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Contra empresas bilionárias, trabalhadores voltam a se organizar em sindicatos nos EUA

Nos últimos 6 meses aumentou em 57% no número de trabalhadores e grupos de trabalho que exigem formalmente representação sindical
David Brooks
La Jornada
Nova York

Tradução:

A primeira vitória trabalhista contra a empresa do segundo homem mais rico do país e a onda de vitórias em dezenas de lojas Starbucks a favor da sindicalização dos trabalhadores — tudo isso apesar dos esforços anti sindicais multimilionários — nas últimas semanas alimenta a esperança de que os mártires de Chicago estão ressuscitando, mais uma vez.

O Dia do Trabalhador, que nasceu com o movimento de oito horas diárias liderado por anarco-sindicalistas e outros trabalhadores rebeldes — muitos deles imigrantes — há 136 anos, em Chicago, nos EUA, e é comemorado em todo o mundo, mas não é celebrado oficialmente nos Estados Unidos. 

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Foram os trabalhadores imigrantes que resgataram a memória dos mártires de Chicago para os estadunidenses, começando no movimento de milhões na primavera de 2006 — incluindo o Primeiro do Maio — com marchas e eventos que continuam até hoje naquela data.

O extraordinário triunfo dos trabalhadores de Nova York que votaram pela primeira vez a favor da sindicalização de uma fábrica da megaempresa Amazon, um sindicato independente chamado Amazon Labor Union, há um mês, reverberou em todo o país por desafiar as previsões dos políticos e líderes sindicais de que tal conquista era quase impossível. Agora há esforços para replicar isso em todo o país. 

Por outro lado, o primeiro triunfo dos trabalhadores da Starbucks para sindicalizar uma das milhares de lojas daquela empresa em dezembro em Buffalo, Nova York, está se multiplicando (trabalhadores em mais de 170 lojas pediram uma eleição sindical) e até agora 44 lojas votaram para aderir ao novo sindicato Starbucks Workers United. Muitos desses esforços são liderados por jovens.

Nos últimos 6 meses aumentou em 57% no número de trabalhadores e grupos de trabalho que exigem formalmente representação sindical

Sindidados-MG
Trabalhadores voltam a se organizar em sindicatos nos EUA

Triunfos

Ao mesmo tempo, houve triunfos em vários outros setores nos últimos meses, por exemplo, os quase 500 trabalhadores de tecnologia do New York Times votaram para se sindicalizarem, assim como os trabalhadores do Art Institute of Chicago.

Somente nos últimos seis meses, foi registrado um aumento de 57% no número de trabalhadores e grupos de trabalho que exigem formalmente a representação sindical, relata a Reuters.

Há também ações sem precedentes, como o piquete flutuante dos grevistas diante de uma refinaria da Chevron, em Richmond, Califórnia, onde estão tentando impedir que os navios cruzem a linha, resultado de uma nova aliança entre o sindicato siderúrgico United Steelworkers e a organização ambiental Greenpeace.

Tudo isso no momento mais fraco do movimento sindical em quase um século, resultado de uma ofensiva neoliberal nos últimos 40 anos que reduziu a taxa de sindicalização no setor privado para apenas 6%, e com um aumento dramático na concentração sem precedentes da riqueza entre os 1% mais ricos.

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Mas o que ocorre com a Amazon e a Starbucks não saiu de um vácuo, pois durante a última década houve revolta e rebeliões trabalhistas, incluindo a onda de greves de professores entre 2018 e 2019 em vários estados, ações de trabalhadores de fast food em todo o país por um salário mínimo digno de US$ 15 por hora (o salário mínimo oficial de US$ 7.25 não muda há décadas), novos sindicatos universitários e até greves dentro de prisões em 17 estados por detentos forçados a trabalhar por US$ 1 por hora, e ações mais tradicionais como a greve de mais de um ano realizada pelos mineiros no Alabama.

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“De baristas aos trabalhadores de armazém e professores, há um fio condutor comum — uma classe trabalhadora esmagada década após década. Em todo o país, os trabalhadores se recusam a ser engrenagens na máquina da classe multimilionária. Neste Dia de Maio, recordemos o poder de nossa solidariedade e concluo que quando os trabalhadores de nosso país e do mundo inteiro se juntam, nada pode nos impedir de lutar pela justiça”. 

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David Brooks é correspondente de La Jornada em Nova York.
Tradução de Vanessa Martina Santos.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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David Brooks Correspondente do La Jornada nos EUA desde 1992, é autor de vários trabalhos acadêmicos e em 1988 fundou o Programa Diálogos México-EUA, que promoveu um intercâmbio bilateral entre setores sociais nacionais desses países sobre integração econômica. Foi também pesquisador sênior e membro fundador do Centro Latino-americano de Estudos Estratégicos (CLEE), na Cidade do México.

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