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"Ponto sem volta", diz Rússia sobre ser definida pelos EUA como patrocinadora do terrorismo

Legisladores estadunidenses iniciam processo enquanto ambos os países discutem negociações de paz relativas a acordo de armas de nucleares
Juan Pablo Duch
La Jornada
Moscou

Tradução:

As relações entre a Rússia e os Estados Unidos, há muito tempo à beira de ruptura, adquiriram nesta terça-feira (2) a ligeira esperança de que nem tudo está perdido ao Kremlin anunciar que, em princípio, está de acordo em retomar as negociações de desarme nuclear com os Estados Unidos, considerando que Washington considere os interesses de Moscou. 

“Só tem sentido sentar-se para negociar se as bases se baseiam no respeito mútuo, tomam em conta as preocupações de cada país e estão dispostos a considerar estas preocupações”, indicou Dimitri Peskov, porta-voz da presidência russa.

Assim respondeu às perguntas dos jornalistas sobre se a Rússia vai levantar a leva que lhe lançou o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, na segunda-feira anterior, ao dizer que ele está pronto para debater com a Rússia um novo tratado de redução de armas estratégicas que substitua o atual STAR III, ocasião que o inquilino da Casa Branca utilizou para exortar o Kremlin a demonstrar que também está preparado para negociar. 

Peskov recordou que, desde que se decidiu em 2021 estender por cinco anos a vigência do START III, “a Rússia tem assinalado com insistência que é necessário retomar as negociações devido a restar pouco tempo até fevereiro de 2026, quando esse tratado deixa de existir, sem ser substituído por outro documento compreensivo, e que a segurança e a estabilidade globais se verão afetadas de maneira muito negativa”. 

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Nesse contexto pouco esperançoso por causa da tensão que caracteriza a relação bilateral, nesta mesma terça-feira a Rússia – através do porta-voz de seu Exército, Igor Konashenkov – acusou os Estados Unidos de estarem “diretamente envolvidos” nos combates na Ucrânia ao proporcionar ao exército ucraniano as coordenadas para os objetivos que destroem os mísseis Himars.

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O general russo mencionou como evidência uma entrevista do subchefe da inteligência militar ucraniana, Vadim Skybitsky, ao diário britânico The Telegraph, na qual disse que “para determinar os objetivos utilizamos informação em tempo real” e, ao tratar de emendar sua indiscrição, foi preciso: “Não posso dizer se usamos os satélites britânicos ou estadunidenses, mas sim que temos muito boas imagens de satélite”. 


Legisladores estadunidenses iniciam processo enquanto ambos os países discutem negociações de paz relativas a acordo de armas de nucleares

Reprodução Instagram
"Resultado lógico desse irresponsável passo pode ser a ruptura de relações diplomáticas", declarou a chanceler María Zajarova

Para Konashenkov, “isto confirma de maneira irrefutável que Washington, apesar das declarações da Casa Branca e do Pentágono, está diretamente envolvido no conflito na Ucrânia”, e que “Washington e Kiev decidem juntos os objetivos a destruir”. 

O porta-voz militar russo conclui que “a administração Biden também é responsável pelos ataques aos edifícios de moradia e das infraestruturas civis da região de Donetsk, que causaram numerosas mortes entre a população”. 

Além disso, a chancelaria russa advertiu que se os Estados Unidos optarem por declarar a Rússia “país patrocinador do terrorismo”, como sugeriu o Senado em uma resolução não vinculada no passado 27 de julho, seria inevitável a ruptura de relações diplomáticas. 

Pela boca de sua porta-voz, María Zajarova, o ministério de Relações Exteriores russo pontuou: “Os legisladores estadunidenses já começaram a desenhar o que lhes parece uma arma poderosa, que é declarar Moscou como patrocinador do terrorismo. Se esquecem de que toda ação leva a uma reação, e o resultado lógico desse irresponsável passo pode ser a ruptura de relações diplomáticas, atrás da qual Washington corre o risco de ultrapassar um ponto sem retorno com todas as consequências que isso implica”.

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O secretário de Estado, Antony Blinken, a quem corresponderia fazer o anúncio, não apoia a iniciativa dos senadores, de acordo com uma informação não confirmada ao New York Times. Mas isso não impediu que fosse o próprio Blinken a fazer o anúncio de que o governo dos EUA proibiu nesta terça-feira a entrada no país de 893 funcionários russos e impôs restrições adicionais a magnatas e empresas da Rússia. 

“Os Estados Unidos não terão dúvidas na hora de apoiar o valente povo da Ucrânia e continuarão promovendo a prestação de contas do presidente (russo, Vladimir) Putin e seus cúmplices”, afirmou Blinken, segundo agências de notícias.

Juan Pablo Duch | La Jornada
Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Juan Pablo Duch Correspondente do La Jornada em Moscou.

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