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Não foi falta de aviso: desigualdade vacinal pode ter gerado cepa de Covid mais perigosa de todas

A variante B.1.1.529 tem uma combinação preocupante de mutações que podem tornar o vírus mais contagioso e ajudá-lo a fugir à resposta imunitária do corpo
Redação AbrilAbril
AbrilAbril
Lisboa

Tradução:

Estão disponíveis treze vacinas para combater a Covid-19, mas a taxa de cobertura é muito desigual nas várias zonas do planeta. Em África, as taxas de vacinação são ainda muito baixas. Em Camarões, apenas 0,6% da população está totalmente vacinada, no Egito 8%. Mas em outros continentes, mesmo tendo desenvolvido vacinas antes dos outros, não é sinônimo de adesão da população ou da eficácia da campanha de vacinação, como se pode ver na Rússia, em que apenas 32% da população está totalmente vacinada, e nos Estados Unidos, com os seus 58%.

Enquanto se verifica esta desigualdade que permite a multiplicação da doença e o aparecimento de novas variantes do vírus, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (CEPCD) recomendou uma terceira dose para toda a população adulta, com especial incidência nas pessoas com 40 anos ou mais, seis meses após a segunda injeção.

A última das variantes até à próxima

Os cientistas detectaram uma nova variante da Covid-19 classificada B.1.1.529, com origem na África do Sul. Existem até agora pouco mais de uma centena de casos, desta variante, confirmados na África do Sul, Hong Kong e Botsuana. De acordo com o sistema de nomenclatura utilizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a variante será identificada como «nu».

A variante B.1.1.529 tem uma combinação preocupante de mutações que podem tornar o vírus mais contagioso e ajudá-lo a fugir à resposta imunitária do corpo

Montagem Diálogos do Sul
A variante «nu» é considerada a mais perigosa de sempre e os cientistas põem a hipótese de não ser combatida pelas vacinas.

A variante B.1.1.529 tem uma combinação preocupante de mutações que os cientistas dizem poder tornar o vírus mais contagioso e ajudá-lo a fugir à resposta imunitária do corpo. Qualquer nova variante capaz de escapar à proteção vacinal ou de se espalhar mais rapidamente do que a atualmente predominante variante delta poderia ameaçar seriamente a saída global da pandemia.

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A Organização Mundial da Saúde está reunida esta sexta-feira (26) para avaliar esta nova variante. Determinará se se trata de uma variante de “preocupação” ou “interesse”, relata o The Guardian. Decidirá também a designação oficial utilizando o alfabeto grego, tal como fez com as variantes anteriores. A próxima carta disponível é nu.

As primeiras indicações dos laboratórios de diagnóstico sugerem que a variante aumentou rapidamente na província de Gauteng, na África do Sul, e pode já estar presente nas outras oito províncias do país.

No seu relatório diário de casos confirmados a nível nacional, o Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis da África do Sul (NICD, acrónimo em inglês) relatou 2465 novas infecções de Covid-19, quase o dobro do número do dia anterior. O NICD não atribuiu o aumento dos casos à nova variante, embora alguns dos principais cientistas locais suspeitem que é a causa.

A África do Sul confirmou cerca de 100 casos com a variante B.1.1.529, mas também foi encontrada no Botsuana e em Hong Kong (na cidade asiática, a portadora é uma pessoa que chega da África do Sul). Os cientistas acreditam que até 90% dos novos casos em Gauteng podem ser causados pela variante B.1.1.529. Pelo menos um caso de infecção com esta variante também foi detectado em Israel.

Uma variante que pode escapar às vacinas

Os cientistas consultados descrevem nu como a pior variante desde o início da pandemia. Tem 32 mutações na proteína spicule, que por sua vez é a parte do vírus utilizada pela maioria das vacinas para treinar o sistema imunitário contra a Covid-19. Este número de mutações é cerca do dobro do número associado com a variante delta. As mutações nesta proteína podem afetar a capacidade do vírus de infectar as células e de se espalhar, mas também dificultar para as células imunitárias atacarem o agente patogénico.

A variante delta foi detectada pela primeira vez na Índia no final da década de 2020 e, desde então, espalhou-se por todo o mundo, levando a um aumento das taxas de infecção e de casos fatais. Outras variantes do coronavírus incluem alfa (detectada em Kent, Reino Unido), beta (primeiro detectada na África do Sul) e gama (detectada no Brasil). Após o declínio dos casos no Japão, foi sugerido que as variantes podem «sofrer uma mutação para fora da existência».

Europa suspende voos com África

A Comissão Europeia recomendou a suspensão dos voos para a África do Sul e outros destinos na região. Vários países europeus já suspenderam todas as ligações, incluindo a Alemanha e a Itália.

O Reino Unido também colocou a África do Sul, Namíbia, Lesoto, Botsuana, eSwatini e Zimbábue na sua lista vermelha de restrições de viagem, o que significa que os viajantes provenientes destas áreas serão proibidos, com poucas excepções, e quaisquer passageiros que cheguem ao Reino Unido terão de ser estritamente colocados em quarentena num hotel vigiado.

Sobre o tema:
Prefeito Ricardo Nunes ignora há três meses riscos da variante Delta em São Paulo

A Itália e a Alemanha vão proibir a entrada nos seus territórios de viajantes da África Austral devido à nova variante da Covid-19 detetada na África do Sul, anunciaram esta quinta-feira os ministros da saúde alemão e italiano.

E pelo menos quatro países — Áustria, Itália, Israel e Singapura — proibiram nesta sexta-feira (26) a entrada de viajantes provenientes de Moçambique, a par de outros países da África Austral, como medida de precaução devido à nova variante do coronavírus detetada na África do Sul.

Israel anunciou também que proibirá os seus cidadãos de viajar para a África Austral, uma restrição que afeta os mesmos seis países da lista vermelha do Reino Unido, mais Moçambique.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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