 be9c 08bfa842469b

Efetivamente: 

  • O coronavírus, desde seu aparecimento na China (01.12.2019) até a atualidade (aproximadamente) tem um tempo de duração de 4 meses e provocou 18.700 mortes; ou seja, em quatro meses causou 156 mortes por dia, em média. 

  • A fome mata 17.000.000 (dezessete milhões) de pessoas por ano, o que corresponde a 46.575 (quarenta e seis mil, quinhentos e setenta e cinco) pessoas, a cada dia.

  • Significando, então que a fome mata 29.756% (vinte e nove mil, setecentos e cinquenta e seis por cento) mais que o coronavírus.

  • Morrem, a cada dia, por desnutrição 8.500 (oito mil quinhentas) crianças de até 15 anos (2017) por causas preveníveis, mas não há dinheiro (Unicef, Banco. Mundial, OMS, e a Divisão de População das Nações Unidas).

  • O que quer dizer que morrem por desnutrição 5.349% (cinco mil e trezentos e quarenta e nove por cento) mais crianças que pelo coronavírus.

A desnutrição mata 17.000.000 de pessoas por ano, o que corresponde a 46.575 pessoas, a cada dia, das quais 8.500 crianças de até 15 anos por causas preveníveis

ONU
Esta iniquidade e injustiça é consequência de que nos impuseram (em todo o mundo) um modelo econômico brutal e feroz: o neoliberalismo

De acordo com a FAO, na atualidade são produzidos alimentos para nutrir 12 bilhões de pessoas em um planeta habitado por 7,5 bilhões, o que significa que o mundo produz quase duas vezes mais do que se requer de alimentos. Ninguém deve morrer de fome! 

Argentina produz  alimentos para 410 milhões de pessoas, sendo o terceiro produtor mundial de mel, soja, alho e limão; o quinto de maçãs; o sétimo de trigo e azeites; o oitavo de amendoim; no entanto, entre um e três milhões de argentinos passavam fome e o presidente neoliberal Mauricio Macri não pode alimentar a décima parte de sua população. 

d37cb29e d5ec 4dab ab23 62372a0f3b1f

O mais rico do mundo pode gastar um milhão de dólares diários durante mais de três mil anos e ainda lhe sobraria sua riqueza. 1% da população mais rica do mundo tem riqueza equivalente à pobreza de 99% da população mais pobre. Estas desigualdades não são precisamente por meritocracia, produtividade, gerência; são consequências de lobbys, monopólios, salários paupérrimos, heranças, Panamá Papers, etc.

Toda esta iniquidade e injustiça é consequência de que nos impuseram (em todo o mundo) um modelo econômico brutal e feroz: o neoliberalismo. Se queremos arrastá-lo por 500 anos mais, continuemos elegendo aqueles que nos matam de fome e nos roubam. 

 

Juan Verastegui Vásquez é colaborador da Diálogos do Sul desde Buenos Aires

Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

Veja também

aab9be8f 6a3d 4705 a2f5 d07184a37734


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Juan Verástegui Vásquez

LEIA tAMBÉM

Cuba
Com tecnologia própria, Cuba recupera incubadoras que salvam bebês prematuros
Sanções contra Cuba Trump reduz esperança de vida de crianças com câncer (4)
Como sanções de Trump contra Cuba atingem esperança de vida de crianças com câncer
Cuidados de longo prazo os desafios da América Latina para garantir o bem-estar dos idosos
Cuidados de longo prazo: os desafios da América Latina para garantir o bem-estar dos idosos
Agên
Dia de Zumbi e da Consciência Negra: um olhar sobre o direito a saúde e cidadania nos quilombos