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México é país com mais agentes de inteligência russa em todo mundo, diz general dos EUA

Sob esse argumento, EUA mantêm tropas na fronteira mexicana; ações contra "atividades nefastas" de Rússia e China se estendem a América Latina e Caribe

David Brooks
La Jornada
Nova York

Tradução:

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Os comandantes estadunidenses encarregados da segurança hemisférica declararam que os desafios e ameaças para os Estados Unidos na região provêm principalmente da Rússia, da China e das organizações criminosas transnacionais, e embora tenha elogiado a “grande” cooperação com suas contrapartes mexicanas, advertiram que o maior contingente de inteligência militar russa no mundo se encontra no país vizinho. 

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O comandante do Comando Norte dos Estados Unidos (NORTHCOM), general Glen VanHerck, em uma audiência ante o Comitê de Forças Armadas no Senado, ressaltou que o narcotráfico, a migração e o tráfico de pessoas são “sintomas de um problema maior… e isso são organizações criminosas transnacionais”, já que “a instabilidade que geram… oferece oportunidades para atores como a China, como a Rússia, e outros que poderiam ter atividades nefastas em mente para buscar acesso e influência em nossa AOR (área de responsabilidade) de uma perspectiva de segurança nacional”.

 

Elogio ao México

Foi nesse contexto que VanHerck informou aos senadores que “a maior porção de membros do GRU (agência de inteligência militar russa) no mundo está no México agora mesmo”. 

Perguntado por um senador se melhorou ou piorou a cooperação do México com os Estados Unidos no último ano, o general VanHerck enfatizou: “os mexicanos são sócios extremamente bons. Tenho uma grande relação com o general Sandoval de SEDENA, com o Almirante Ojeda de SEMAR, ambos vêm me visitar no próximo mês, eles têm dezenas de milhares de tropas mexicanas conduzindo a missão para apoiar o que necessitamos, com objetivos comuns e estamos muito gradecidos” a eles.

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Em sua declaração inicial preparado ante o Comitê, VanHerck elogiou SEDENA e SEMAR como sócios em segurança e como “um baluarte contra a crescente presença e influência de competidores na América Central e na América do Sul”.

Sobre a presença militar estadunidense na fronteira com o México, VanHerck informou que há 2.450 tropas da Guarda Nacional em função de apoio ao pessoal do Departamento de Segurança Interna, incluindo esforços de detecção e análise de inteligência. Indicou que em sua opinião, a missão militar na fronteira não deveria continuar no longo prazo, já que isso deve estar em mãos das agências de segurança pública civis. 

 

Ameaças aos EUA

Em termos de defesa territorial dos Estados Unidos, missão central do Comando Norte, VanHerck identificou os “competidores” principais como a Rússia a China, o primeiro como “a ameaça militar principal” ao território estadunidense, e o segundo como “nosso desafio geoestratégico a longo prazo”.

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Outras ameaças externas incluem a Coréia do Norte e o Irã, e agrupamentos terroristas. Mas também elevou as organizações criminosos transnacionais entre as ameaças principais, por gerar a “instabilidade” por meio de corrupção e violência, algo que debilita instituições no hemisfério ocidental e, portanto, concluiu, mitigar o dano que provocam “é um imperativo de segurança nacional”.

 

As Américas

Por sua parte, a comandante do Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM) encarregada da relação com as Américas e o Caribe, general Laura Richardson, em sua declaração preparada e apresentada ante o Comitê, afirmou que o hemisfério ocidental, que chamou de “nosso bairro compartilhado”, está sob assalto por uma gama de desafios transfronteiriços… que diretamente ameaçam nossa pátria”.  

Sob esse argumento, EUA mantêm tropas na fronteira mexicana; ações contra "atividades nefastas" de Rússia e China se estendem a América Latina e Caribe

General Glen VanHerck / Departamento de Defesa dos EUA
Além de Rússia e China, Coréia do Norte, Irã e denominados "agrupamentos terroristas" são consideradas ameaças pelos EUA

A América Latina e o Caribe, afirmou, “estão enfrentando insegurança e instabilidade exacerbada pela Covid-19, pela crise climática e pela República Popular da China”. Advertiu que a China continua sua “marcha incessante” para ampliar sua influência econômica, diplomática, tecnológica, informativa e militar e “desafia a influência dos Estados Unidos em todas essas áreas”. 

Ao mesmo tempo, assinalou que a Rússia “intensifica a instabilidade” através de seus vínculos com a Venezuela, Cuba e Nicarágua como também com suas “operações de desinformação”. 

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Após reiterar o que disse seu colega, sublinhou que “as organizações criminosos transnacionais geram instabilidade e insegurança o que permite que nossos competidores, China e Rússia, floresçam e se vejam como os heróis do dia ao chegar com seus projetos e seu dinheiro, equipamento e capacidades”. Acusou que é grande negócio a lavagem de dinheiro pelos chineses que lavam os fundos das organizações criminosas transnacionais, que calcula em 310 bilhões de dólares anuais. 

E se não fosse suficiente, também mencionou como ameaças no hemisfério o Irã, a corrupção, a migração irregular e a mudança climática” tudo o que “abruma as frágeis instituições estatais da região”. 

 

A democracia sob ameaça

Ao elaborar sobre as ameaças e desafios enfrentados pelo Comando Norte, cuja missão inclui a defesa territorial dos Estados Unidos, o general VanHerck declarou que “nosso país está sob ataque a cada dia” no que chamou de “espaço de informação” como no universo cibernético, com competidores difundindo desinformação, semeando ativamente divisão e soprando a chama do desacordo interno com a tentativa de minar a fundação de nossa nação, nosso democracia e as democracias ao redor do mundo”.

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Sustentou que os “competidores” estão se preparando para crise potenciais ou conflitos com a intenção de limitar o resposta estadunidense, incluindo limitar “a projeção de poder” desde o território estadunidense, e “minar nossa vontade de intervir numa crise regional”.

David Brooks é correspondente do La Jornada em Nova York, EUA.
Tradução por Beatriz Cannabrava.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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David Brooks Correspondente do La Jornada nos EUA desde 1992, é autor de vários trabalhos acadêmicos e em 1988 fundou o Programa Diálogos México-EUA, que promoveu um intercâmbio bilateral entre setores sociais nacionais desses países sobre integração econômica. Foi também pesquisador sênior e membro fundador do Centro Latino-americano de Estudos Estratégicos (CLEE), na Cidade do México.

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