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Russos rebatem críticas à vacina Sputnik V e questionam segurança de soluções ocidentais

Um responsável russo expressou dúvidas sobre vacinas ocidentais como as da AstraZeneca e defendeu a confiabilidade e o rigor dos estudos sobre a Sputnik V

Redação AbrilAbril
AbrilAbril
Lisboa

Tradução:

O Centro Nacional de Investigação de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya, em Moscou, negou rotundamente, as acusações de falta de confiabilidade dos dados estatísticos sobre a vacina russa Sputnik V, recentemente publicados na prestigiosa revista médica The Lancet.

“Os dados publicados são confiáveis e precisos e foram aprovados por cinco revisores da The Lancet”, foi ainda entregue à revista “um protocolo clínico completo”, afirmou à RT o subdiretor do Centro Gamaleya, Denis Logunov, acrescentando que a instituição proporcionou exatamente os dados obtidos e não aqueles “que deveriam agradar aos especialistas italianos”.

As declarações ocorreram um dia depois de um grupo de investigadores estadunidenses e italianos, entre outros, terem publicado uma carta aberta, dirigida aos autores do estudo da Sputnik V, em que assinalavam o que consideravam “anomalias estatísticas em algumas das experiências. Em resposta, os criadores da vacina russa disponibilizaram-se para proporcionar à The Lancet as explicações necessárias, caso a revista o solicitasse.

Em declarações à agência Tass, os responsáveis daquela publicação médica mostraram-se abertos à “discussão científica dos artigos que publicamos” e disseram ter entregue a carta aberta ao professor Logunov e restantes coautores dos ensaios com a vacina russa, convidando-os a participar no debate.

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À mesma agência o membro da Academia de Ciências da Rússia, Alexandre Kabánov, professor na Universidade Estatal de Moscou e na Universidade da Carolina do Norte (EUA), declarou que a crítica de artigos científicos faz parte de um processo normal, sobretudo “quando se trata de obras de grande importância social, como uma vacina ou um medicamento em tempos de pandemia, e que a existência de críticas não significa que os resultados obtidos pelos investigadores estejam errados”.

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Sputnik Brasil
a vacina desenvolvida pelo instituto Gamaleya é posta em confronto com as suas mais diretas rivais

Algumas vacinas oferecem mais riscos que outras, afirma a Rússia

Já Kirill Dmitriev, CEO do fundo soberano que financia a investigação da Sputnik V, não só defendeu a seriedade da investigação russa como produziu críticas ácidas da postura ocidental em matéria de vacinas.

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Os esforços russos para desenvolver uma vacina confiável contra a Covid-19 tem sido “muito atacados nas mídias ocidentais”, apesar dos “grandes resultados” obtidos na fase 3 de testes. sem que o mesmo espírito crítico se aplique às vacinas ocidentais em desenvolvimento.

“Mostrem-nos os estudos da ‘segurança’ das vossas vacinas”, afirmou, desafiando os EUA e o Reino Unido a mostrar estudos ou comprometimentos de que vacinas como a da AstraZeneca não têm efeitos a longo prazo sobre a saúde humana.

Exigindo que todas as vacinas sejam objeto do mesmo critério crítico, Dmitriev pediu ao Ocidente “estudos que mostrem que vacinas com adenovírus de macaco, como a vacina britânica da AstraZeneca, ou vacinas com mRNA [ARN mensageiro], a vacina dos EUA, não têm efeitos a longo prazo e riscos de cancro e de infertilidade”.

E precisou: “tanto quanto sabemos, esses estudos não existem e são muito importantes… [Os investigadores] devem mostrar às pessoas que estão seguros de que não existe nem elevado risco de cancro, nem elevado risco de infertilidade”.

A vacina russa, desenvolvida sobre adenovírus humano, explicou Dmitriev, “baseia-se numa abordagem que já deu provas” e que foi testada em muitas pessoas, “incluindo militares dos EUA”, em contraste com as vacinas britânicas e estadunidenses, as quais, afirma, “não possuem estudos de longa duração”.

Processo de pré-qualificação da OMS

A Rússia, afirmou, vai candidatar-se ao processo de pré-qualificação pela Organização Mundial de Saúde (OMS), à qual o Ministério da Saúde russo já forneceu os resultados das fases 1, 2 e 3 dos testes da Sputnik V.

“Trabalharemos com a OMS e com todas as organizações ocidentais”, declarou Dmitriev, acrescentando que “estamos em contato com pessoas que realmente se interessam por uma vacina que possa estar disponível em muitos países”.

Num quadro disponível na página da Sputnik V, a vacina desenvolvida pelo instituto Gamaleya é posta em confronto com as suas mais diretas rivais.

Nele é possível verificar que a vacina russa já completou quatro testes da fase 3, o que nenhuma das concorrentes fez. Envolveu 20 mil pessoas nesses testes, contra 7 mil e 10 mil das vacinas britânica e americana, respectivamente.

Prepara-se para envolver 500 mil pessoas na próxima fase de testes, contra 50 mil e 100 mil das suas respectivas concorrentes.

Redação AbrilAbril


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

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