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Gestão inepta agrava pandemia; PIB despenca, desemprego aumenta e Covid-19 avança

No Brasil, o mundo dos ricos tira suas máscaras: não importa que os pobres morram à espera dos R$ 600 da "ajuda emergencial" prometida pelo governo
Paulo Cannabrava Filho
Diálogos do Sul Global
São Paulo (SP)

Tradução:

Aprovaram uma ajuda insignificante de R$ 600 para trabalhadores e pouca gente está conseguindo receber. Das emendas parlamentares aprovadas para liberar recursos para o combate à pandemia, só 1,5% foram liberados.

Dinheiro há. São mais de R$ 15 bilhões travados na burocracia do Estado, ou melhor, devido à incompetência do governo de ocupação.

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Diante da crise que se avoluma, o mundo dos ricos tira as máscaras e se revela. Não lhes importa um pito que os pobres morram. Os Estados Unidos desviaram compras feitas pelo estado da Bahia para combater a pandemia e ninguém protesta. Servilismo total.

Insensíveis diante do bloqueio mantido contra nossa vizinha Venezuela, Cuba e Irã, bloquearam a entrega de uma enorme doação feita pelo dono do Alibaba a Cuba. Mesmo assim, cubanos estão prestando ajuda a dezenas de países, inclusive ricos, como Itália e Espanha.

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Verdadeira guerra vem sendo travada em torno dos escassos equipamentos médicos, antibióticos e outros medicamentos. Por incrível que pareça, mais de 80% são fabricados na China. Foram os próprios promotores da globalização que transformaram o país asiático na fábrica do mundo.

E agora? Como voltar a ser autossuficiente em questões estratégicas?

Os Estados Unidos imprimem dólares, movem suas tropas e compram tudo o que precisam. Aqui, o dinheiro fica travado para não aumentar o déficit fiscal. E como não há ingressos, aumentam a dívida. Para garantir o fluxo de dinheiro para os especuladores, injetaram mais de um trilhão no sistema bancário. Quem viu esse dinheiro? Quem lucrará com ele?

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Veja as disparidades. O neoliberalismo transformou o país em exportador de produtos primários. Uma insanidade posto que quem ditava os preços das commodities no mercado global era meia dúzia de grandes tradings; e agora menos ainda, tal a concentração.

Centrados no projeto neocolonial estamos, agora mesmo, diante de um novo recorde na safra de grãos: 251,8 milhões de toneladas, 4% a mais do que a safra anterior, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O IBGE fornece dados diferentes: safra de 245,2 milhões de toneladas, 1,5% superior à anterior. De qualquer maneira, outro recorde. E daí? Quem vai comprar? Sem planejamento, transformaram terras férteis em oceanos de soja e cana sem outra vida.

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As reservas, que eram US$ 380 bilhões já baixaram para US$ 361,480 bilhões em março de 2020 e no dia 9 de abril já estavam em US$ 339,655. US$ 40 bilhões jogados no mercado financeiro, no cassino global… nenhum centavo na produção.

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O superministro da economia reagiu alegando que é muito dinheiro, o país não precisa disso tudo reservado, portanto, vai continuar utilizando as reservas para pagar os gastos correntes. A loucura de sempre de quem quer acabar com o Estado: queimar os ativos nacionais. Reservas são ativos que podem ser utilizados para produzir riqueza e aumentar o PIB. Disse também que liberou R$ 8 bilhões para os estados… mas ninguém viu.

Nossa previsão era de um PIB igual a zero ou menos um, agora, na previsão do Banco Mundial será de menos 5%. Eles sabem do que estão falando, pois, foram os que impuseram a ditadura do capital financeiro sobre nós. 

Pesquisa publicada no Estadão diz que 88% da população está preocupada com o desemprego. Seremos 100 milhões de brasileiros na miséria, precisando de socorro financeiro para sobreviver com um mínimo de dignidade.

No Brasil, o mundo dos ricos tira suas máscaras: não importa que os pobres morram à espera dos R$ 600  da "ajuda emergencial" prometida pelo governo

Ilustração: Vitor Teixeira
Servilismo total.

Capital do rentismo

Nos Estados Unidos também a situação vai de mal a pior. Como publicamos na Diálogos do Sul, em três semanas, desde a paralisação, mais de 16 milhões de pessoas perderam o emprego. Os economistas, inclusive os Chicago’s boys, culpam a má gestão de Donald Trump.

Trump e o Congresso aprovaram três trilhões de dólares para injetar na economia. Onde está esse dinheiro? Eles asseguram que está no FED. O tesouro criou programas com a intenção de atender 19 mil empresas, pequenas e médias. A ajuda de US$ 1 mil que Trump prometeu para cada cidadão tampouco alguém viu.

A situação do país do Norte é bastante complicada, pois não há confiança para o crédito em um cenário de paralisação de grande parte da economia e diante de perspectiva de recessão.

O pacote do FED foi lançado quando o governo anunciou que havia mais de 6,6 milhões de desempregados. As medidas facilitam a venda de títulos pelas empresas. Vão garantir a liquidez dos títulos emitidos pelas companhias. O pacote também prevê pagamento às famílias, créditos a pequenos e médios negócios. O espectro é bastante amplo e atinge até as dívidas estudantis.

Do outro lado do Atlântico, a França, a Alemanha e outros países estão pagando de 80% a 90% dos salários para que as empresas não demitam trabalhadores. A ideia é estancar o desemprego. Na Venezuela, o governo também está pagando o salário de todos os trabalhadores, inclusive das empresas privadas que estão contra o governo. A ordem é salvar vidas.

Na França, a medida alcança sete milhões de trabalhadores ao custo de 45 bilhões de euros. Na Alemanha, quase 500 mil empresas entraram no pacote.

E aqui, ao Sul do Rio Bravo, no México, o presidente López Obrador deixou claro que seu governo não socorrerá bancos, financeiras ou grandes empresas e se concentrará em salvar a população pobre. Anunciou que logo apresentará um plano para os mais vulneráveis e que o Estado tem dinheiro suficiente para isso.

É impressionante. O Estado prisioneiro do capital financeiro não consegue fazer circular o dinheiro. Nos Estados Unidos, o FED está fazendo um grande esforço para libertar o capital do mercado financeiro, que é pura especulação. Ainda é cedo para saber se terá êxito, mas impressiona como o FED de uma hora para a outra virou o maior interventor da história do capitalismo.

STF contra o vírus

Em Brasília, o Supremo Tribunal Federal (STF) diz que não passará nenhuma medida que ponha em risco a população. A ação foi uma resposta à intenção do governo de ocupação de permitir a reabertura do comércio. A atitude do Supremo se deu em resposta a um pedido da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para quem o presidente está se comportando como um gerador de crise. 

Em outra manifestação, mais recente, um ministro do STF qualificou as iniciativas do presidente de inconstitucionais. O supremo mencionou o desencontro entre atitudes de entes do governo, os estados da União e o governo federal. Bingo! Violam a Constituição, já sabemos… e daí? Não passa nada?

Basta levar essas conclusões, mais o resultado das investigações sobre o uso das redes para detratar e ofender o STF, as comprovações de fraude eleitoral acumuladas na CPI mista das Fake News e das investigações dos inquéritos e encaminhar para o Congresso Nacional com pedido de anulação do pleito de 2018.

Como seria isso? O Congresso e o Supremo, em parceria com personalidades civis, formariam um governo provisório para gerir a crise e, no momento seguinte, convocariam novas eleições gerais, realizadas com a participação de todos.

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Paulo Cannabrava Filho é jornalista e editor da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Paulo Cannabrava Filho Iniciou a carreira como repórter no jornal O Tempo, em 1957. Quatro anos depois, integrou a primeira equipe de correspondentes da Agência Prensa Latina. Hoje dirige a revista eletrônica Diálogos do Sul, inspirada no projeto Cadernos do Terceiro Mundo.

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