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Foto: Reprodução: livro “Cuba y su emigración, 1978: memorias del primer diálogo”

Como expatriados pós-1959 passaram de “gusanos” a defensores da Revolução Cubana

Entrevista com Raul Álzaga Manresa revela como a organização política dos emigrados durante a Revolução Cubana foi essencial para romper o estigma dos expatriados e estabelecer um ponto de inflexão na história do movimento a partir da realização do Diálogo de 1978
Gina Mardones
Diálogos do Sul
Havana

Tradução:

A história nacional da imigração cubana desempenha um papel transcendental desde a Guerra de Independência contra a Espanha (1898), quando o Movimento Mambise — ou independentistas cubanos — já projetava a construção de um povo com consciência de pátria, condição fundamental para concretizar a Revolução Cubana (1959), como afirmou Fidel Castro.

Nos marcos da Revolução, a onda migratória dos anos subsequentes assumiria um papel importante, porém ambíguo, de rompimento e continuidade com o senso histórico de nacionalismo delineado com a Revolta Mambise.

Em 1978, o amplo diálogo liderado por Fidel Castro a partir da iniciativa de alguns jovens emigrados estabeleceria um processo de reaproximação irreversível com La Comunidad – como ficaram conhecidos os cubanos residentes no estrangeiro.

Encontro de Fidel Castro com a Brigada Antonio Maceo, em 13 de janeiro de 1978 (Foto: Reprodução: livro “Cuba y su emigración, 1978: memorias del primer diálogo”)

Não por acaso, o primeiro grupo que desembarcou oficialmente e abriu caminho para o diálogo receberia o nome de Brigada Antonio Maceo, em homenagem a um dos principais generais do exército independentista cubano. Entre os jovens que empreenderam esforços para restabelecer o contato com Cuba estava Raul Álzaga Manresa, hoje com 74 anos e residente em Porto Rico.

Raul esteve de passagem por Havana no final de 2023 por ocasião da IV conferência La Nación y Emigración, realizada nos dias 18 e 19 de novembro. A presença dele, junto a outros compatriotas remanescentes da Brigada Antonio Maceo, endossa um processo político histórico no qual a emigração das décadas de 60 e 70 cumpriu um papel fundamental na construção de pontes em um contexto em que as tensões entre Cuba e EUA dividiam La Comunidad entre gusanos de um lado (contra revolucionários) e comunistas do outro.

Raul Manresa durante IV conferência La Nación y Emigración (Foto: Arquivo pessoal)

Desde os marcos da revolução, os EUA assumiram uma estratégia migratória de caráter agressivo e subversivo, que serviu para alimentar o sentimento de hostilidade dos expatriados em relação às suas origens, e assim utilizá-la como ferramenta de pressão política. 

Por sua vez, Cuba reagiu em defesa da segurança nacional. Como resultado das inúmeras insurreições desestabilizadoras da contra revolução, o governo endureceu as políticas migratórias orientadas sobretudo ao rompimento com os emigrados e ao estabelecimento de barreiras institucionais para o contato destes com a pátria.

A Brigada Antonio Maceo significaria um passo importante para abolir o estigma dos expatriados e consagrar o diálogo em conferências posteriores, além de induzir uma política de flexibilização por parte do governo cubano com a modificação da Lei de Emigração de 1976.

A conferência La Nacion y Emigracíon, em sua quarta edição, reafirma, portanto, a vontade inequívoca de Cuba de seguir aprofundando os vínculos estabelecidos com a fundação da Brigada Antonio Maceo, da qual Manresa foi um dos protagonistas

O exílio durante a infância  

Raul tinha 11 anos quando deixou a ilha em 15 de dezembro de 1960 rumo a Miami, nos Estados Unidos. “A data de saída a gente nunca esquece”. A história de Raul soma-se a de milhares de outras crianças e jovens que foram retirados de Cuba por seus familiares logo após o triunfo da Revolução em 1959.

À época, essa migração foi impulsionada pela pequena burguesia cubano-estadunidense que, junto ao Departamento de Estado dos EUA e ao movimento católico, assumiu publicamente uma posição contrarrevolucionária de maneira dualista e irracional. Como define Raul, “o comunismo era a personificação do diabo na terra. Não era sequer um anticomunismo elaborado, estruturado em argumentos lógicos. Era simplesmente a luta do bem contra o mal. E minha família assumiu esse posicionamento”.

Um dos mais conhecidos movimentos de expatriação de crianças e jovens cubanos, a chamada Operação Peter Pan atuava com bases em um terrorismo ideológico cujo objetivo era disseminar a ideia sensacionalista de que o comunismo retiraria dos pais a tutela dos filhos e os entregaria ao exército russo para servirem à então URSS. 

A saída de Raul, propriamente dita, não ocorreu nos marcos da Operação, mas foi por ela chancelada, pois facilitava os mecanismos para obtenção de vistos – diferentemente de outras 14 mil crianças, levadas no contexto Peter Pan.

Descendente de sangre azul, como se autodefiniam as famílias da burguesia cubana, Raul nasceu em Camaguey, uma província do centro-oriente de Cuba, cuja presença majoritariamente de brancos, grandes proprietários de terras, herdeiros dos colonos espanhóis, propiciou uma criação católica, conservadora e racialmente discriminatória.

No final do ano de 1960, quando chegou aos EUA com a mãe e o irmão, dois anos mais novo, Raul nutria, portanto, todas as bases para perpetuar os ideais contrarrevolucionários. O pai permaneceria mais um ano em Cuba, na esperança de que a Revolução fosse apenas um ato isolado e caísse brevemente com a reação armada financiada pelo governo estadunidense, a exemplo de Playa Girón, em abril de 1961. “Estávamos nos EUA, e lembro que com outras crianças e seus familiares aplaudimos e celebramos a invasão dos mercenários em Playa Girón sem ter consciência direito do que aquilo significava”, lembra Raul.

Com as expectativas frustradas, o pai deixou Cuba em agosto de 1961 para juntar-se à família em Miami, onde no ano seguinte receberia a proposta para trabalhar na subsidiária da Morton Soil Company, em Salvador, Bahia. 

Já em terras brasileiras, em 1962, os pais de Raul o matricularam no Colégio Jesuíta Antônio Vieira, cuja base, o catecismo holandês, contribuiria com o desenvolvimento da Teologia da Libertação. A mudança para o Brasil, se não foi o ponto de viragem, foi sem dúvida o evento que semearia no jovem, então com 13 anos, os primeiros questionamentos em relação às transformações políticas e sociais que sacudiam o mundo naquele momento. 

“A passagem pelo Brasil semeou o progressismo político porque tive contato com a Juventude Estudantil Católica (JEC) e a Teologia da Libertação, que era mais vinculada aos pobres. Havia nesse meio uma discussão mínima sobre o que era o imperialismo, da importância da função social de um governo, do combate ao analfabetismo, a luta para que mais pessoas soubessem ler e escrever em uma época em que a maioria dos brasileiros ainda era analfabeta. Todo esse esforço social da Teologia da Libertação veio ao encontro de minha inquietude inerente por tentar entender sobretudo o que ocorria em Cuba”, recorda Raul.

As opiniões expressadas pelo jovem suscitaram preocupação no seio familiar. “Já eu começava a manifestar os primeiros sentimentos antiamericanos, e ter uma inclinação pró-Cuba. Imagina naquela época dizer que a campanha de alfabetização em Cuba foi um sucesso… era ser taxado de comunista!”.

De volta a Miami, em 1964, com 15 anos, os pais empreenderam esforços para que Raul mantivesse o máximo de contato com pessoas envolvidas no movimento contrarrevolucionário. Nessa época, as principais influências foram seu tio, envolvido em atividades mercenárias na América Central, e a JEC de Miami, cuja orientação reacionária era diametralmente oposta à JEC brasileira. 

Em sua “fase contrarrevolucionária”, que durou de 1964 a 1969, Raul militou ativamente, incluindo treinamento militar de paraquedismo, lançamento de granadas e manejo de armas. O objetivo principal era estar preparado para participar de uma possível invasão a Cuba, fato que nunca se concretizou.

Renúncia e ativismo político  

Entre idas e vindas na construção do pensamento político, o ingresso, em 1969, na Universidade da Flórida-Gainesville, marcaria de uma vez por todas sua renúncia aos ideais contrarrevolucionários. Raul passaria de “gusano traidor” a “comunista aliado de Fidel”.

Mergulhado em um contexto de convulsão política, onde Martin Luther King morrera em defesa da igualdade racial (1968) e organizações civis de massa se manifestavam contra a Guerra do Vietnã (1959-1979), é no curso de Ciências Políticas que Raul encontraria um grupo minoritário de outros jovens cubanos com histórico contrarrevolucionário, e juntos nutririam afinidade com os movimentos de base. “Começamos a nos questionar: se somos a favor de todos esses movimentos civis, e esses movimentos são pró-Cuba, então algo está errado…”.

Os primeiros contatos com a teoria marxista-leninista se deram durante a disciplina do único professor autorizado a ministrar o assunto. Foi na própria universidade que também tiveram acesso restrito (quase proibido) à coleção completa do pensamento crítico e a produções cubanas como o Jornal Granma e os Boletins do Partido Comunista de Cuba. Nas palavras de Raul, a Universidade da Flórida-Gainesville era uma espécie de think tank, pois seria o primeiro centro de pensamento montado nos EUA para estudar a realidade cubana, e isso sem dúvida foi de grande vantagem para o grupo.

“Até que um dia, em uma das marchas contra a Guerra do Vietnã, decidimos nos unir levando uma bandeira cubana, e aquilo desatou um grande incêndio. Porque os cubanos contrarrevolucionários que estudavam ali caíram pra cima, inclusive com ameaças de agressão. Era inaceitável que marchássemos com comunistas que eram contra a Guerra do Vietnã!”, conta.

Desse momento em diante, o “processo de radicalização política”, como gosta de definir Raul, ocorreu muito rápido. “Foi um período entre 69 e 72 em que avançamos com muita voragem”. Ao pequeno grupo de Miami somaram-se as comunidades de cubanos e de porto-riquenhos residentes em Boston e Nova York, que concomitantemente lutavam pela independência de Porto Rico. Raul sabia que ambas as causas se complementavam (o movimento pró-Cuba e a causa independentista porto-riquenha), e assim poderiam unir as pautas.

Aos 22 anos, decide se mudar para Porto Rico junto ao pequeno grupo de Gainesville para anunciar a criação da Juventude Cubana Socialista (JCS), que se caracterizou por ser bastante radical e ficou conhecida pelo lema “no todos los cubanos son gusanos”. A entidade teve vida curta (pouco mais de um ano), mas foi significativa para oficializar a posição política dos integrantes e impulsionar futuras organizações de esquerda entre os jovens expatriados. Após a dissolução do JCS, a maioria dos membros retorna ao ponto de origem nos EUA, com exceção de Raul, que permaneceu e logo em seguida filiou-se ao Partido Socialista Porto-Riquenho.

A nova etapa em Porto Rico seria marcada por uma intensa atuação política no seio de uma comunidade pobre e marginalizada onde decide fixar residência. Essa experiência permitiu criar sinapses entre teoria e prática. “Lembro que na Universidade da Flórida eu peguei um dos tomos das Obras Escolhidas de Lênin e não entendi coisa alguma. Anos mais tarde, já em Porto Rico, volto a ter a mesma obra em minhas mãos, e dentro daquela realidade na qual eu estava imerso, aquele texto era como água cristalina escorrendo entre os dedos, eu entendia tudo! Isso demonstra uma prática política que te faz entender muitas coisas que os livros por si só, às vezes, não podem te oferecer, mas ajudam.”

Raul Álzaga Manresa (Foto: Gina Mardones)

Enquanto desenvolvia as atividades em Porto Rico, Raul recebe um convite dos antigos companheiros de Miami para fundar uma revista de amplo espectro com o objetivo de debater a realidade cubana, em uma espécie de foro de discussões, e na qual pudessem convergir diferentes opiniões sobre o assunto. Nasce, assim, a Revista Areíto, cujo primeiro número trazia uma entrevista com Lourdes Casal, ex-contrarrevolucionária e importante intelectual que estabeleceu os primeiros contatos com Cuba no ano de 1973, a convite do próprio Fidel. Lourdes seria uma das figuras-chave para promover o grupo que mais tarde conformaria a Brigada Antonio Maceo.

A Revista Areíto foi lançada em abril de 74 concomitantemente à Revista Joven Cuba, idealizada pelos colegas de Boston e Nova York. Areíto continha uma proposta acadêmica-teórica, enquanto Joven Cuba trazia um enfoque comunitário debatendo a problemática porto-riquenha. Esta última deixou de existir nos anos seguintes, e a equipe incorporou-se à Revista Areíto, que tomou grandes proporções com circulação em Miami, Boston, Nova York, Califórnia e Porto Rico. No processo de expansão da revista, Raul conheceu Carlos Muniz Varella, um dos jovens cubanos levados para Porto Rico no marco da Operação Peter Pan e que protagonizaria um papel importante na conformação do Diálogo de 78.

Raul recorda que boa parte dos esforços para a solidificação do grupo partiu da iniciativa da própria comunidade de expatriados, um anseio que transcendia a luta política e se caracterizava também pelo resgate das raízes, da identidade cultural. Tudo isso em um momento em que a Revolução nutria grande desconfiança e resistência ao contato com os residentes no exterior.

“Muitos de nós não nos aproximamos da causa revolucionária por Cuba. O país estava muito fechado nesses primeiros anos. Nos aproximamos intuitivamente porque nos sentíamos cubanos, tínhamos certa nostalgia do lugar de onde viemos. Desenvolvemos a causa pró-Cuba por meio de outras lutas políticas que nos conectam à Revolução Cubana”, conta.

Resgate dos vínculos 

A projeção massiva da Revista Areíto foi o suficiente para chamar a atenção do governo cubano, que entre os anos de 1974 e 1975 decidiu convidar discretamente dez desses jovens para uma temporada de três semanas em Cuba. Seria a primeira demonstração de interesse por parte da Revolução em conhecer de perto quem eram os nacionais residentes no exterior com posicionamento pró-Cuba.

O encontro extraoficial pavimentaria o caminho para a formação da Brigada Antonio Maceo, que desembarcou em Cuba em 1977 trazendo 55 jovens expatriados. Era a primeira vez que uma organização de emigrados visitava o país depois do triunfo da Revolução, e era a primeira vez que um grupo de emigrados seria recebido por Fidel Castro. A visita teve um grande impacto político tanto nos EUA quanto na ilha e marcaria uma nova etapa na relação dos expatriados com a Revolução. Nas palavras de Fidel, a chegada da Brigada “se converteu em um acontecimento, e uma das coisas que mais impressionou a sociedade cubana”.

O reconhecimento por parte do governo cubano de uma tendência dentro de La Comunidad – em sua maioria residente nos EUA, propensa a uma aproximação pacífica e construtiva para o processo revolucionário – fez com que Fidel decidisse, de maneira visionária, apostar pelo Diálogo de 78 como uma ferramenta política para solucionar problemas que afetavam a comunidade fora e dentro da própria Cuba. 

Foi assim que o líder revolucionário negociou com os EUA a liberação de presos políticos, visou a reunificação familiar e flexibilizou a visita em ambas as direções. O comandante em chefe sabia que seguir por essa direção não seria fácil, tendo em vista o clima de desconfiança, hostilidade e luta que predominava em Cuba nos primeiros anos da Revolução.

Ainda assim, o projeto para oficialização do primeiro Diálogo com os emigrados foi levado adiante e anunciado em uma coletiva de imprensa em setembro de 1978, na qual Fidel convocaria representantes de diversas orientações ideológicas de La Comunidad (desde que não fossem “cabeças da contrarrevolução”) dispostos a trabalhar para a normalização das relações entre o governo cubano e os emigrados residentes nos EUA.

A figura de Carlos Muñiz Varela apareceria nesse momento. Após a visita da Brigada em 1977, Raul foi procurado por um funcionário do Ministério das Relações Exteriores para agenciar as primeiras viagens do diálogo. Impossibilitado devido a outras responsabilidades no momento, Raul sugeriu transferir a função ao colega de luta. 

“Carlos era um importante líder estudantil, tinha uma capacidade organizativa incrível e um conhecimento político-teórico do marxismo e leninismo acima da média de qualquer um. Na época, Carlos estava muito vinculado à luta independentista porto-riquenha, não participou dos diálogos, quem participou de todos os encontros fui eu. Então sugeri que assumisse essa função para que, como cubano, também estivesse mais próximo da causa do nosso país”, lembra.

Foi assim que, em novembro de 1978, se deu o primeiro evento em que compareceram 75 membros da comunidade residente nos EUA. O segundo encontro – mais importante e representativo em termos políticos – ocorreria em dezembro do mesmo ano, consagrando, assim, o Diálogo de 1978.

Nesta ocasião, a cifra de integrantes chegou a 140 pessoas. Segundo o historiador Elier Ramirez Cañedo, entre os participantes estavam representantes de esquerda, intelectuais de diversas tendências ideológicas, religiosos de várias congregações, ex-funcionários do governo Batista – sobre os quais não pesavam acusações de crimes durante a ditadura –, contrarrevolucionários declarados, bem como alguns ex-membros de organizações contrarrevolucionárias que haviam participado da invasão de Playa Girón.

A iniciativa ousada de Fidel não seria de todo compreendida pela sociedade cubana e causaria descontentamento sobretudo entre membros do Partido Comunista de Cuba. Para evitar que a coesão da Revolução fosse colocada em risco, o comandante em chefe se viu obrigado a reunir todos os quadros revolucionários no teatro Karl Marx a fim de convencê-los de que os únicos inimigos desse processo político eram os conservadores dos EUA e os conservadores de Cuba, e de que “a ciência da Revolução consistia em converter os inimigos em amigos, sendo essa a verdadeira política”.

Atual fachada do teatro Karl Marx, onde em 1979 Fidel Castro reuniu quadros revolucionários (Foto: Gina Mardones)

Por sua vez, a contrarrevolução respondeu com coerção política e de maneira brutal. Em janeiro de 1979, o senado de Porto Rico aprovou uma resolução condenando o diálogo, as negociações com o regime de Cuba e qualquer tipo de contato com a Revolução. “Isso significava dar luz verde a uma validação política a tudo o que os movimentos clandestinos da contrarrevolução quisessem fazer conosco”, argumenta Raul.

De fato, em abril de 1979, Carlos foi assassinado com nove disparos enquanto dirigia rumo à casa de sua mãe. “Assassinaram Carlos, mas era para eu ter morrido no lugar dele. Fui eu que pedi para assumir as viagens dos diálogos”, lamenta. Depois da morte do amigo, Raul perdeu as contas de quantas conspirações foram feitas contra sua vida, mas que nunca chegaram a se concretizar.

Apesar disso, o grupo não reagiu no mesmo tom. Nesse momento, segundo Raul, era necessário manter o espírito racional. Primeiro, acreditava-se que resolver o assassinato de Carlos por vias legais traria mais reconhecimento ao movimento. “Pensávamos que lutar pelo esclarecimento sob as regras do sistema nos levaria a esse objetivo, o que não conseguimos. Então, de lá para cá, já se passaram mais de três décadas e seguimos lutando por justiça”.

Por fim, pensava-se que o assassinato de Carlos poderia ser um fator impulsionador para ampliar a comunidade de expatriados em favor da Revolução. “Tínhamos uma visão um pouco idealista de que um dia poderíamos deixar de ser minoria com este processo. Pensávamos que esse movimento um dia fosse suficientemente contundente para gerar uma grande força política com a qual pudéssemos contar”.

Perguntado sobre como avalia o movimento político dos emigrados hoje em dia a partir da participação de todas as edições da conferência que se realizaram desde então, Raul responde: “Seguimos sendo minoria, mas fortes o suficiente para acreditar que as novas gerações de expatriados preservarão a memória da Brigada Antonio Maceo e do Diálogo de 78. Não se pode esquecer que essa conquista foi o ponto de inflexão da história dos emigrados”, conclui.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul.
Gina Mardones Jornalista, fotojornalista e pesquisadora

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