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Quem é Monark e por que ele é perigoso para o debate democrático?

Ontem (7), youtuber defendeu que partidos nazistas sejam reconhecidos pela lei brasileira e que indivíduos tenham direito de serem anti-judeus
George Ricardo Guariento
Diálogos do Sul
Taboão da Serra

Tradução:

Bruno Aiub é mais conhecido na internet como Monark e se tornou um dos maiores youtubers de games do Brasil em meados de 2009, quando usava fóruns do extinto Orkut e o Twitter para promover seus vídeos.

Com um humor ácido, o influenciador ganhou reconhecimento com as transmissões ao vivo e vídeos sobre jogos clássicos da nova geração, como MineCraft e League of Legends. Para além dos games, Bruno também compartilhava curiosidades sobre famosos e fatos inusitados.

Com o passar dos anos, Monark foi ficando velho para o formato de vídeos sobre game, que estavam promovendo youtubers cada vez mais jovens. Foi no momento de decadência, então, que ele resolveu investir em um formato até então pouco conhecido no país: o podcast. Até hoje (8), o paulistano integrava o time de apresentadores do Flow Podcast, um dos programas de entrevista mais ouvidos do país. Além disso, possui outros canais no YouTube.

Ontem (7), youtuber defendeu que partidos nazistas sejam reconhecidos pela lei brasileira e que indivíduos tenham direito de serem anti-judeus

Flow Podcast – Reprodução/Twitter
Monark foi desligado do time de apresentadores do Flow Podcast após fala antissemita

Apesar de ser uma figura representativa na área, Monark já foi “cancelado” algumas vezes nas redes sociais por falas preconceituosas, apologia a crimes e e posicionamentos contraditórios.

As polêmicas

Bolsonarista do tipo tímido, Monark vem colecionando polêmicas sempre com a desculpa de lutar pela liberdade de expressão nas redes sociais. No Twitter, após a decisão de plataformas excluírem uma live do presidente Jair Bolsonaro onde ele dizia que a vacina poderia causar AIDS, o youtuber disse que “opiniões não matam”.

Em outro tweet, ele tentou aprofundar sua ideia, que já era rasa: “Ae galera, infelizmente tenho que comunicar, que meu amigo Estevam morreu, ele ouviu muitas opiniões ruins e contraiu opiniãonite, era jovem, mas o novo vírus das opiniões assassinas está à solta e mais mortal do que nunca”.

Pouco tempo depois, Monark entrou em outra discussão em nome da liberdade de “falar besteira” e no twitter perguntou se “ter uma opinião racista é crime?”. Ao que foi respondido pelo Advogado Augusto Botelho: “Sim”.

Esse tweet ocasionou a perda do maior patrocinador do Flow Podcast na época, o iFood, que além de romper o contrato, fez uma nota repudiando a atitude do apresentador.

Leia a nota na íntegra:

O Limite da liberdade

Na última segunda-feira (7), Monark ultrapassou qualquer limite minimamente aceitável para qualquer tipo de debate. O podcaster defendeu a existência de um partido nazista no Brasil e que o mesmo fosse reconhecido legalmente.

“A esquerda radical tem muito mais espaço que a direita radical, na minha opinião. As duas tinham que ter espaço, na minha opinião. Eu acho que o nazista tinha que ter o partido nazista reconhecido pela lei”, disse Monark.

A debutada Tabata Amaral (PSB) que participava do programa, respondeu aparentemente incrédula: “Liberdade de expressão termina onde a sua expressão coloca em risco a vida do outro. O nazismo é contra a população judaica e isso coloca uma população inteira em risco”.

Logo em seguida, desdenhando da deputada, Monark questionou como o nazismo colocaria os judeus em risco: “Quando o nazismo é uma minoria, não põe”, afirmou. O pseudo apresentador insistiu, dizendo que “se um cara quisesse ser anti-judeu, eu acho que ele tinha o direito de ser”.

O que Monark parece ignorar é que, no Brasil, o artigo 1º da Lei 7.716/89 considera crime fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas e objetos de divulgação do nazismo.

Foi sem querer querendo

Na tarde desta terça-feira (8), o apresentador do Flow Podcast apareceu em um vídeo abatido, onde pede desculpas e diz que estava bêbado: “Eu queria fazer esse vídeo só para pedir desculpas mesmo porque, na verdade, eu errei. A verdade é essa. Eu tava muito bêbado e fui defender uma ideia que é uma ideia que acontece em outros lugares do mundo, nos EUA, por exemplo, mas fui defender essa ideia de um jeito muito burro, eu estava bêbado”.

Fora do Flow Podcast

Ainda na tarde de hoje (8), a conta oficial do Flow Podcast comunicou o desligamento de Monark do quadro de apresentadores do programa, além da retirada do ar do episódio 545, veiculado no ontem (6). O perfil reforçou o comprometimento com a democracia e os direitos humanos e pediu desculpas a todas as pessoal, especialmente à comunidade judaica. Confira:

A pergunta que fica é: até quando personagens toscos como Monark e outros vão ser elevados a grandes mediadores do debate publico? E as pessoas que aceitam entrar no jogo? É bom lembrar que Tabata Amaral estava lá presente, Guilherme Boulos também já foi ao programa algumas vezes, assim como diversos outros nomes de esquerda, mas porquê? Para quê?

Assista na TV Diálogos do Sul


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul


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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
George Ricardo Guariento Graduado em jornalismo com especialização em locução radiofônica e experiência na gestão de redes sociais para a revista Diálogos do Sul. Apresentador do Podcast Conexão Geek, apaixonado por contar histórias e conectar com o público através do mundo da cultura pop e tecnologia.

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