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Foto: ONU / Flickr

Comunidade do Caribe se reúne com nações para debater solução urgente para o Haiti

Calcula-se que no país há pelo menos 360 mil pessoas deslocadas de suas casas e cerca de cinco milhões precisando de ajuda humanitária para sobreviver
Redação IPS
IPS
Kingston

Tradução:

Ana Corbisier

Os governos membros da Comunidade do Caribe (Caricom) e outros da América e da Europa dedicaram-se, nesta segunda-feira (11), a estruturar uma solução de urgência ante a instabilidade política e a onda de violência desencadeadas no Haiti, que já enfrentava uma grave crise humanitária.

A reunião procura “acelerar uma transição política no Haiti mediante a criação de um colégio presidencial independente de base ampla”, afirmou em uma declaração o Departamento de Estado (chancelaria) dos Estados Unidos, ao anunciar a viagem de seu titular, Antony Blinken, para participar do encontro na capital da Jamaica.

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Também será examinada a proposta de criação de uma “Missão Multinacional de Apoio à Segurança”, com uma força militar e policial multinacional que ajude a conter as gangues que dominam grande parte do Haiti, e que seria integrada em primeiro lugar por efetivos do Quênia e de outros países africanos.

A criação desta força foi reclamada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, governos americanos e europeus, e pelo governo haitiano, dirigido pelo primeiro-ministro Ariel Henry, no poder desde julho de 2021, quando o presidente Jovenel Moïse foi assassinado.

Henry está em Porto Rico, impossibilitado de retornar ao Haiti após uma visita ao Quênia, devido grupos armados haitianos manterem sob cerco e constantes tiroteios o aeroporto de Porto Príncipe, o palácio do governo e outros edifícios públicos. O porto da capital foi saqueado em meio à onda de violência.

Protestos são cada vez mais violentos no Haiti

Desde final de fevereiro, explodiram violentos protestos reclamando sua renúncia, agravando a situação de insegurança, e uma coalizão de grupos irregulares, liderados pelo ex-policial de elite Jimmy Chérizier, mais conhecido por seu apelido de Babekyou, exigiu, com as armas na mão, a renúncia de Henry.

“Se o primeiro-ministro não se demitir, se a comunidade internacional continuar a apoiá-lo, vamos direto para uma guerra civil, que levará a um genocídio“, disse Babekyou ao encarar correspondentes de imprensa em meio às manifestações.

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As duas principais prisões foram assaltadas, sendo libertados cerca de 4.000 presos; os aeroportos estão fechados, postos de polícia foram queimados, dezenas de pessoas morreram, pelo menos 15.000 fugiram de suas casas nos últimos 10 dias, e as lojas e quiosques ficaram sem produtos na capital.

O país enfrenta escassez de comida e de água. A entidade que opera o bombeamento de água para a capital informou que 90% de suas estações estão em mãos das gangues e, além disso, não flui o combustível necessário para seu funcionamento.

Ajuda humanitária

Agências humanitárias das Nações Unidas entregaram, durante dois dias da semana passada, cerca de 50.000 refeições e, ainda, 300.000 litros de água a mais de 20.000 pessoas deslocadas que improvisaram refúgios em escolas e outros lugares em que buscam escapar da violência.

No total, calcula-se que no Haiti, um país de 27.800 quilômetros quadrados e 11,5 milhões de habitantes, há pelo menos 360.000 pessoas deslocadas de suas casas e cerca de cinco milhões precisando de ajuda humanitária para sobreviver. Umas 1.200 pessoas morreram assassinadas desde o começo deste ano.

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Uma declaração da Caricom antes de iniciar-se a reunião desta segunda-feira afirmara que, na busca de alternativas, “embora estejamos conseguindo um progresso considerável, os países envolvidos ainda não estão onde devem estar”.

Da reunião, dirigida pelo presidente da vez da Caricom, o guianês Irfaan Ali, participaram também enviados dos governos do Canadá, México e da União Europeia.

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
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