Pesquisar
Pesquisar
Carlos Rodríguez, Karina Milei (primeira-dama de Milei) e Javier Milei (Foto: Carlos Rodríguez / X)

“Milei provocou uma das recessões mais rápidas e profundas da história”, diz ex-braço direito

"Milei não tem equipe. Não é um partido. São ele e seus fanáticos", disse ainda o economista Carlos Rodríguez neste domingo (26)
Redação Página 12
Página 12
Buenos Aires

Tradução:

Ana Corbisier

Carlos Rodríguez, economista e um dos ex-braços direitos de Javier Milei antes de assumir a Presidência, voltou a questionar com dureza o governo nacional. Disse que o chefe de Estado “não tem equipe” e que só está rodeado “de fanáticos” que durante quase seis meses não conseguiram aprovar “nem uma só lei” no Congresso.

“Milei não tem equipe. Não é um partido. São ele e seus fanáticos. Milei e seus seguidores vão ter que dar-se conta de que em política o que importa são os fatos e não o que eles pensam de si mesmos”, lançou o economista em suas redes sociais.

Leia também | Milei bloqueia 5 mil ton de comida, deixa mais pobres com fome e inflama revolta na Argentina

Rodríguez foi um dos homens-chave da Liberdade Avança (LLA) na armação do plano econômico que esta força esboçou durante a campanha de 2023. Como ex-vice-ministro de Economia dos anos 90, foi homem de consulta e parte dos próximos do agora chefe de Estado.

No entanto, sua honestidade brutal em relação à dureza das medidas que deviam ser aplicadas, as alianças posteriores com setores do macrismo e a guinada do próprio Milei fizeram com que deixasse de frequentar o círculo mais íntimo do poder na Casa Rosada.

Morde e assopra

Agora apoia o primeiro mandatário, mas questiona suas medidas. Desta vez criticou o Presidente por “afastar todos os do Gabinete que lhe fazem sombra”. “Basicamente são Milei e sua irmã”, a secretária-geral da Presidência, Karina Milei, acrescentou e lhes fez uma recomendação: “Têm que construir um verdadeiro partido de direita com vistas a 2025/27 e esquecer-se de tratar de mudar a Argentina com uma lei. (O Presidente) tem que buscar metas menos ambiciosas e mais críveis para 2024 e o Orçamento de 2025″.

No mesmo tom, assegurou que o chefe de Estado “carece de gente para milhares de posições de Governo intermediárias” e disse que “formar um partido sustentável deve ser uma meta prioritária, antes de tratar de mudar a Argentina com uma canetada”. Menos viagens ao exterior e mais bola aos esquerdistas locais. Assim é como estamos. Se Milei desaparecer, leva com ele a economia de mercado, o liberalismo e a direita. Não devemos permitir isso”, enfatizou.

Leia também | Superávit de Milei é ilusionismo contábil: a verdade sobre a economia Argentina

Em um extenso post em sua conta na rede social X, Rodríguez disse ainda que “apesar de proclamar que Milei é o líder mais importante do planeta e que fizeram o maior ajuste da história do país, a realidade é que não aprovaram uma única lei em seus primeiros cinco meses de Governo. Talvez consigam uma proximamente, no que seria uma vitória de Pirro“.

Em sua opinião, o Governo da LLA provocou “uma das recessões mais rápidas e profundas da história do país e uma enorme desvalorização que liquefez ingressos, aposentadorias, gastos sociais e paralisou as obras públicas”.

Também advertiu que “o cepo, o Imposto PAIS e a obrigação dos exportadores de vender as divisas ao BCRA são elementos essenciais para manter a paridade cambial, a arrecadação e a ficção inflacionária”.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.

Redação Página 12

LEIA tAMBÉM

Jesus-Chuy-Garcia
Vítimas da violência no México e nos EUA se unem contra armamentismo estadunidense
noboa-equador2
Equador: desmonte de Noboa atinge necrotérios e pilha de corpos "derrete" em Guaiaquil
javier-milei
Resistência: 8x em que povo argentino derrotou a motosserra de Milei
PascualHernandezCUC
“Do genocídio praticado contra indígenas na Guatemala surgiu o termo palestinização”, afirma CUC