Itália enfrenta segunda onda de Covid com crescimento rápido, novos contágios e mortes

País europeu acumulou por volta de 800 mil casos e 40 mil mortes, com presença ativa do vírus Sars-CoV-2 em todo o território nacional,

Frank González
Prensa Latina
Roma

Tradução:

Após superar com êxito o primeiro ataque da Covid-19 nos meses de março e abril deste ano, a Itália enfrenta hoje um recrudescimento da epidemia caraterizado por um crescimento rápido e sustentado de novos contágios e mortes.

d7e04c1e 70e4 46a9 81d0 8758e4713a66Dados publicados pelo Ministério da Saúde indicam que este país europeu acumulou por volta de 800 mil casos e 40 mil mortes, com presença ativa do vírus Sars-CoV-2 em todo o território nacional, ao mesmo tempo que aumentam as dificuldades para rastrear a origem dos contágios. 

Segundo o Instituto Superior de Saúde (ISS), com base no monitoramento da curva de 19 a 25 de outubro, o ritmo de propagação da vírus era coerente com o aumento do índice RT de transmissão nacional, que se localizou aproximadamente em 1,7 próximo a um cenário de tipo quatro.

País europeu acumulou por volta de 800 mil casos e 40 mil mortes, com presença ativa do vírus Sars-CoV-2 em todo o território nacional,

Wikimedia Commons
Itália enfrenta hoje um recrudescimento da epidemia caraterizado por um crescimento rápido.

Nesse nível máximo de deterioração da situação epidemiológica, segundo a classificação e parâmetros estabelecidos pelo ISS, a transmissibilidade escapa do controle, com perigo para a estabilidade do sistema de saúde a curto prazo.

Em um contexto dessa natureza, as medidas recomendadas para enfrentar o agravamento da emergência são similares às aplicadas na fase do auge da epidemia em março e abril em escola local, regional ou nacional.

A resposta do governo ao primeiro embate

Com a aplicação gradual de medidas baseadas nos princípios de precaução, proporcionalidade e adequação, o governo italiano conseguiu controlar a subida da curva epidemiológica no primeiro semestre, a qual atingiu seu ponto máximo em 21 de março, ao serem registrados 6.557 casos nas 24 horas precedentes.

Nesse momento, começou o descenso progressivo, com uma estabilidade de menos de 500 contágios diários, entre o primeiro de junho e 12 de agosto, quando recrudesceu a epidemia com mais de 30 mil a partir de 30 de outubro.

O controle da curva na primeira etapa foi obtido com medidas dirigidas a evitar aglomerações e a transmissão do vírus, principalmente as severas restrições impostas à mobilidade das pessoas e o isolamento domiciliar, acompanhadas das conhecidas normas de proteção individual.

Embora dessa forma se tenha conseguido superar a fase mais aguda da epidemia, as restrições adotadas tiveram um impacto econômico e social devastador com uma contração de 5,4 a 12,8 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro e segundo trimestres, respectivamente.

As medidas tiveram um efeito demolidor sobre a oferta e a procura, em um contexto caracterizado pela redução de ganhos, falta de liquidez e incerteza com respeito ao futuro.

Nesse sentido, segundo estimativas do Instituto Nacional de Estatísticas e outras entidades oficiais relacionadas com o âmbito do trabalho, a Itália perdeu 578 mil postos de trabalho no primeiro semestre, em comparação com o mesmo período de 2019.

As ações do governo para mitigar o impacto econômico e social da crise e impulsionar a recuperação se concentraram principalmente nos decretos “Curar Itália”, em março e “Relançamento”, em maio, com um financiamento total de 80 bilhões de euros para apoiar as famílias, trabalhadores e empresas.

Por volta de 75 bilhões de euros desses recursos adicionais, serão financiados através da emissão de bônus, com um aumento sem precedentes em relação com a dívida pública com o PIB, ao passar de 134,8 por cento em 2019 a 158,9 em 2020, segundo indicou a Comissão Europeia em suas previsões Econômicas de Primavera.

O executivo encabeçado pelo primeiro ministro, Giuseppe Conte, aprovou também o decreto “Liquidez”, com um montante de 400 bilhões de euros em créditos para o setor empresarial respaldados pelo Estado até 100%.

Essas medidas contribuíram para estimular a recuperação a partir da reabertura gradual de atividades em 4 de maio e, ao mesmo tempo, evitar protestos sociais como as ocorridas na segunda metade de outubro, após a adoção de restrições adicionais em uma tentativa de impedir o fechamento total.

Durante as demonstrações em uma vintena de cidades foram produzidas desordens e enfrentamentos isolados com a polícia, carentes de uma direção única, segundo afirmou a ministra do Interior, Luciana Lamorgese.

Em uma audiência ante o Senado da República, Lamorgese atribuiu as alterações a pessoas alheias aos setores afetados pela medidas, que encontraram nas razões do descontentamento, um pretexto para gerar violência.

Quanto aos autores, mencionou elementos violentos pertencentes a diferentes âmbitos, desde movimentos de extrema direita e centros sociais, até os grupos mais extremistas dos “ultra” fanáticos de times de futebol.

Restrições adicionais ante o novo auge

Diante da progressiva deterioração da situação epidemiológica, o governo aprovou nas quatro semanas de outubro um número igual de decretos, com o primeiro dos quais prorrogou até 31 de janeiro próximo o Estado de Emergência e estabeleceu o uso obrigatório de máscaras, inclusive em espaços abertos.

Medidas adicionais foram incluídas em outros, entre eles o anunciado no dia 25 por meio do qual se limitou das 5:00 às 18:00 horas o funcionamento de bares, restaurantes, sorveterias, doceiras e estabelecimentos similares.

Além disso, recomendou “fortemente” evitar deslocamentos com meios de transporte, exceto por exigências de trabalho, estudo, motivos de saúde ou situações de necessidade.

A norma incluiu também a suspensão de espetáculos com acesso ao público em salas de teatro, concerto, cinema e outros espaços, inclusive ao ar livre, e o fechamento temporário de ginásios, piscinas, centros de bem-estar e termais, culturais, sociais e recreativos.

Em seguida, o Conselho de Ministros aprovou a destinação de ajuda por um montante superior aos seis bilhões de euros a trabalhadores e empresas do setor dos serviços afetados pelas medidas.

Alguns dias depois, foi emitido outro decreto mediante o qual foi implantado um regime diferenciado de restrições em escala regional, baseado nos cenários de risco amarelo, laranja e vermelho, elaborados segundo o índice Rt de transmissão e outros critérios associados à emergência sanitária.

Como explicou Conte em audiências parlamentares prévias, para todo o território nacional onde não sejam indicados níveis de risco elevado, serão adotadas somente algumas medidas específicas que contribuam para reforçar o plano em vigor para a contenção e mitigação do contágio.

O decreto prevê limitações à mobilidade entre 22:00 e 05:00 horas do dia seguinte, além da suspensão de exibições e serviços de acesso do público a museus e outras instituições e espaços culturais.
Da mesma forma, autorizou a adoção de formas flexíveis de organização das atividades docentes no ensino secundário de segundo grau, de maneira que sejam realizadas com o emprego de meios digitais em sua totalidade, salvo situações específicas.

Entre outras medidas, reduziu a 50% o número de passageiros permitidos em meios públicos de transporte local e ferroviário regional, estimulou as modalidades de “trabalho inteligente” tanto no setor público como no privado, e o uso obrigatório de máscaras para a educação primária e média.

Ao mesmo tempo, foi anunciado um montante adicional de um bilhão e 500 milhões de euros para mitigar o impacto econômico das medidas pelas suspensão de atividades econômicas em territórios incluídos no mais alto cenário de risco.

La Jornada, especial para Diálogos do Sul — Direitos reservados.

Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

Veja também

   

Se você chegou até aqui é porque valoriza o conteúdo jornalístico e de qualidade.

A Diálogos do Sul é herdeira virtual da Revista Cadernos do Terceiro Mundo. Como defensores deste legado, todos os nossos conteúdos se pautam pela mesma ética e qualidade de produção jornalística.

Você pode apoiar a revista Diálogos do Sul de diversas formas. Veja como:


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Frank González

LEIA tAMBÉM

Ebola
Ebola mata quase 2 mil na RDC no surto de propagação mais rápida já registrado no mundo
OMS
Brasileiro apresentou proposta que criou a OMS e influenciou a origem do SUS
Cuba
Com tecnologia própria, Cuba recupera incubadoras que salvam bebês prematuros
Sanções contra Cuba Trump reduz esperança de vida de crianças com câncer (4)
Como sanções de Trump contra Cuba atingem esperança de vida de crianças com câncer