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Biden adota medidas para ampliar acesso à saúde para “desfazer o dano” feito por Trump

Acesso a serviços de saúde; inimigos ‘entre’ as filas do Congresso e confirmação do pior ano do crescimento econômico desde a Segunda Guerra Mundial
David Brooks
La Jornada
Nova York

Tradução:

O presidente Joe Biden, como parte de sua ofensiva política inicial em seus primeiros 10 dias, dedicou-se na última sexta-feira (29) ao acesso aos serviços de saúde tanto dentro como fora dos Estados Unidos, enquanto a liderança democrata no Congresso deplorou os “inimigos” da democracia dentro da legislatura; e dados oficiais confirmaram que 2020 foi o pior ano em crescimento econômico desde a Segunda Guerra Mundial.

Biden, ao afirmar que continuava com o esforço para “desfazer o dano feito por Trump”, assinou duas ordens executivas para ampliar o acesso a serviços de saúde nos Estados Unidos, que inclui a anulação de limites impostos pelo governo de Donald Trump à reforma de saúde de Barack Obama. Também anulou a medida impulsionado por seu antecessor proibindo o uso de fundos de assistência internacional dos Estados Unidos para serviços, entre eles para informação geral sobre o aborto e restaurar o financiamento ao Fundo de População da Organização das Nações Unidas. 

Por sua vez, a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, confirmou que a Casa Branca deseja que todo habitante dos Estados Unidos tenha acesso às vacinas contra a Covid-19, incluindo imigrantes indocumentados.  

Em torno à mudança em políticas, Psaki ofereceu uma resposta ambígua à pergunta sobre mudanças em outros campos como a política para Cuba, e afirmou: “nossa política sobre Cuba está governada por dois princípios: primeiro, apoio à democracia e aos direitos humanos, isso estará no centro de nossos esforços; o segundo é que os estadunidenses, especialmente os cubano-estadunidenses, são os melhores embaixadores para a liberdade em Cuba”. Agregou que serão avaliadas as políticas do governo de Trump, e assegurou que “tomaremos nosso próprio caminho”. Não ofereceu maiores detalhes.

Acesso a serviços de saúde; inimigos ‘entre’ as filas do Congresso e confirmação do pior ano do crescimento econômico desde a Segunda Guerra Mundial

La Jornada
O presidente dos Estados Unidos Joe Biden assinou duas ordens executivas relacionadas aos serviços de saúde

Legisladores delinquentes

Enquanto isso, continuam as tensões entre legisladores a um par de semanas do julgamento político de Trump por “incitação à insurreição” contra o governo dos Estados Unidos.  

A presidenta da câmara baixa, a democrata Nancy Pelosi declarou nesta quinta-feira que são requeridas mais medidas de segurança já que legisladores enfrentam ameaças de violência de um “inimigo” dentro das filas legislativas, agregando que “isso significa que temos membros do Congresso que desejam trazer armas para o plenário e que ameaçaram com violência outros membros do Congresso”. 

Embora não a tenha nomeado nesse contexto, o comportamento e declarações da deputada republicana novata Marjorie Taylor Greene, que tem expressado apoio às conspirações promovidas pelo grupo direitista QAnon e também declarou que os tiroteios em massa em escolas foram representados e são fictícios, têm gerado demandas por sua renúncia ou pelo menos uma condenação oficial por suas afirmações. 

Ativistas jovens sobreviventes do tiroteio em uma escola na Flórida onde 14 de seus companheiros e três professoras pereceram por balas, e que criaram a organização nacional de Marcha por nossas vidas, a favor do controle de armas, divulgaram vídeos em que Greene os perseguiu em 2019 quando estavam visitando legisladores no Congresso, acusando-os de ser “covardes” e inventar a tragédia. Eles e pais de vítimas demandaram que a deputada, que foi designada a um posto no Comitê de Educação, seja expulsa do Congresso. 

A respeito e quando lhe perguntaram sua opinião sobre o caso de Greene, Pelosi declarou que é “absolutamente atroz” que os republicanos tenham instalado essa deputada no Comitê de Educação, algo que “mostra o desdém [dos líderes republicanos] pela morte dessas crianças”. 

Ao mesmo tempo, quando a deputada progressista Alexandra Ocasio-Cortez expressou que devem ser examinadas as regulamentações que estão sendo empregadas para atividades especulativas na Bolsa de Valores, o senador republicano conservador Ted Cruz, um dos líderes do esforço para descarrilar os resultados da eleição presidencial no dia do assalto contra o Capitólio, tuitou que estava de acordo com Ocasio-Cortez. Mas imediatamente a deputada rechaçou essa expressão bipartidária de um legislador que havia desejado sua morte. “Estou contente de trabalhar com republicanos sobre esse tema… mas o senhor quase ordenou meu assassinato há três semanas, então fique fora disso”, tuitou. Agregou:” se quer ajudar, renuncie”.  

Um homem de 71 anos foi detido hoje perto da vala de segurança em redor do Capitólio depois que foram encontradas duas armas de fogo e munições não registradas em seu automóvel e propaganda denunciando o “roubo” da eleição. 

Crise econômica

Por outro lado, foi confirmado oficialmente que a economia estadunidense padeceu seu pior ano desde a Segunda Guerra Mundial, ao se contrair 3,5 por cento em 2020.

O governo de Biden usou a notícia para argumentar a favor de seu pacote de 1,9 trilhões de dólares para resgate e estímulo econômico e de controle da pandemia que está no Congresso e que os democratas desejam promover na próxima semana. “A mensagem é clara. Sem ação rápida, arriscamos uma continuação da crise econômica que fará mais difícil que os estadunidenses regressem ao trabalho e se recuperem. O custo da inação é demasiado alto”, afirmou Brian Deese, diretor do Conselho Nacional Econômico da Casa Branca.

Embora a recessão não tenha sido tão dramática como alguns prognosticavam, seus efeitos continuam gerando sofrimento sobretudo entre os mais vulneráveis. Desapareceram quase 10 milhões de empregos e uns 24 milhões de adultos enfrentam dificuldades para alimentar suas famílias. 

Vizinhos distantes

Enquanto isso, o líder da minoria republicana na câmara baixa, Kevin McCarthy, foi visitar o ex-mandatário em seu paraíso na Flórida, indicando que Trump ainda mantém seu poder sobre uma boa parte do Partido Republicano. Aí anunciou que Trump dará seu apoio a candidatos republicanos nas eleições intermediárias de 2022.

Mas nem todos estão felizes com a presença do ex-presidente na Flórida; vizinhos expressaram que preferem não ter nada a ver com o homem nem com seu nome.

O conselho de administração do complexo de condomínios conhecido como Trump Plaza em West Palm Beach votou unanimemente para remover o nome do ex presidente da propriedade, reportou o jornal local Palm Beach Post.

Mais os moradores do clube de luxo Mar-a-Lago de Trump nessa área estão contemplando tomar ações legais para evitar que essa seja sua residência pós presidencial permanente. No fim de semana passado, um avião pequeno com um cobertor que dizia o “pior presidente jamais” sobrevoou essa área.

E legisladores estaduais descartaram renomear o aeroporto de Palm Beach com o nome do ex-presidente. 

David Brooks, correspondente de La Jornada em Nova York

La Jornada, especial para Diálogos do Sul — Direitos reservados.

Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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David Brooks Correspondente do La Jornada nos EUA desde 1992, é autor de vários trabalhos acadêmicos e em 1988 fundou o Programa Diálogos México-EUA, que promoveu um intercâmbio bilateral entre setores sociais nacionais desses países sobre integração econômica. Foi também pesquisador sênior e membro fundador do Centro Latino-americano de Estudos Estratégicos (CLEE), na Cidade do México.

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