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Vietnã: a força revolucionária responsável pelo maior desastre político e militar dos EUA

Libertação total do país foi uma brilhante operação militar dor grupos armados e do povo vietnamita sob a condução do partido comunista
Sergio Rodríguez Gelfenstein
Resumen LatinoAmericano
Buenos Aires

Tradução:

Em 6 de junho de 1969, a Frente Nacional de Libertação do Vietnã do Sul (FNL) junto a outras organizações políticas e sociais convocaram um Congresso de representantes do sul que deu origem à criação do Governo Revolucionário Provisório da República do Vietnã do Sul (GRP) o qual viria a desempenhar um papel decisivo na formação do poder revolucionário nessa zona do país.

É preciso dizer que desde 1970, a luta no Laos e no Camboja, também ocupados pelos Estados Unidos, ganhou novas forças, e os patriotas destes países começaram a coordenar esforços com a FNL para o desenvolvimento da guerra revolucionária.

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Em 1972, o Partido Comunista do Vietnã (PCV) ordenou a preparação de uma ofensiva estratégica que permitisse obter vitórias militares de envergadura, desbaratasse a estratégia imperialista de “vietnamização da guerra” e obrigasse os Estados Unidos a recorrer a negociações.

No entanto, ante os êxitos militares do Vietnã, Washington, já no governo de Richard Nixon, ordenou aumentar seus efetivos, mobilizando uma grande força aeronaval a fim de reforçar a agressão contra o sul e desencadear o que se denominou a segunda guerra de agressão contra o norte.

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Ao mesmo tempo, o presidente dos Estados Unidos se viu forçado a fazer uma viagem de surpresa diante da proximidade das eleições de novembro de 1972, para reeleger-se e enfrentar o crescente repúdio à guerra do Vietnã da opinião pública dos Estados Unidos. Evidentemente, tentava obter êxitos militares que lhe permitissem negociar a partir de posições de força em Paris.

Não obstante, ao não obter no terreno bélico os objetivos que se havia traçado e ante as brilhantes propostas da diplomacia vietnamita que conseguia grande apoio em todo o mundo e em particular na própria opinião pública dos Estados Unidos, Nixon se viu obrigado a aceitar as propostas vietnamitas a fim de ganhar tempo para suas tropas enquanto fortalecia o exército títere. Mas, uma vez eleito, Nixon rejeitou abertamente os acordos que assinara, desencadeando bombardeios genocidas contra as principais cidades vietnamitas.

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O infernal assalto aéreo estadunidense contra Hanoi e Haiphong foi enfrentado com êxito pelas forças armadas do Vietnã obrigando a que, em 27 de janeiro de 1973, Nixon fosse impelido a assinar os acordos de Paris sobre o fim da guerra e o restabelecimento da paz no Vietnã.

Libertação total do país foi uma brilhante operação militar dor grupos armados e do povo vietnamita sob a condução do partido comunista

manhhai – Flickr

Evacuação dos feridos por soldados do exército sul-vietnamita, 1975




Acordos de Paris

Os acordos de Paris significavam que os Estados Unidos deviam retirar suas tropas e as de seus satélites e respeitar a independência do Vietnã. Também devia cessar sua intervenção nos assuntos internos do país e reconhecer o direito à autodeterminação do povo e o status quo do Vietnã do Sul. Assim, o Vietnã obteve outra grande vitória contra uma potência estrangeira que, no entanto, ainda não se consumara em sua totalidade.

Apesar dos Acordos de Paris terem significado um passo importante no processo de libertação do Vietnã, o imperialismo estadunidense continuou apoiando o regime títere de Saigon (agora presidido por Nguyen Van Thieu). Pretendia manter seu domínio colonial e o país dividido. Mas Washington errou no diagnóstico sobre a situação, pensando que com os acordos se paralisara o ímpeto libertador do povo vietnamita. Ao contrário, o prestígio da FNL e do GRP aumentavam a cada dia, tanto no plano interno como no internacional.

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Para que se tenha uma ideia da magnitude da intervenção militar dos Estados Unidos no Vietnã, o poder de fogo de seus soldados era seis vezes maior do que o que possuiam durante a segunda guerra mundial. Os Estados Unidos gastaram 400 mil dólares por cada vietnamita morto, incluindo 75 bombas e 150 projéteis de artilharia por cadáver.


Resistência popular

O regime de Van Thieu teve que começar a enfrentar não só o poder e a força revolucionária das zonas liberadas, como também uma resistência popular crescente nas áreas sob seu controle. Além disso, a ajuda de Washington se reduzira notavelmente em relação a anos anteriores. Da mesma maneira, desencadeou-se uma profunda crise econômica a partir do segundo semestre de 1973 que se aguçou no ano seguinte, caracterizada por uma alta inflação, forte desvalorizaçãoda moeda e perda de divisas.

Nestas condições, o GRP e a FNL responderam com um incremento das ações armadas junto a sua decisão de aplicar sem demora os acordos de Paris. Já em julho de 1973 o PCV avaliou que era necessário preparar as forças para uma ofensiva que permitisse conquistar o poder decisivo. Em meados de 1974, o curso da guerra variara ostensivamente quanto ao crescimento das forças armadas revolucionárias, às ações ofensivas que se desenvolviam, à consolidação de rotas de abastecimento logístico do norte para o sul e o incremento das ações nas cidades.

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Todos estes antecedentes, além de outras condições propícias, permitiramn que o PCV, em outubro de 1974, concluisse que se criara uma correlação de forças favorável aos revolucionários, tomando a decisão histórica de mobilizar o partido, o exército e o povo para levar adiante um ataque geral que levasse a aniquilar e destroçar as tropas do regime de Van Thieu, derrotar o poder inimigo tanto em nível regional como nacional, conquistar o poder para o povo e libertar o Sul. O PCV e sua comissão militar central dedicaram-se à tarefa de planejar e organizar os futuros combates.


Ofensiva e levante geral

A ofensiva e o levante geral começaram em 10 de março de 1975 na meseta ocidental do país. Os primeiros êxitos permitiram avançar até a planície costeira do centro. Um momento decisivo foi a campanha en Hue-Da Nang, segunda cidade em importância do Vietnã do Sul onde foi aniquilada a base militar mais poderosa das forças armadas do regime pró ianque.

A ofensiva continuou com a realização de ataques e levantamentos ao norte e noroeste de Saigon. Em 25 de março já tinham sido libertadas 16 províncias com o que a FNL controlava as três quartas partes do território e a metade da população do Vietnã do Sul. Avaliou-se que o colapso do exército inimigo era total e que os Estados Unidos se mostravam impotentes ante a forte ofensiva vietnamita. Haviam-se criado as condições para a batalha final: a batalha por Saigon.

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A batalha pela libertação de Saigon foi denominada “Campanha Ho Chi Minh”. O presidente e fundador da República Democrática do Vietnã morrera no dia em que o país comemorava o 24º aniversário de sua independência, em 2 de setembro de 1969. Fora decidido que a última cidade a ser liberada teria seu nome.


Manobras diplomáticas

Foram mobilizadas colossais agrupamentos militares para reforçar os que já se encontravam na zona de combate. Enquanto isso, o inimigo se preparava para resistir no último bastião que lhe restava ao mesmo tempo que os Estados Unidos desencadeava todo tipo de manobra diplomática para evitar ou atrasar o evidente final dos acontecimentos.

Em 18 de abril, o presidente dos Estados Unidos Gerald Ford ordenou a evacuação urgente de todos os estadunidenses do Vietnã. Em 21 de abril, em meio a suas tentativas de salvar a situação, Washington destituiu Van Thieu, enquanto buscava negociações que levassem a um cessar fogo bilateral.

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Mas já era tarde. Em 26 de abril começou a “Campanha Ho Chi Minh”, um plano de ataque de cinco direções coordenadas com as forças armadas locais e o povo insurrecto. Em 28 e 29 de abril as colunas revolucionárias avançaram impetuosamente, rodeando as forças inimigas no perímetro de Saigon.


Debandada geral

As colunas de ataque ocuparam os objetivos mais importantes da cidade e, às 11:30 do dia 30 de abril, em meio à debandada do governo e dos membros da embaixada dos Estados Unidos, a bandeira da revolução foi içada no palácio de governo.

Em 1° de maio todo o território continental do Vietnã do Sul estava controlado. Na campanha, foram aniquilados 400 mil soldados inimigos, desintegrando um exército de mais de um milhão de efetivos, assim como as forças de segurança e a polícia.

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O fim da “Campanha Ho Chi Minh” e a libertação total do Vietnã cujo aniversario comemoramos na última segunda, foi uma brilhante operação militar das forças armadas e do povo vietnamita sob a condução do partido comunista.


Imperialismo derrotado

O imperialismo estadunidense fora derrotado no que foi caracterizado como o maior desastre militar e político de sua história.

Também foi destruído todo o aparato militar, político e administrativo do regime criado por Washington no Vietnã. Cinco administrações estadunidenses fizeram um colossal esforço para impedir a vitória do povo vietnamita e não conseguiram, culminando em vinte anos de gloriosa luta contra a agressão estadunidense e pela reunificação do país.

Sergio Rodríguez Gelfenstein | Resumen Latinoamericano
Tradução: Ana Corbisier


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Sergio Rodríguez Gelfenstein Consultor e analista internacional venezuelano, formado em Relações Internacionais pela Universidade Central da Venezuela, Magna Cum Laude, e mestre em Relações Internacionais pela mesma universidade. Candidato a Doutor em Estudos Políticos pela Universidad de los Andes (Venezuela)

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