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Cannabrava | É o Estado fascista que aperta o gatilho contra Marcelos, Marielles, Ágathas

Jogar bombas em manifestações é terrorismo. As forças armadas possuem divisões especializadas nisso, não para combater, mas para praticar
Paulo Cannabrava Filho
Diálogos do Sul
São Paulo (SP)

Tradução:

O que caracteriza o fascismo, do ponto de vista da economia, é o Estado posto a serviço dos monopólios. É, pela própria natureza, excludente. Por ser excludente torna-se autoritário para manter-se no poder.

No caso do Brasil, assume características especiais, mais parecido com um fascismo de ocupação, pois monopólios e o próprio Estado estão subordinados à potência imperialista. Em todos os casos, é um Estado assassino, pois necessita da violência para se manter. É a eterna guerra civil do Estado contra o povo que estamos a viver.

A verdade é que há um só culpado pelo assassinato do militante petista Marcelo Arruda, naquele sábado, 9 de julho. Não é um ato isolado, É o mesmo responsável pela morte do indigenista brasileiro Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Philips dias passados; é o mesmo que estupra as cunhãs, que mata Ágathas, pratica chacinas que exterminam nossa juventude, sobretudo negra. É o Estado assassino, fascista. Afinal, quem mandou matar Marielle Franco?

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Jogar bombas (seja lá do que for) em manifestações públicas é terrorismo. Jogaram bombas de merda em Uberlândia (MG) e, no Rio de Janeiro, e atiraram bomba molotov contra o ato realizado pelo ex-presidente Lula e pré-candidato à presidência. As forças armadas possuem divisões especializadas em terrorismo, não para combater, mas para praticar, como táticas de inteligência.

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Nada mudou. São os mesmos que tentaram explodir o espetáculo de música popular no Rio Centro, em abril de 1981. A ação só não matou centenas e feriu milhares porque Deus é brasileiro e a bomba explodiu no colo do terrorista fardado com o verde-oliva das nossas forças armadas. 

Com farda ou sem fardas, são terroristas treinados para isso. Agem na certeza da impunidade. Mas, pelas dúvidas, para assegurar a impunidade, o governo propôs projeto-lei que cria a circunstância exculpante — exime de punição aplicável a quem matar alguém estando em serviço. Eles já gozam de isenção de penas quando praticam crimes comuns. É isso. 

É por isso que eles anunciam que a eleição de outubro será uma fraude. É para se eternizarem no governo, na lambança.


Jogar bombas em manifestações é terrorismo. As forças armadas possuem divisões especializadas nisso, não para combater, mas para praticar

Chris Christian – Flickr

Muito cuidado com as pautas morais: elas são autênticas na sua igreja, na sua família, mas são absolutamente falsas num governo de ocupação




A quem interessa a disseminação da violência?

É o Estado assassino — fascista — gerido por militares golpistas e entreguistas.

O PM de Foz do Iguaçu, Jorge Guaranho, que passando de automóvel, viu a festa de Marcelo Arruda, viu que era do PT e que saudavam alegremente Lula, decidiu que deveria matá-los. Não conseguiu porque houve reação. O covarde julgava que seria fácil cumprir a ordem vinda do Palácio do Planalto, ocupado pelas forças armadas. Matar 30 mil, todos os petistas e esquerdistas. Semear o medo, o pânico, desacreditar as instituições. Tá lá, nos discursos.

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É o sistema que precisa mudar. É a escola que deixou de ser risonha e franca para ser espaço de violência. É a violência do desespero da fome e do desemprego. O que fazer? Onde morar? Nenhuma chacina será maior que o extermínio diário e permanente de nossas crianças, assassinadas vivas pela má escola.

Estamos todos em um cenário de guerra. Os militares que ocupam o poder são os maiores especialistas em diversionismo. Eles pautam a mídia, pautam inclusive a oposição. Enquanto nos distraímos, eles estão a cada dia avançando na ocupação e destruição das instituições do Estado. Veja o que fizeram com a Justiça, com a saúde, com a educação.


Moralidade sem moral

Muito cuidado com as pautas morais. Elas são autênticas na sua igreja, na sua família, mas são absolutamente falsas num governo de ocupação. Que moral eles têm se mandam matar seus semelhantes? Que moral tem o que manda torturar um ser humano?

Uma coisa é marchar para Jesus. Há muito simbolismo nisso. Juntos, numa mesma fé. Outra coisa é pretender aproveitar de um ato religioso para tentar se eternizar no poder. Poder num estado que mata.

E lá estava o capitão Jair Bolsonaro, o agitador do governo dos militares, na Marcha para Jesus, a dizer que é contra o aborto, contra a liberação das drogas, que é a favor da família.

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Gente, família somos todos nós, e o que queremos é trabalho e pão! Mãe não quer saber se vai liberar as drogas, pois esse é o cotidiano dela. Mãe quer os filhos nas escolas e que tenham um salário depois de formado. 

É isso. Vamos todos levar a verdade a todas as partes. Vamos unir e realizar a verdadeira libertação nacional!

Paulo Cannabrava Filho é jornalista e editor da Revista Diálogos do Sul.


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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Paulo Cannabrava Filho Iniciou a carreira como repórter no jornal O Tempo, em 1957. Quatro anos depois, integrou a primeira equipe de correspondentes da Agência Prensa Latina. Hoje dirige a revista eletrônica Diálogos do Sul, inspirada no projeto Cadernos do Terceiro Mundo.

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