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Recompensa: Petro lança medida em defesa do voto livre; eleição regional é neste domingo (29)

Compra de votos é um dos maiores problemas enfrentados nas eleições colombianas e atinge sobretudo as camadas mais pobres
Jorge Enrique Botero
La Jornada
Bogotá

Tradução:

A poucos dias das eleições regionais que elegerão 32 governadores e um pouco mais de 1.100 prefeitos, a Colômbia vive um clima de expectativa ante os resultados que, segundo a oposição ao governo Gustavo Petro – serão uma espécie de plebiscito sobre a gestão do primeiro presidente de esquerda na história do país. 

Contaminados historicamente por práticas corruptas como a compra de votos e a repartição de postos públicos, as eleições regionais são o cenário por excelência dos caciques políticos tradicionais, que invertem formidáveis somas de dinheiro para depois multiplicá-las durante os seguintes quatro anos através da contratação pública. 

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“Nem são plebiscito sobre a gestão do presidente Petro, nem seus resultados podem-se comparar com as da eleição presidencial de 2022, mas sim com as regionais de quatro anos atrás”, adverte o jornalista e analista político Mario López”, sobre as eleições do próximo domingo (29), nas quais também se elegerão os conselhos municipais e as assembleias departamentais.

Estimulada pelo clima de polarização extrema vivida pelo país, a violência tornou a ser protagonista nos meses prévios à jornada eleitoral, com 436 fatos contra aspirantes e partidos que participam na contenda, segundo registros divulgados pela Missão de Observação Eleitoral (MOE).

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Os episódios violentos documentados pelo MOE incluem o assassinato de 41 líderes políticos ou sociais, 324 ameaças, 50 atentados e quatro sequestros, contra candidatos de partidos políticos de diversas tendências, embora a maioria dos afetados (55) pertencem ao Pacto Histórico, a coalisão de forças progressistas que levou à presidência Gustavo Petro. 

Um “mapa de risco eleitoral” publicado por esse centro de investigação independente indica que há 201 municípios com altos níveis de dificuldade para o exercício livre do voto, situados em 17 departamentos do país. 

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No meio deste violento panorama, que não se apresentava desde 2014, se levanta o fantasma da compra de votos e a repartição de prebendas burocráticas, uma prática enquistada há décadas no comportamento de milhões de cidadãos, para os quais o dia das eleições é só um bom momento para atenuar a fome e levar para casa um alívio efêmero que em nada resolve sua situação. 

Empenhado em abolir esta detestável maneira de “fazer política”, que muitos caciques defendem argumentando que já é um costume praticado pela maioria dos políticos, o governo de Petro anunciou nesta terça-feira (24) que pagará recompensas aos cidadãos que denunciarem os compradores de votos: “Dei autorização para pagar as informações efetivas sobre compradores de votos em todo o território nacional. Comprar votos é um delito”, escreveu o chefe do Estados em sua conta de X.


Cidades termômetro

Além dos rios de dinheiro que correrão no domingo por pequenas capitais, povoados e veredas das zonas rurais, segundo analistas eleitorais, o termômetro que medirá a opinião dos cidadãos sobre o momento que vive o país estará nas principais capitais, começando por Bogotá, onde tem lugar um renhida disputa pela prefeitura da cidade, hoje em mãos de uma coalizão progressista que encabeçou Claudia López.

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Compra de votos é um dos maiores problemas enfrentados nas eleições colombianas e atinge sobretudo as camadas mais pobres

Foto: Reprodução/Facebook
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro

Carlos Fernando Galán, filho do assassinado líder liberal Luis Carlos Galán, à frente de uma soma de partidos e movimentos da direita tradicional, parece encabeçar as intenções de votos, de acordo com as sempre incertas pesquisas dos dias pré-eleitorais. Segue o candidato do Pacto Histórico, Gustavo Bolívar, um dos mais fiéis escudeiros do presidente Petro, a qual recusou apoios financeiros de grandes conglomerados econômicos e impulsionou o mesmo programa de mudanças sociais e econômicas do primeiro mandatário. Completa a terna de favoritos ao segundo cargo da eleição popular mais importante do país Juan Daniel Oviedo, um independente que reivindica sua condição de “tecnocrata” e fez figuração como diretor do Departamento de Estatística do governo de Iván Duque. 

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Segundo a lei eleitoral, Bogotá é a única cidade do país onde pode haver um segundo turno, no caso de nenhum dos aspirantes obter mais de 40% dos votos e ter mais de 10 pontos de vantagem porcentual a seus adversários, cenário que a maioria dos analistas vê como o mais provável. 

Medellín, segunda maior cidade da Colômbia, já tem praticamente eleito Federico Gutiérrez, um uribista “puro sangue” que enfrentou Gustavo Petro na recente contenda presidencial em nome do partido Centro Democrático, do ex-presidente Álvaro Uribe, o qual também sucede em Barranquilla, onde Alejandro Char, delfim de um poderoso clã de empresários e políticos ligados aos partidos de direita, acaricia desde já um seguro triunfo nas urnas. 

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Roberto Ortiz, um líder cívico, conhecido por sua atividade em meios de comunicação, e Alejandro Eder, jovem empresário, herdeiro de um dos conglomerados econômicos mais poderosos da cidade, disputam em “voto-finish” à prefeitura de Cali, a terceira cidade do país. 

“Nos sentimos, como todos os partidos, em alguns lados mais fortes que em outros, mas do que estamos seguros é de que vamos ampliar nossa base política popular, duplicando em conselhos e assembleias o que temos hoje”, expressou David Racero, um dos mais representativos legisladores da coalizão de governo. 

Jorge Enrique Botero | La Jornada, especial para Diálogos do Sul – Direitos reservados.
Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.

Jorge Enrique Botero Jornalista, escritor, documentarista e correspondente do La Jornada na Colômbia, trabalha há 40 anos em mídia escrita, rádio e televisão. Também foi repórter da Prensa Latina e fundador do Canal Telesur, em 2005. Publicou cinco livros: “Espérame en el cielo, capitán”, “Últimas Noticias de la Guerra”, “Hostage Nation”, “La vida no es fácil, papi” y “Simón Trinidad, el hombre de hierro”. Obteve, entre outros, os prêmios Rei da Espanha (1997); Nuevo Periodismo-Cemex (2003) e Melhor Livro Colombiano, concedido pela fundação Libros y Letras (2005).

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