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Rússia: reportagem sobre Nord Stream não surpreende, mas é preciso investigar os EUA

"É impossível deixar isto sem determinar quem foram os responsáveis e castigá-los", afirma o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov
Germán Ferrás Álvarez
Prensa Latina
Moscou

Tradução:

A Chancelaria russa responsabilizou o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, pela sabotagem contra os gasodutos Nord Stream em junho de 2022, denunciados em um recente artigo pelo jornalista norte-americano Symur Hersh.

O comentarista afirmou que mergulhadores da armada estadunidense realizaram esta ação terrorista para cortar recursos da Rússia provenientes da venda de gás para a Alemanha.

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Segundo a porta-voz do Ministério russo de Assuntos Exteriores, María Zakárova, Moscou nem se surpreende com as afirmações de Hersh, pois desde o início, todos sabiam que as explosões de Nord Stream 1 e 2 só eram possíveis com a participação de uma potência militar.

A diplomata também destacou que não era casual o apoio da Noruega aos mergulhadores estadunidenses, tal como afirma Hersh.

Desde muito antes das sabotagens, houve sinais do interesse de Washington e de alguns de seus aliados em que tais dutos desaparecessem.

Além do prejuízo pela interrupção do fornecimento de gás barato que poderiam ocasionar à Rússia, havia também o efeito econômico, já que se abria a oportunidade estadunidense de vender o seu gás para a Europa, criando assim uma dependência energética.

"É impossível deixar isto sem determinar quem foram os responsáveis e castigá-los", afirma o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov

Kremlin
Dmitri Peskov: Artigo "demonstra novamente a necessidade de uma investigação internacional"




A operação militar segundo Hersh

A investigação publicada por Hersh indica que a sabotagem foi uma ação ultra secreta solicitada pelo presidente Joe Biden com o objetivo de destruir os quatro gasodutos do Nord Stream.

Os mergulhadores da armada estadunidense aproveitaram simulacros bélicos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) conhecidos como Baltops para colocar a carga explosiva que ativaram posteriormente.

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Hersh informa que três meses depois, em 26 de setembro, um avião da Marinha norueguesa lançou uma boia hidroacústica que detonou os artefatos explosivos.

O sinal estendeu-se sob a água, inicialmente até o Nord Stream 2 e depois até o Nord Stream 1. Algumas horas mais tarde foram ativados os explosivos de alta potência e “três dos quatro dutos ficaram fora de serviço”.

O jornalista explica ainda que os preparativos deste ato levaram nove meses e foram coordenados pessoalmente pelo assessor de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan.


Um gasoduto estratégico

Desde o início das hostilidades na Ucrânia, a administração Biden chegou à conclusão que enquanto a Europa continuasse dependendo dos gasodutos para obter gás natural barato, países como a Alemanha fariam resistência a fornecer a Kiev o dinheiro e as armas de que necessitava, escreveu o repórter.

Foi nesse momento que Biden autorizou o assessor de Segurança Nacional, Jake Sullivan a preparar, em absoluto segredo, um grupo que se ocupasse do trabalho sujo.

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Como era de esperar, a Casa Branca rejeitou qualquer acusação que pudesse relacionar os Estados Unidos às explosões, apesar de que Joe Biden viu nos gasodutos um meio que propiciava ao presidente russo, Vladimir Putin, “uma arma política”.

No entanto, a alegria da subsecretária de Estado Victoria Nuland com os atentados contra os Nord Stream evidencia a participação do governo de Biden.

O único beneficiado por um fato de tal natureza, tanto politica como economicamente, foram os Estados Unidos que, desde muito antes, opuseram-se à existência desses gasodutos.


Rússia exige uma investigação internacional

Moscou sempre qualificou de terrorismo essa ação contra uma instalação sua e lesiva aos interesses das nações europeias, razão pela qual exigiu participar das investigações; mas até agora isso lhe foi negado.

Quando foi publicado o artigo de Hersh, poucos dias depois de completar-se um ano da operação militar especial da Rússia na Ucrânia, as reações não se fizeram esperar. Moscou exigiu uma investigação internacional, enquanto Washington definia as acusações como “uma completa ficção”.

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O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que o artigo “demonstra novamente a necessidade de uma investigação internacional sobre estes ataques sem precedentes contra uma infraestrutura crítica” garantindo que “é impossível deixar isto sem determinar quem foram os responsáveis e castigá-los”.

Peskov acrescentou que “alguns pontos do artigo podem ser rebatidos e outros precisam de provas”, mas “é notável que o trabalho é fruto de uma análise profunda”.

Anteriormente, o líder da Duma Estatal (Câmara baixa do Parlamento russo), Viacheslav Volodin, pediu uma investigação internacional para “levar o presidente estadunidense, Joe Biden, e seus cúmplices à justiça, assim como pagar indenizações aos países afetados”.


Funcionários dos EUA assumem sabotagens a Nord Stream, diz Lavrov

Funcionários dos Estados Unidos admitiram serem responsáveis pelas explosões nos gasodutos russos Nord Stream 1 e 2, declarou neste domingo (12) o ministro do Exterior da Rússia, Serguei Lavrov.

Agora falam disso até com prazer, disse o titular em uma entrevista trasmitida pelo Canal Rossiya 24.

Lavrov agregou que a administração de Joe Biden realizou os atos de sabotagem com o objetivo de destruir a aliança baseada nos recursos energéticos russos e tecnologia alemã, já que começou a ameaçar a posição de monopólio de muitas corporações estadunidenses.

Germán Ferrás Álvarez, correspondente-chefe da Prensa Latina na Rússia, e Redação Prensa Latina.
Tradução: Ana Corbisier.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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