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Comunista, Cuba recuperou plenamente 91,3% dos doentes com Covid-19

“É essencial vigilância ativa, rapidez nos testes, tratamento individual dos pacientes e monitoramento dos convalescentes”, disse o ministro Portal Miranda
Oscar Figueredo Reinaldo
Cubadebate
Havana

Tradução:

Em meio a um complexo cenário internacional, a Organização Mundial da Saúde (OMS) advertia em agosto que a pandemia poderia ser prolongada. Mais de dois meses depois, o alerta continua e a Covid-19, longe de desaparecer, é um desafio para todos, afirmou o ministro de Saúde Pública, José Ángel Portal Miranda. 

Reunidos previamente ao Quinto Período Ordinário de Sessões da Assembleia Nacional do Poder Popular (ANPP), o ministro atualizou os deputados sobre a situação epidemiológica de Cuba e internacional, na presença do presidente, Miguel Díaz-Canel Bermúdez; do vice-presidente, Salvador Valdés Mesa; do primeiro ministro, Manuel Marrero Cruz, e do titular do Parlamento, Esteban Lazo Hernández.

Atualmente, 185 países registram casos. O número de contágios supera os 43 milhões e os mortos, mais de 1 155 000. Enquanto isso, a letalidade é de 2,71 e os recuperados são 73% dos infectados.

O ministro disse que a região das Américas mantém a situação mais complexa, com 46.2% dos diagnosticados ao nível global. “Tal realidade nos leva a um fato inquestionável: o mundo continua em uma curva ascendente”.

Ao referir-se à experiência cubana no combate à Covid-19, Portal Miranda destacou as fortalezas do sistema de Saúde, cuja máxima prioridade é que os pacientes não sejam contagiados e, se isso acontece, que não fiquem em estado grave e não venham a falecer.

Fez alusão às diversas ações realizadas pelo Ministério de Saúde Pública, entre elas o estabelecimento de normas jurídicas vinculadas ao controle da pandemia, avaliações diárias da situação e proposta sistemática de novas medidas.

“Foi essencial a vigilância ativa, a rapidez nos testes, o tratamento individual dos pacientes e o monitoramento dos convalescentes”.

De acordo com o ministro, já são 13 os laboratórios habilitados no país para o processamento das amostras. Diariamente são analisados mais de 7000 testes. 

Por outro lado, destacou o trabalho da ciência e da inovação nestes meses e enumerou os componentes que definem a estratégia cubana: a gestão epidemiológica, a busca de casos por meio da pesquisa, o isolamento de todos os contatos e os testes para diagnóstico. 

“Nenhuma província ficou isenta de contágios”, afirmou o ministro, informando que os territórios com maior taxa de incidência são Ciego de Ávila, Havana, Sancti Spíritus e Artemisa, acima da média nacional (58,6).

“É essencial vigilância ativa, rapidez nos testes, tratamento individual dos pacientes e monitoramento dos convalescentes”, disse o ministro Portal Miranda

CubaDebate
O ministro de Saúde Pública de Cuba, José Ángel Portal Miranda

Ultimamente, nos informes, predominam os casos assintomáticos (60.2%), e 82.6% dos diagnosticados têm menos de 60 anos. 

O ministro mostrou como se vive a epidemia no país, depois de oito meses.  

●     Nos últimos 14 dias, foram registrados 552 casos autóctones

●     A taxa de incidência é de 4,9 por cada 100 000 habitantes

●     Cinco províncias estão em transmissão ativa 

●     Dos 97 eventos de transmissão local contabilizados no país, nove permanecem abertos e há 52 controles de foco.

O Portal Miranda informou que nesta terça-feira Pinar del Río abre dois eventos, acumulando quatro. Entretanto, Havana conseguiu encerrar todos os seus eventos e acompanha 13 controles de foco, enquanto Ciego de Ávila contabiliza dois eventos e dois controles de foco.  

O ministro fez menção às insatisfações, entre elas o fato de que não se atue com suficiente rapidez, que gerou cenários complexos, como quando províncias retrocedem de fase.

Como parte dos protocolos implementados no país, estabeleceu-se a atenção a todos os pacientes, com garantia de leitos, ventiladores e o resto dos medicamentos. 

Sobre isto, o Portal Miranda disse que se concebeu um incremento paulatino de camas (mais de 7000), 61 centros de atenção a casos suspeitos e mais de 200 para isolar contatos e viajantes. “Cuba não teve necessidade de desenvolver toda a sua capacidade”. 

A participação da ciência foi chave em nossos resultados. Foram aprovadas mais de 700 pesquisas que incluem estudos clínicos, e são executados 17 ensaios clínicos. Ao mesmo tempo, um grupo de matemáticos e infectologistas contribuíram para a tomada de decisões governamentais. 

Entre as ações projetadas inclui-se a atenção à saúde mental e aos profissionais da saúde. “Muitos são os elementos que distinguem nossos protocolos. Nossas ações começam e terminam na comunidade”.

O ministro da Saúde reconheceu o papel imprescindível dos médicos, enfermeiros, estudantes e profissionais, e a contribuição da indústria biotecnológica e farmacêutica, de onde saíram os interferons empregados durante estes meses de pandemia. 

A pasta de produtos da BioCubaFarma inclui vários medicamentos, reagentes, equipamentos e protótipos de ventiladores. Outras empresas contribuíram também na introdução e projeto de tecnologias.

O ministro elogiou a contribuição de trabalhadores por conta própria que elaboraram meios de proteção e outros recursos. 

Fez especial menção ao uso da Biomodulina T, que permitiu a redução das internações por infecções respiratórias, assim como do Prevengo Vir e outros medicamentos, e terapias que reduziram o número de pacientes graves e críticos. 

Referiu-se às vacinas cubanas candidatas que falam do nível científico alcançado por nossos profissionais, ressaltando que os indicadores e cifras da ilha são muito inferiores as registradas ao nível internacional.

Em Cuba recuperaram-se 91.3% dos enfermos, a letalidade é de 0,67 e só 4.4% das pessoas passaram pelo estado grave ou crítico. “Cuba salvou mais de 80% e não lamentou a morte de crianças, grávidas ou médicos”, disse o Portal Miranda, lamentando o falecimento dos quatro colaboradores. 

Até hoje, são 39 os países para os quais a ilha enviou médicos para combater a Covid-19, sem contar as nações nas quais já tinha colaboradores. “Nada impedirá que Cuba continue seu trabalho solidário, nem o injusto bloqueio, nem as campanhas difamatórias”, disse ainda o ministro. 

Insistiu em que na nova normalidade será necessário estar mais unidos, ser disciplinados e solidários; e reiterou a importância de usar máscaras em todos os lugares públicos, ir ao médico diante de qualquer sintoma e manter o distanciamento físico.

Finalmente, destacou a qualidade e os valores humanos de nossos profissionais da saúde e o aplauso que Cuba lhes dá todo dia às 9:00 p.m.

Os deputados falaram sobre a experiência de seus territórios neste tempo de pandemia, e, de forma geral, tiveram palavras de elogio para os médicos de família, outros profissionais da saúde e as organizações de massas.

Jorge Berlanga, de Havana, lembrou o líder da Revolução, Fidel Castro, na inauguração do Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia. “Minha satisfação é ver a quantidade de jovens que durante meses sacrificaram horas de sono para esta batalha. Para nossa sorte esses valores e esse legado estão presentes”.

“Quando olhamos o mundo, nos enchemos de orgulho pelo país que construímos”, disse.

De Santiago de Cuba, José Ángel Fernández também ressaltou o protagonismo das organizações de massas, que ajudaram na comunidade. “A unidade do povo, a vocação humanista e o sentido de pertencimento nos levaram a avançar”.

O deputado Mijaín López, de Camagüey, falou em nome dos atletas cubanos. Assegurou que, em meio à situação sanitária, preparam-se para chegar aos Jogos Olímpicos Tóquio 2021 e obter todos os resultados que o país está apto a receber. “Estamos fazendo todo o possível, com Covid-19 ou sem Covid-19, por nossa Revolução”.

Oscar Figueredo Reinaldo, Lissett Izquierdo Ferrer, Dinella García Acosta, Deny Extremera San Martín, Irene Pérez especial para CubaDebate.

Tradução: Ana Corbusier


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Oscar Figueredo Reinaldo

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