Pesquisar
Pesquisar

Tragédia era evitável: países que controlaram a Covid estão conseguindo reativar a economia

Nações com enormes diferenças culturais entre si conseguiram bons resultados com número mínimo de vítimas, como Cuba, Nova Zelândia e Ruanda

Gabriel Valery
Rede Brasil Atual
São Paulo (SP)

Tradução:

O Brasil é o segundo país mais afetado pela covid-19 no mundo e foi apontado por estudo australiano como país com pior gestão da pandemia. Enquanto isso, outras nações conseguiram bons resultados com número mínimo de vítimas e controlaram a covid-19. Países com altos contrastes econômicos e sociais que tiveram em comum o respeito pela vida e pela ciência. Ao contrário do que o governo brasileiro pregou, o descontrole, o morticínio e a crise econômica sem fim não eram inevitáveis.

Países com amplas diferenças como Cuba, Nova Zelândia, Tailândia, Vietnã, Islândia e Ruanda obtiveram sucesso. Desde o início do surto de covid-19, os países que controlaram a covid-19 e conseguiram proteger melhor as vidas e a economia trataram a pandemia com cautela. Levaram em conta estudos e especialistas, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Promoveram isolamento social estratégico e rigoroso, aplicaram testes em massa com rastreio de contágio, ampliaram a capacidade de atendimento hospitalar e adotaram auxílios financeiros para pessoas e pequenas e médias empresas.

Nova Zelândia e Austrália

A Nova Zelândia ganhou holofotes com a gestão rígida contra a covid-19, especialmente na questão do isolamento social. A primeira-ministra Jacinda Ardern, do Partido Trabalhista, ostenta a maior popularidade da história entre os representantes da população em mais de 100 anos. Durante a pandemia, a popularidade de sua gestão e de seu partido aumentou 14 pontos e chegou a 56,5%, frente a 30,6% da oposição, os Nacionais.

De acordo com levantamento da empresa local Newshub-Reid, o isolamento social rígido (lockdown) contou com apoio de 92% da população. Durante mais de um mês, em maio de 2020, o distanciamento foi o mais rigoroso possível e, depois, ao menor sinal de contágio em alguma cidade foram adotadas medidas de lockdown localizadas em determinadas cidades afetadas.

O resultado é notável. Desde março do ano passado, quando a OMS declarou pandemia mundial, o país registrou 2.315 casos e 25 mortes. Enquanto isso, o Brasil se aproxima de 230 mil mortes e 10 milhões de casos.

A ilha vizinha dos neozelandeses, a Austrália, também ostenta bons indicadores entre os países que controlaram a covid-19. Com 28.842 casos e 909 mortes, o país conseguiu frear a disseminação com eficiência, a partir da rigidez pontual. Na semana passada, por exemplo, um caso foi detectado na cidade de Perth, capital da Austrália Ocidental. O governo adotou imediatamente um lockdown de cinco dias para conter qualquer possibilidade de surto.

Com isso, cidades livres da covid-19 seguem com vida normal na Austrália e Nova Zelândia. Os moradores viajam localmente sem maiores problemas, se deslocam pelas cidades e até mesmo já deixaram de lado o uso de máscaras em grandes cidades, como Sidney.

Nações com enormes diferenças culturais entre si conseguiram bons resultados com número mínimo de vítimas, como Cuba, Nova Zelândia e Ruanda

Endrys Correa Vaillant/ Granma
Países com altos contrastes econômicos e sociais que tiveram em comum o respeito pela vida e pela ciência.

O caso de Cuba

Cuba tem cerca de 11 milhões de habitantes e um sistema de governo pautado no socialismo. Vítima de bloqueios unilaterais de Estados Unidos e Israel, a ilha caribenha sofre com dificuldades econômicas. Entretanto, ostenta bons indicadores sociais, possui um baixo índice de violência, elevados parâmetros de Educação e, especialmente, de Saúde.

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), Cuba tem um médico para cada 160 habitantes, a maior média da América Latina e uma das maiores do mundo. A Saúde em Cuba possui maior força do que necessária para seus habitantes e o país utiliza essa força de outras formas. Ao mesmo tempo que a ilha consegue insumos em troca da exportação da força de trabalho, o governo adota uma política de solidariedade internacional.

Solidariedade

A Itália foi um dos países mais castigados ainda no início da pandemia de covid-19. O sistema de Saúde do país europeu entrou em colapso, os hospitais não suportaram a demanda e as pessoas passaram a morrer em casa ou nas ruas, onde corpos chegaram a ficar sem atendimento funerário por 48 horas. Diante disso, Cuba enviou uma brigada médica para o estado mais atingido, a Lombardia.

A solidariedade cubana rendeu elogios da comunidade internacional e inúmeras expressões de gratidão do poder público italiano. A prefeitura de Turim iluminou edifícios da cidade com a frase “Grazie Cuba”, a prefeita de Crema pediu o Nobel da Paz para os médicos cubanos, entre outras ações.

Já em solo cubano, a pandemia foi controlada a partir de testagem massiva dos cidadãos, com rastreio de contágio e isolamento estratégico. Como resultado, 30.345 casos e 225 mortes.

Agora, o país dá mais um passo em direção à solidariedade internacional, ao garantir vacinas gratuitas para todos que visitarem a ilha. Existem três imunizantes em desenvolvimento no país, sendo o mais avançado o fármaco Soberana 2.

Mais exemplos

Na África, Ruanda surpreendeu positivamente o mundo com ações abrangentes contra a covid-19 e com a utilização de tecnologia para frear contágios. O país utiliza um “exército” de robôs para atuar na linha de frente. Os aparelhos tecnológicos humanoides foram adotados com a intenção de proteger os profissionais de Saúde do país.

“Estes robôs vão facilitar o nosso trabalho, ajudando os médicos, enfermeiros e outros prestadores de serviços nos centros de tratamento onde os doentes com covid-19 estão a ser tratados”, disse o ministro da Saúde do Ruanda, Daniel Ngamije, na apresentação dos robôs, em julho.

Além do aparato, o país adotou uma política massiva de vacinação para residentes e também estrangeiros. A testagem foi disponibilizada para todos, sem dificuldade de acesso, além de aplicação de exames de forma ativa em regiões que apresentavam risco de contaminação. Como resultado, 15.998 infectados e 210 mortos.

Outro país entre os que controlaram a covid-19 e atuou com efetividade na contenção da doença foi a Tailândia. O país que possui base econômica turística contou com a força da rede pública de Saúde para frear os contágios. Mais de um milhão de agentes foram de porta em porta nas grandes cidades para verificar temperatura, distribuir máscaras e informativos contra mentiras e fake news sobre o novo coronavírus. O resultado: 22.644 infectados e 79 mortos. O país já retomou sua economia e possui iniciativas turísticas como “quarentenas de luxo” em praias paradisíacas, ilhas reservadas para turistas, entre outras ações para aquecer a economia.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

Veja também

cf21a13a 882a 43de 885c b995137b7a87

   

Se você chegou até aqui é porque valoriza o conteúdo jornalístico e de qualidade.

A Diálogos do Sul é herdeira virtual da Revista Cadernos do Terceiro Mundo. Como defensores deste legado, todos os nossos conteúdos se pautam pela mesma ética e qualidade de produção jornalística.

Você pode apoiar a revista Diálogos do Sul de diversas formas. Veja como:


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul Global.

Gabriel Valery

LEIA tAMBÉM

Cuba
Com tecnologia própria, Cuba recupera incubadoras que salvam bebês prematuros
Sanções contra Cuba Trump reduz esperança de vida de crianças com câncer (4)
Como sanções de Trump contra Cuba atingem esperança de vida de crianças com câncer
Cuidados de longo prazo os desafios da América Latina para garantir o bem-estar dos idosos
Cuidados de longo prazo: os desafios da América Latina para garantir o bem-estar dos idosos
Agên
Dia de Zumbi e da Consciência Negra: um olhar sobre o direito a saúde e cidadania nos quilombos